
Habitualmente, antes de cada campanha eleitoral, todos os partidos se referem a Alenquer como um Concelho com “Imenso Potencial” que tem de ser aproveitado e capitalizado de modo a proporcionar aos Alenquerenses um acréscimo efectivo nas suas condições de vida. Invariavelmente, esse potencial tem sido esquecido após as eleições. Quem ganha rapidamente o esquece e quem perde diz que como não foi eleito, não pode por em prática as ideias que tinha.
Este divórcio permanente entre as partes tem levado a uma subalternização do Concelho, que apesar de ter algum “potencial”, usa-o apenas como um cliché, nunca tendo, em boa verdade, tentado tirar dividendos do mesmo.
Fico surpreendido quando ao deslocar-me a Concelhos do interior, vejo uma dinâmica e uma energia que são de enaltecer. Um desses exemplos é Montalegre.
Montalegre, a partir de um ritual pagão, a “noite das bruxas”, soube atrair, a um pequeno Concelho do Barroso, milhares de pessoas que de um ano para o outro esgotam hotéis e restaurantes num raio de muitos quilómetros.
Alenquer, nesta época natalícia, tem em termos de eventos, apresentado uma dinâmica fora do normal.
Com efeito, desde desfiles a jantares de solidariedade, passando por outras iniciativas, tem-se respirado além do espirito natalício, um novo conceito de atracção de pessoas ao Concelho.
É importante que estes actos não sejam isolados e que sejam o prenúncio de uma nova era, no que diz respeito ao desenvolvimento Concelhio. É fundamental, embora não renegando ideologias políticas, que os diversos agentes concelhios se mobilizem em torno de um objectivo comum, o engrandecimento a todos os níveis de um concelho, que embora possuidor de uma enorme margem de progressão, tem vivido num certo marasmo, que sem ser irrecuperável, se afigura complicado se não contar com o empenho de todos.
John F. Kennedy, que morreu há 50 anos, dizia em 1960, poucos meses depois de tomar posse, que um dos objectivos da politica da “new frontier” era mudar a mentalidade do povo Americano. E dizia-o de uma forma muito prática.
As transformações que pretendo introduzir na mentalidade das pessoas, podem não ter resultados visíveis na minha geração. Podem nem sequer ter resultados visíveis na geração dos meus filhos. Mas deixem-me ser eu a começar. É esse o espirito do quem que ser feito em Alenquer. Uma profunda transformação de mentalidades. Onde através de uma comunhão de ideais supra-partidários, todos em conjunto possamos de uma vez por todas materializar aquilo que em teoria já foi referido milhares de vezes… Alenquer tem “imenso potencial”.
Se esse trabalho que se afigura árduo, começar a ser feito de uma forma efectiva e consistente, os resultados poderão não ser visíveis no imediato, mas os nossos filhos e netos vão agradecer-nos. Vão agradecer-nos por viverem num concelho mais dinâmico, mais desenvolvido, mais sustentável… Num concelho onde seja gratificante viver, onde se possam projectar ideais de futuro… Nesta época de Natal, façamos da revolução de mentalidades um desafio comum, para que a linha que separa o absoluto marasmo do mais concreto desenvolvimento, seja definitivamente ultrapassada.

















