

Não há maio sem trovões, menino sem calções nem burro sem “tintins”. Para os crentes nas aparições de Fátima, maio é o mês de Maria. Mas as tradições de maio que quero tratar estão mais relacionadas com os usos na Idade Média, particularmente na Europa. A Idade Média é um período da história da Europa entre os séculos V e XV. Inicia-se com a queda do Império Romano do Ocidente e termina durante a transição para a Idade Moderna.
O palácio de Versalhes, talvez o mais importante de França, foi mandado construir por Luís XIV (mais conhecido por Rei Sol) a partir de 1664. Os jardins de Versalhes, em França, são enormes, belíssimos, um verdadeiro regalo para os olhos, mas na época eram mais usados como retretes do que admirados. Não havia casas de banho e, nas festas pomposas, oferecidas pelo Rei, juntavam-se quantidades infindáveis de pessoas.
Na Idade Média não existiam escovas de dentes, perfumes, desodorizantes e muito menos papel higiénico; as fezes e urina humanas eram atiradas pelas janelas do palácio.
Em Portugal, a Praia de São Martinho do Porto era designada por bidé da fidalguia. Durante o verão, para ali iam passar férias as famílias da nobreza e, como também não se usavam casas de banho nas residências de férias, as senhoras da nobreza, logo de manhã, iam tomar banho na baía de São Martinho do Porto.
Os leques usavam-se não por causa do calor, mas sim para afastar os maus cheiros exalados por debaixo dos vestidos. Era por isso que as roupas eram pesadas, de propósito, para reterem os odores das partes íntimas que quase nunca eram lavadas. As pessoas estavam tão habituadas que nem pensavam que poderia ser de outra maneira.
O próprio Napoleão gostava tanto da falta de higiene e do cheiro a bacalhau que, quando regressava de guerras ou batalhas que duravam meses ou anos, enviava um mensageiro a anunciar à sua mulher, Josefina, que regressaria a casa umas semanas depois, avisando-a de que até lá não tomasse qualquer banho.
As pessoas, habitualmente, não tomavam banho, entre outras razões, por falta de água corrente e de aquecimento nos quartos; e também porque pensavam que a fricção das mãos na lavagem do corpo provocava um desgaste na pele e por aí poderiam entrar as doenças e as epidemias. Baseavam esta opinião pela experiência de verificarem que os tachos ou panelas de cobre, onde cozinhavam, se desgastavam mais depressa em consequência de serem areados e lavados com alguma frequência.
Mas, quando se dispunham a tomar banho, faziam-no numa banheira gigante cheia de água quente. O chefe da família era o primeiro a tomá-lo, depois os outros homens da casa por ordem de idade; a seguir as mulheres, também por ordem de idade. Por fim era o banho das crianças, quando a água já estava tão suja que se podia perder um bebé dentro da banheira. Daí o provérbio que dizia: “deitou-se fora o bebé junto com a água do banho.”
Porquê o ramo de flores das noivas? Na Idade Média a maioria dos casamentos realizava-se no início do verão. A razão era simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio e então em junho o cheiro das pessoas ainda se tolerava. Mesmo assim, como alguns odores já começavam a ser incomodativos, as noivas levavam ramos de flores a seu lado nas carruagens para disfarçar os maus cheiros. Assim nasceu a tradição do ramo de noiva.
As questões atrás referidas foram a razão de eu e a minha Maria termos casado, ambos à cautela, só em setembro, já no fim do verão com muitos banhos e muitas flores.























