
Circula pela net uma crónica de Luís Fernando Veríssimo, publicada na folha de S. Paulo (Brasil) em forma de diálogo, entre filho e mãe, a qual vou procurar sintetizar:
– Mãe, vou casar!
– Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça?
– Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo, mas pode trata-lo por Biscoito.
Abrevio o diálogo, deixando a indicação que mãe ficou muito chocada, quase não resistiu a um ataque de coração, acabando por dizer antes preferia uma nora, ao que o filho retorquiu:
– Você vai ter uma nora. Só que uma nora … meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea… hoje é assim mãe os nossos amigos são quase todos gays …
De novo a mãe voltou à sua aflição, desta vez temeu pela saúde do seu marido, quando soubesse que o filho iria casar com um homem e sua filha com uma mulher, lamentando por não poder ter um neto … ao que o filho voltou a respondeu:
– Porque não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozoides e a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
– Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
– Sim, quando ele era heterossexual namorava a Veruska, que agora namora a Bel, minha irmã.
– Peraí, a ex-namorada do teu atual namorado … e a atual namorada da tua irmã … que é minha filha também … que se chama Bel. É isso? … porque eu me perdi um pouco….
– É isso, pois é … a Veruska doou os óvulos e nós vamos alugar o útero da Bel.
– Mas … logo da Bel?! Quer dizer então … que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito, com teu espermatozoide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska… Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel. A criança vai ter duas mães: você e o Biscoito; e dois pais: a Veruska e a Bel.
– Por aí…
– Por outro lado, a Bel …, além de mãe, é tia … ou tio … porque é tua irmã.
– Exato. E no ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozoide; que dessa vez vai ser gerado no ventre de Veruska … com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
– Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Bel … e o ventre da Veruska. Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi …
– Entendeu o quê?
– Entendi que é uma espécie se swing dos tempos modernos! Uma troca de casais … com espermatozoides saídos dos tomates sabe-se lá de quem, a fecundar óvulos uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra … Isso é um bacanal de última geração! E pior … com incesto no meio …
– A Bel e a Veruska só vão ajudar na conceção do nosso filho, só isso … e quando elas quiserem ter filhos … nós ajudamos também.
– Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser a mãe de quem, quem vai ser o pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozoide … a única coisa que eu entendi é que … fazer árvore genealógica daqui pra frente … vai ser fo**do.
No que toca a elas, Bocage terminaria assim: “meninas que sois tão boas, porque estais a fazer isso? Porque comeis pão com pão, se é tão bom pão com chouriço?”

















