

O meu trabalho de jornalista concede-me o privilégio de conviver diariamente por perto com a realidade e com os agentes da política autárquica das câmaras municipais da região. Como se sabe, tanto as boas como as más notícias correm depressa mas mesmo assim é sempre com espanto e até alguma angústia que oiço falar da Câmara de Azambuja fora do território concelhio. Há dias um conhecido autarca de um concelho vizinho, num intervalo de uma reunião de câmara, estava à conversa comigo e perguntou-me, com comentário à mistura: “então como vai aquilo lá por Azambuja? Pelo que sei, estes que lá estão agora são muito fraquinhos, não é?”. Ora, uma pessoa fica sem saber muito bem o que responder numa situação destas, ainda que na verdade apeteça tirar cá para fora um “são mesmo, com toda a certeza”. Mas não fica bem e, de resto, pode até nem corresponder à realidade. Pode não ser rigoroso, melhor dizendo. Fraquinhos em que sentido? Luís de Sousa, por exemplo: tem aspecto de ser um homem robusto, embora a idade não perdoe e já vá avançando para aquela altura da vida em que as forças começam a faltar. Ainda assim, não me parece propriamente um “fraquinho”. Ah, mas quanto à sua capacidade para ser um líder da Câmara, isso é outra história. Nesse caso não será “fraquinho” a palavra correcta a aplicar. Penso mesmo que o mais certo será exprimi-lo numa frase simples: Luís de Sousa não nasceu com talento para ser presidente de Câmara. Dito desta forma parece revestido de dureza e crueldade suficientes para abanar com o pobre do Luís, mas não creio que tal aconteça, até porque o próprio já terá percebido que tais limitações são incontornáveis e, para além de tudo, não são necessariamente um “defeito profissional”. Sousa revelou qualidades ao longo da sua vida de autarca, que já vai longa, tendo secundado presidentes de câmara como João Benavente (neste caso era o número três da lista; na verdade, secundava Carlos Alberto Oliveira), o próprio Carlos Alberto (quando Benavente saiu da Câmara, em 1999) e depois Joaquim Ramos durante uma dúzia de anos. Ou seja, foram 16 anos de experiência na Câmara, aos quais acrescento mais um ou dois mandatos de experiência na Junta de Freguesia de Alcoentre… é muita carga prática! Mas então, perguntamos todos, com tanta experiência adquirida… porque é que o homem é fraquinho? A resposta é simples de ser dada: é que há coisas nesta vida com as quais ou se nasce ou… ou não se nasce com elas. E Luís de Sousa não nasceu para ser presidente de uma Câmara. É um homem honesto – pelo menos tenho-o por essa conta, afável, bastante acessível e sempre disponível, e com uma enorme vontade de fazer positivo e de se sair bem nesta fotografia na qual o próprio se colocou com a ambição de guardar nas suas memórias uma passagem pela autarquia na qualidade de presidente do executivo. Mas nestes casos não basta apenas querer fazer ou pretender lá estar: para se ficar nos anais da história como um presidente que realmente fez alguma coisa pela sua terra ter-se-á que ter outra argumentária, outra capacidade de discussão e de compreensão de todos os aspectos inerentes à municipalidade. Em suma, tem que se ter capacidade de liderança, carisma como político e ser reconhecido pelos seus liderados como o exemplo a seguir para atingir os objectivos a que se propuseram. Se assim não for, rezará a história sobre um presidente fraquinho. Que, em boa verdade, é de uma tremenda injustiça para com os mais de 20 anos de vida autárquica de Luís de Sousa.
















