O que me leva a escrever-vos hoje é uma mera reflexão acerca de tudo quanto se tem falado na comunicação social sobre os desentendimentos do presidente da Assembleia Municipal de Azambuja acerca de alegadas declarações ofensivas à sua pessoa, nomeadamente que lhe teriam chamado de “avarento” ou “forreta”, já nem sei bem…
Com toda a estima e consideração que António José Matos me merece, enquanto pessoa e enquanto político, alguma coisa não bate certo entre as percepções deste e as diversas afirmações efetivamente feitas nas reuniões da Assembleia Municipal.
Para que conste estive em todas reuniões da Assembleia Municipal e os meus ouvidos não ouviram a mesma coisa que os do presidente deste órgão municipal… É verdade que os meus ouvidos não ouvem muito bem, mas os meus olhos lêem lindamente e o meu cérebro funciona.
Tive a oportunidade de ouvir atentamente e ler as declarações proferidas pelo deputado municipal Manuel Couceiro e em parte alguma a palavra “avareza” é proferida… Em momento algum o deputado municipal Manuel Couceiro ou qualquer outro deputado da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra acusaram António José Matos de ser “avarento”, “forreta” ou outra coisa qualquer. Os deputados municipais da CDU também não o fizeram. E os do PS também não, até porque durante as reuniões da Assembleia Municipal raramente abrem a boca para dizer seja o que for, quanto mais para acusar António José Matos de ser o Mr. Scrooge da política local!…
Voltemos agora ao cerne da questão… Será que é um engano em relação ao significado da palavra? Será que o presidente da Assembleia Municipal não percebeu? Será que António José Matos na sua cadeira presidencial ouve aquilo que ninguém diz? (dizem-me que o poder muda as pessoas, desconheço se isso também se aplica às capacidades auditivas de quem preside…)
Afinal o que significa a palavra “avarento”? “Avarento” – que é ou que tem avareza (apego sórdido ao dinheiro para o acumular) sinónimo de avaro, forreta, sovina… (in dicionário Priberam da Língua Portuguesa). Bem, por aqui também não me parece existir explicação, já que nenhuma destas palavras foi proferida por ninguém nas reuniões da Assembleia Municipal a que assisti!
Se ninguém acusou o presidente da Assembleia Municipal de ser avarento, sovina, forreta, unha-de-fome, a única explicação para toda a polémica que o António José Matos provocou – com direito a comunicado à imprensa e tudo! – é a de que ele queria propagandear o destino das senhas de presença que recebe enquanto autarca. Arranjar desculpas para fazer público um acto que deveria ser privado é no mínimo estranho, quando sem fundamento, o que é efectivamente o caso.
Aproveito para vos dizer que tenho conhecimento de vários autarcas do nosso concelho que praticam este e outros donativos sem que disso façam alarde, como manda a boa educação e o recato próprio de quem faz o bem por convicção e escolhe as Instituições que quer ajudar sem fazer soar campainhas e sinos…
A solidariedade pratica-se no dia a dia, nos actos, nas posturas e na defesa dos interesses de quem precisa. Dar voz às instituições e colectividades faz-se quando se mostra em atitudes e em projectos que há alguém que os defende, alguém que pensa com visão de futuro qual os caminhos a trilhar na defesa das populações que representa (e como é o caso, pelos quais foi eleito).
Caro António José Matos, a nobreza do gesto é ensombrada quando dela se tentam retirar proveitos….
“…por essa razão, quando deres um donativo, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando deres uma esmola ou ajuda, não deixes tua mão esquerda saber o que faz a direita.” Mateus 6, 2-3
Boas acções praticam-se, não se anunciam
Opinião de Maria João Canilho



















