A latrina dos senhores feudais

Opinião de António José Rodrigues

Como hoje há ar condicionado e muitas modernices, não precisam de escravos para lhe aquecerem a pedra dos sanitários, mas cagam e vomitam em cima de nós e utilizam-nos como carne para canhão. Cada leitor que retire a sua conclusão.

A imagem que vemos abaixo, neste artigo, é uma foto de parte de um histórico monumento sito em Éfeso, na costa mediterrânica da Turquia (que visitei há cerca de 18 anos), quase totalmente destruído há mais de 1500 anos, em consequência de guerras e terramotos. Na parte visível, destacam-se 3 colunas partidas de suporte do telhado de cobertura daquela ala e, em redor, encostada à muralha de suporte, também ela semidestruída, dá para ver uma bancada corrida com um ângulo reto, onde se sentavam os senhores feudais daquela cidade para fazerem as suas necessidades fisiológicas (em português defecar, obrar, cagar, soltar o barro – ou empinar a carroça, como dizem os franceses em linguagem figurativa).

Na parte visível, destacam-se 3 colunas partidas de suporte do telhado de cobertura daquela ala e, em redor, encostada à muralha de suporte, também ela semidestruída, dá para ver uma bancada corrida com um ângulo reto, onde se sentavam os senhores feudais daquela cidade para fazerem as suas necessidades fisiológicas...
Na parte visível, destacam-se 3 colunas partidas de suporte do telhado de cobertura daquela ala e, em redor, encostada à muralha de suporte, também ela semidestruída, dá para ver uma bancada corrida com um ângulo reto, onde se sentavam os senhores feudais daquela cidade para fazerem as suas necessidades fisiológicas…

Tal bancada é parte de uma retrete coletiva, latrinas (só para homens), com assentos em pedra mármore, onde na parte mais junto à muralha havia uma cavidade com águas correntes para levar os dejetos até ao mar. Até aqui, toda esta narrativa da maneira de obrar em grupo, nada tem de especial. O que pode chocar algumas mentalidades, pelo método de utilização, era a imposição dos senhores feudais daquela região e daquela época, que ordenavam aos seus escravos que se levantassem mais cedo para irem sentar-se nos lugares disponíveis, utilizando os seus traseiros para irem aquecendo a pedra fria, que era onde os seus senhores e donos iriam mais tarde empinar a carroça.
Mais acrescento que, noutra ala do mesmo monumento, havia um vomitório, também coletivo, onde os mesmos senhores feudais iam, durante o dia, após o repasto de luxuosas e fartas refeições, vomitar para aliviar a carga do que tinham comido a mais, parte da qual poderiam ter repartido com os seus escravos.
Terá esta maneira de ser qualquer coisa em comum com os tempos modernos, onde os impérios financeiros como a Goldman Sachs e os seus serventuários continuam a dominar o mundo atual. Muitos dos nossos leitores se lembrarão da célebre reunião na Base das Lages, nos Açores, em que Bush, Blair, Aznar e Durão Barroso, com o pretexto de eliminar armas de destruição maciça que ninguém encontrou, mandaram destruir o Iraque, a que mais tarde se seguiu a Síria, a Líbia e quase todos os seus monumentos seculares? Como hoje há ar condicionado e muitas modernices, não precisam de escravos para lhe aquecerem a pedra dos sanitários, mas cagam e vomitam em cima de nós e utilizam-nos como carne para canhão.  Cada leitor que retire a sua conclusão.

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