As práticas políticas adoptadas nas últimas décadas em Alenquer têm uma natural responsabilidade no estado moribundo que hoje exibe a vila presépio. Até mete dó ao visitante ocasional constatar a quantidade de lojas ao abandono, que esperam e desesperam por serem de novo devolvidas à vida. Todos sabemos que sem pessoas não há comércio que aguente a investida arrasadora das grandes superfícies. E todos sabemos, igualmente, que sem condições ou qualidade de vida não há pessoas para manterem uma estrutura comercial de cariz local ou regional. Em Alenquer ainda havia população que por cá ficasse, porque a contrastar com a má qualidade de vida existiam empregos em quantidade suficiente para alimentar o sonho de uma vida melhor. Mas quando os empregos desapareceram ou diminuiram com a falência de boa parte do tecido empresarial do concelho, veio ao cimo uma realidade incontornável: Alenquer não oferece qualidade de vida que justifique o sacrifício de por cá assentar arraiais, caso o motivo não se prenda com o factor “trabalho”. As zonas urbanas estão edificadas paredes meias ou com fábricas, ou com barulhentos e poluidores stands e oficinas de automóveis, ou ainda com parques de estacionamento de pesados; as iniciativas de âmbito cultural são cada vez mais uma miragem e espelham a pequenez espiritual de quem tem governado um concelho repleto de história e de potencial associado; espaços verdes, jardins e zonas de lazer são coisas que os Alenquerenses – sobretudo os carregadenses – conhecem de ouvir falar, de ver na televisão ou de visitar mas em outras paragens. Feiras e certames afins de dimensão generosa que não envergonhem ninguém são realidades exclusivas de concelhos limítrofes. Logo, não há nada que prenda uma pessoa a Alenquer, sobretudo alguém que para cá veio morar a reboque de um emprego que possivelmente já nem existe. E depois há uma câmara emprenhada de vícios e de práticas asquerosas, onde qualquer munícipe com o minimo de sensibilidade que ali entre percebe de imediato que está a invadir a coutada de um grupo de manhosos que pararam no tempo e que ainda vivem um dia-a-dia de contexto pré-histórico, onde impera o favor, o conhecimento e o benefício dos que lhes são mais próximos. Dizem-me que hoje as coisas melhoraram neste contexto, mas a verdade é que a doença estava tão enraizada que dificilmente desaparecerá com esta geração de servidores da causa pública. O problema é que vão matando o concelho, enquanto se servem do poder autárquico para se amanharem e amanharem os seus. Alenquer está a morrer e a culpa é deles. De quem? Ora, de quem desgoverna o concelho desde que há eleições livres por estas bandas. Minha e daqueles que os têm combatido é que a culpa não será, concerteza.
A incompetência política e a falência do concelho de Alenquer
"O problema é que vão matando o concelho, enquanto se servem do poder autárquico para se amanharem e amanharem os seus. Alenquer está a morrer e a culpa é deles. De quem? Ora, de quem desgoverna o concelho desde que há eleições livres por estas bandas. Minha e daqueles que os têm combatido é que a culpa não será, concerteza"
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