“O desafio de pensar grande nas pequenas obras: um passado a projetar o futuro” – Opinião de Francisco Guerra

O Fundamental convidou os representantes das forças políticas com assento no executivo camarário de Alenquer para emitirem opinião a ser publicada aqui neste vosso jornal. Naturalmente, a escolha do tema a abordar neste espaço é sempre livre e da responsabilidade do articulista. Publicamos hoje a opinião de Francisco Guerra - Vereador da Coligação TODOS na Câmara de Alenquer.

Depois das presidenciais, se não houver sobressaltos, o país vai ter três anos e meio sem eleições. É uma rara oportunidade de pensar na política sem estar com a cabeça na eleição seguinte. É também isso que o TODOS espera fazer em Alenquer.

É bastante evidente, excepto para quem está sempre satisfeito, que o concelho de Alenquer não tem tido da câmara os cuidados devidos. Se formos ao Alto Concelho, encontramos alguma tristeza pelo abandono do município. No Carregado, será mais frequente a revolta de quem sente que alimenta a câmara com os seus impostos e não vê nada em troca.

Mesmo na sede do concelho, onde tem havido mais obras, subsistem pedras no sapato, como uma ruína gigantesca da própria câmara bem no centro da vila há mais de um quarto de século. Entre o que se faz e fica por fazer, fala-se sempre mais das grandes obras, e é óbvio que a câmara tem de ganhar maior capacidade para as fazer, pois sem fundos europeus o panorama seria desolador.

As grandes obras são evidentemente necessárias e devidas, mas não são a única via para valorizar os territórios, nem podem ser. Há pequenas intervenções, também importantes, que não estando na escala dos milhões podem ser feitas com maior agilidade. Para descobri-las é preciso ir terra a terra, bairro a bairro, olhar sobretudo para os lugares mais significativos, como os centros históricos. É preciso ouvir as pessoas, que tantas vezes reclamam pequenos cuidados, mas não virar as costas depois.

Este é um caminho de bom senso, e também de democracia. Ele chega a territórios de menor escala – o bairro, a rua principal, o largo da igreja – que podem no entanto ter grande valor patrimonial, cultural e paisagístico. Este é o caminho que leva aos Projetos Integrados, propostos pelo TODOS na última campanha. Projetos sobretudo vocacionados para os centros históricos, onde se guardam memórias colectivas e identidades talhadas pelas ligações às serras, às culturas, às romarias, às tradições. Projectos envolvendo o urbanismo e a mobilidade, onde faz sentido falar do passeio, do candeeiro, do ecoponto, da floreira, da árvore ou do banco de jardim.

Recordamos também a proposta do TODOS de um Gabinete Técnico Local, que além de gerir estes projetos, pode divulgar incentivos e propor critérios para que as nossas terras tenham um desenvolvimento urbano harmonioso. Com base nesta estrutura, é possível definir objetivos, constituir equipas, distribuir meios e calendarizar ações concretas.

Começar pelo que é mais simples costuma ser mais eficaz que tentar subir os degraus todos de uma vez. Mas, sempre que fizer sentido, pequenas intervenções podem ser o ponto de partida para abordagens mais complexas, como os planos de pormenor, envolvendo a “infraestrutura pesada”, a reabilitação de imóveis e até integrando políticas de habitação.

É esta visão incremental que pode estimular vontades e tornar natural a ideia de um parque empresarial a norte do concelho. Uma câmara animada por uma visão para o seu território caminhará em direção ao futuro que ambiciona. Sem ela, restará o encolher de ombros a que já nos habituámos. O cuidado pelas localidades do concelho não pode ser uma opção. A câmara tem de investir mais, seja nas grandes, seja nas pequenas obras.

Isso implica rigor na gestão interna, e na aposta que tem feito em ações promocionais. Implica orçamentos realistas, que disciplinem gastos e não acabem em endividamento, como recentemente aconteceu. Implica prioridades claras e diligência nos projectos a candidatar aos fundos do Portugal 2030. E implica olhar para as juntas de freguesia como parceiras próximas de uma política mais descentralizada e não como sujeitos de luta partidária.

O PS ganhou a câmara com maioria relativa, com o TODOS a ficar bem perto. Mas isso não é sinónimo de bloqueio. O TODOS viabilizou o orçamento para 2026 para que o PS tenha condições para governar e não possa esconder-se dessa responsabilidade. Quanto a nós, TODOS, continuamos empenhados em representar a esperança de muitos alenquerenses. Essa é uma honra que nos motiva e nos dá confiança no futuro. (Opinião de Francisco Guerra – Vereador e eleito pela Coligação TODOS na Câmara de Alenquer)
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