

Cada vez mais sinto que Alenquer é um concelho sem liderança autárquica, sem regras e sem lei que garanta aos munícipes os seus direitos fundamentais. Esta situação relacionada com a “rotunda” construída no IC2 à saída da Vila do Carregado deveria fazer corar de vergonha o digníssimo presidente da autarquia, doutor Pedro Folgado (chegou-me ao conhecimento que o próprio se auto-intitula doutor, pelo que não pretendo decepciona-lo).
A verdade está à vista de todos: isto é um verdadeiro atentado público, ao nível do que de pior se tem feito por essa Europa fora em matéria de terrorismo, se bem que aqui o terrorismo seja de natureza económica, mas igualmente capaz de colocar em causa o bem estar e a própria integridade física das pessoas. Esta rotunda é uma vergonha, e a autarquia de Alenquer demitiu-se claramente de fazer frente ao poder económico representado pela grande superfície que opera nas imediações da mesma.
As obras parecem não ter fim; todos os dias verificamos que novas áreas adjacentes são destruídas, arrasadas. Os passeios públicos desapareceram, as faixas de rodagem confundem-se, os buracos e as valas multiplicam-se, invadem propriedades privadas, destroem o equilíbrio daquele espaço. Volto a utilizar o mesmo termo: esta situação é uma vergonha para Alenquer, e atesta bem o grau de incapacidade de quem governa aquela Câmara Municipal.
O doutor Pedro Folgado, o tal doutor que é presidente da autarquia, garante que a grande superfície construída nas imediações daquela rotunda está a funcionar de forma ilegal, dado que a Câmara Municipal se recusa a emitir a licença de utilização do espaço sem que a rotunda esteja pronta. A verdade é que a dita superfície comercial continua a laborar em pleno, já lá vão 48 dias. Ou seja, a conclusão é óbvia: quem manda em Alenquer não é o poder político; são as notas verdes e côr de rosa do poder económico. O que vale a lei, as autoridades ou um presidente de câmara perante o poder do dinheiro? Rigorosamente coisa alguma.
A parte infeliz da história é que quem sofre na pele os desvarios de todo este cenário de corrupção dos princípios pelos quais se deveria reger a sociedade local são precisamente as pessoas, as que trabalham no duro e lutam todos os dias pela vida. Existe o sentimento generalizado de que não somos nada nem ninguém perante esta gente, que faz o que bem entende; enchem-se de dinheiro à conta do povo, que é sucessivamente ludibriado por um certo xico espertismo que vigora, hoje como sempre. Como diria uma figura agora política da nossa praça, nada mudou desde os tempos de Álvaro Pedro. Em todos os sentidos.


















