Caça aos gays… com pistolas de água

Opinião de António José Rodrigues

Volto ao tema do negócio das águas de Azambuja pelas razões que irei explicitar: por os aumentos estarem agora a cair no bolso dos consumidores; para demonstrar a falta de estudos que justificassem o negócio; tentar perceber como o Vice-Presidente da CMA leva para dentro da autarquia um desabafo de caça aos gays (ele terá utilizado palavras de calão mais grosseiras). Na minha crónica anterior publicada no Fundamental, bem como na sessão da Assembleia Municipal de Azambuja, realizada em 30/7/2015, deixei bem vincadas as razões do mau negócio das águas, que muitos consideram gestão danosa. Falta agora dar relevância à falta de estudos convincentes para concretizar o combatido negócio pelas oposições. Em consequência de avultados investimentos desde 1980 até ao ano 2000, quase 100% da população do concelho de Azambuja ficou servida de água. O município tinha captação de águas na ordem dos 51%, comprando à EPAL os restantes 49%, abastecendo ainda com água da sua própria produção a freguesia do Cercal, que o município do Cadaval pagava. O investimento estava feito e era possível custear a sua manutenção e modernização através das receitas próprias do município de Azambuja, através dos seus orçamentos anuais. O tarifário praticado era compatível com os rendimentos dos consumidores, precisando apenas de pequenos ajustamentos anuais para equilibrar as despesas com as receitas, pois sendo a água um bem escasso mas essencial não é exigível que a sua gestão racional produza lucros. Em 2006, quando a CMA começou a pensar no negócio das águas, um consumidor que gastasse 10 m3 pagava 13,92€ mensais. A partir de então os aumentos de custo no consumidor passaram a ser aumentados exageradamente até 2009, quando foi feito o negócio das águas. Desde então, um consumidor que gastasse por mês 10 m3 de água pagava 19,01€ (mais 36,57%, ou seja uma média de 12% de aumento em cada ano depois de 2006, para criar apetência às empresas concorrentes; desde 2009 a 2014 verificou-se mais um aumento de 32%. Em setembro de 2015, ainda não disponho de informação do custo de 10 m3 de água; mas tudo indica que desde 2006 o total dos aumentos rondarão os 100%. Ou seja, durante os últimos 14 anos o aumento com os custos do fornecimento de água, tratamento de esgotos e recolha de lixo doméstico cresceu cerca de 10% ao ano. A somar a estes aumentos exagerados, há outros aumentos pontuais que podem atingir percentagens muito elevados, como o caso de aferição de contadores que passa de 26,95 euros para 100 euros. Saliente-se que a inflação desde 2006 a 2015 não terá aumentado mais do que 2% ao ano. Para quê então proporcionar um negócio tão rentável a uma empresa privada, quando o município de Azambuja poderia prestar este serviço por a valores de 2006, acrescidos apenas do valor da inflação?
Em 2007, quando foi colocada a hipótese da adesão às Águas do Ribatejo (AdR), o município de Santarém (com cerca de 62.000 consumidores) perdeu 8 milhões de euros de subsídios da EU; em termos proporcionais o município de Azambuja (com cerca de 10.000 consumidores = 16,3%) terá perdido 1.280 milhões de euros por não ter aderido à AdR. Gestão danosa para os consumidores. Mas há outros dados que foram utilizados pela CM, quando informou que o município de Azambuja precisaria de investir oito milhões de euros, em 2009, para manter o sistema de abastecimento de água; mas em 2013, 4 anos depois da concessão das águas, só estavam investidos três milhões e meio de euros, valor que estava perfeitamente ao alcance do município de Azambuja, se se tivesse abstido de fazer obras não prioritárias como a Praça de Toiros de Azambuja e outras (conforme intervenção do meu amigo Daniel Claro na dita assembleia de 30/7/2015). Acrescento que se Azambuja tivesse aderido à AdR teria investido menos de um milhão de euros. Sobre as diversas perguntas feitas, ao longo dos anos, sobre o negócio das águas, nunca obtivemos resposta.

O título desta crónica resulta de uma conversa ente dois militantes socialistas nas instalações do município de Azambuja, quando o Vice-Presidente da CMA, Silvino Lúcio, teve com os seu camarada, Alberto Carlos Coração, o diálogo postada por este no facebook, em 13/9/2015, que aqui transcrevo em parte: “Uns dias depois, estava eu parado dentro do carro e passa o Silvino. Para o seu carro à minha frente e começa a gesticular e aos saltos no banco e a por a mão na boca para me comunicar que queria falar comigo. Claro tudo isto em tom ameaçador. Como se lembra, respondi-lhe com um “o que é que foi?” gestual. Passadas as eleições liguei-lhe para marcar a dita reunião, para falarmos sobre o assunto. Assim foi, ao fim da tarde explicava-lhe o meu ponto de vista sobre a sua atuação no PS e quando estávamos a sintetizar para tomar qualquer decisão o Silvino tem uma saída Siciliana. Olha para mim fixamente, de olhar esbugalhado e “berra”: “ESTA CAMARA É SÓ PANELEIROS E EU ESTOU FARTO DE PANELEIROS. VOCE TAMBEM É PANELEIRO? OU GEI? OU LÁ O QUE É, CA….., DSS” Bem fiquei de sorriso amarelo e sem saber o que dizer, pensei “isto vai dar merda”. Mas, ainda não me tinha recomposto o Silvino remata a situação com “Nam você não tem ar de paneleiro!”. Sabe Silvino, fiquei muito mais descansado. Tinha a minha orientação sexual reconhecida. Para fim de conversa diz “queria vê-lo dizer estas merdas ó Rames! Dss…” Pensei, “a dele é maior que a minha” e sai porta fora. Quando marquei esta reunião foi com o Presidente do Partido Socialista de Azambuja e foi tida no gabinete do Vice-Presidente da Camara Municipal de Azambuja, não marquei reunião com o qualquer “barda’merdas”, que foi como o Silvino se comportou. Sabe, vi confirmada a minha ideia sobre si, o Silvino tem uma qualquer doença psíquica do foro comportamental, tipo “Síndrome de Borderline” ou “Distúrbio Bipolar”. Repare, eu sei que o Silvino não tem a noção de si mesmo e isso só por si é um distúrbio mental. Mas, também tem outro “traços” preocupantes; hiperatividade, desrespeito pelas instituições que representa, manipulação para proveito próprio, oscilações de humor, agressividade, irritabilidade, manias, comportamento inflexível e invasivo, exagerado, enfim… Dizem os livros que “são pessoas que fingem comportamentos e distorcem os factos e acontecimentos verídicos para convencerem quem os ouve de que são vítimas”. Silvino, peço-lhe encarecidamente renove o PS em Azambuja com gente jovem e que queiram realizar “coisas diferentes” ou se não o conseguir demita-se”.

Se fosse apenas um assunto partidário, nem sequer metia foice em seara alheia. Mas trata-se de um caso ocorrido dentro das instalações do município, entre o Vice-Presidente da CMA e outro cidadão, o que torna o assunto num caso público. Face ao sucedido, faço uma pergunta muito simples: a falta de estudos e de respostas sobre o negócio das águas deve-se à falta de tempo do Vice-Presidente por ter andado à caça aos gays na CMA? Como me sinto defraudado pelo dito negócio das águas, resta-me sugerir ao Vice que, se ainda não acabou a caça aos gays, faça como o P. Coelho, promova uma subscrição pública para adquirir armas (não pistolas de água) capazes de continuar a caçar gays na CMA. E que tal caçar também os autarcas que colocaram o negócio nas mão de privados a cobrar aos consumidores 100% mais do que em 2006 ? Mas resta uma dúvida: quem caça o Silvino que também esteve no negócio das águas?
Finalmente: parabéns ao FUNDAMENTAL por mais um aniversário.

; ;
FONTEAntónio José Rodrigues
COMPARTILHAR