Of Corça que é carne para o canhão de Lopes (opinião de Nuno Cláudio)

"Corça mais não é do que carne fresca para o ávido canhão político de António Jorge Lopes. Foi a solução encontrada por Lopes, porque junta à ambição de protagonismo político do candidato uma quase certeza de que Rui Corça mais não vai ser do que uma marionete política nas mãos do eterno líder do PSD local" - Opinião de Nuno Cláudio

Rui Corça: o regresso do PSD de Azambuja aos candidatos sem grande preparação política...

O PSD vai apresentar no próximo sábado o seu candidato à presidência da Câmara de Azambuja. Trata-se de Rui Corça, um azambujense que desde há muito perdeu contacto com a realidade e com o contexto da sociedade local a um nivel que lhe permita actualmente afirmar ser um candidato capaz de dar conta do recado caso seja eleito. De resto, não é novidade que o PSD apresente em Azambuja um cabeça de lista estranho à vivência política e social do concelho; em 2001 Pedro Lince veio fazer o frete de ser candidato, ele que substituiu Virgínia Estorninho nessa condição, sendo que a antiga presidente da Junta de Freguesia do Alto do Pina (Lisboa) acabou por se radicar em Azambuja, após ter assumido a corrida autárquica de 1997 com a camisola do Partido Social Democrata.

Corça mais não é do que carne fresca para o ávido canhão político de António Jorge Lopes.

António Jorge Lopes é o mentor político de Rui Corça, um ilustre desconhecido no concelho, ainda que azambujense.
António Jorge Lopes é o mentor político de Rui Corça, um ilustre desconhecido no concelho, ainda que azambujense.

Desgastado e consciente de que dificilmente ganhará o que quer que seja no Concelho de Azambuja, Lopes necessitava de encontrar alguém que figurasse como cabeça de lista da Coligação/PSD nas autárquicas do ano que vem. Corça foi a solução encontrada por Lopes, porque junta à ambição de protagonismo político do candidato uma quase certeza de que Rui Corça mais não vai ser do que uma marionete política nas mãos do eterno líder do PSD local.

Enquanto Lopes for vivo (e esperemos que o seja por muitos e longos anos, porque a cena política em Azambuja sem a sua contribuição seria como doce da casa sem leite condensado); enquanto Lopes for vivo, dizia, será ele a mandar no PSD de Azambuja; será ele a definir rumos, discursos, estratégias, intervenções e outras coisas que poderia até definir com a ajuda de palavrões. Se algum dia se desse o tal milagre e Corça chegasse a presidente da Câmara de Azambuja, não tenha o leitor dúvidas de que o verdadeiro presidente seria o inevitável Lopes. Corça não dormiria uma noite sem ter de ouvir longas dissertações sobre como fazer, como agir, como decidir, o que dizer, o que escrever, como se comportar. Seria esse o preço a pagar pelo apoio de Lopes; do género: “fui eu que aqui te meti, e tu agora só tens que fazer o que eu quero”.

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Resta saber se o CDS/PP de Azambuja está de acordo com o candidato e com a forma de fazer as coisas de António Jorge Lopes. Atenção que há uma grande diferença entre a cúpula dos centristas e as bases do partido em Azambuja. Enquanto que os primeiros andam ao beija-mão de Lopes, os segundos não podem com o vereador nem um bocadinho. Acresce que a Coligação ainda tem muitos passos para dar antes de se tornar efectiva para 2017. Só a título de exemplo, o mais recente cartaz idealizado por Lopes que diaboliza o trio Sousa/Lúcio/Matos foi amplamente criticado pelos elementos do CDS/PP, que alegaram não terem sido vistos nem achados naquela iniciativa, tão pouco consultados sobre se concordavam com a estratégia seguida. Até parece que só conhecem o Lopes desde ontem…

VIANuno Cláudio
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