O acordo de Londres já não conta?

Opinião de António Franco

António Franco atira-se a Mariana Mortágua como gato a bofe...

Em fevereiro de 1953 cerca de 20 países, entre os quais a Grécia e a Espanha, concordaram em aliviar a divida pública da Alemanha federal em cerca de 60 por cento. Hoje esse facto é referido pela esquerda europeia, para justificar perdão similar da divida grega às entidades credoras. Muitas vezes a falta de conhecimento leva as pessoas a tirar conclusões precipitadas em relação a factos, que por desconhecimento ou má-fé invocam em proveito próprio. A divida Alemã é um desses factos. No fim da segunda guerra mundial, a Alemanha foi condenada a uma multa de 38 mil milhões de marcos por custos de guerra. Foi ainda condenada a ceder à Polónia todas as províncias a leste da fronteira delineada pelos rios Oder e Neisse, e cedeu à União Soviética o enclave de Koenigsberg na Prússia Oriental, que hoje se chama Kaliningrad. Ou seja, em boa verdade a divida alemã resultou não de um pedido financeiro a qualquer país ou entidade, mas de uma multa resultante do facto de ter perdido a guerra.
Na sequência da divisão alemã, resultaram 2 paises: A Republica Federal Alemã, com capital em Bona, de ideologia capitalista de mercado livre, e a Republica Democrática Alemã com capital em Berlim leste, e de ideologia socialista. Os primeiros lideres das novas Alemanhas foram Konrad Adenauer na RFA e Walter Ulbricht na RDA. Quando a questão das indeminizações se pôs em cima da mesa, Adenauer concordou. Pediu apenas uma coisa: que o pagamento fosse indexado a um eventual superavit das contas públicas, por uma razão: a Alemanha tinha que começar do zero. As grandes industrias tinham sido destruídas, e o reich mark tinha dado origem a uma nova moeda. Walter Ulbricht, por seu turno, disse que não pagava nada, uma espécie de Varoufakis com sotaque da saxónia, e argumentou que dado o facto da RDA não existir nos finais de 1945 não tinha que pagar nada. Os fascistas da RFA é que teriam que assumir a suposta dívida…
E assim foi. Em 1953, na conferência de Londres, os aliados resolveram perdoar 60 por cento da divida à RFA, porque acharam injusto o país ter que suportar a parte que deveria ter sido paga pela RDA. Já nessa altura dividas e esquerda não combinavam. Na conferência a Grécia abdicou da sua parte da divida, reconhecendo que a invasão do pais não tinha sido levada a cabo pela Alemanha mas sim pela Itália de Mussolini, limitando-se os Alemães a ajudar os italianos ao abrigo do “pacto de aço”, acordo feito entre a Alemanha e a Itália em 1939. No entanto Varoufakis não exige dinheiro à Itália, apenas à Alemanha…
Demagogia? Desconhecimento da História? Ou simplesmente má – fé? Por essa ordem de ideias, Portugal poderia exigir dinheiro à Espanha pelo domínio filipino, ou à Itália pela morte de Viriato às mãos do império romano. A América Latina exigiria dinheiro a Portugal e à Espanha, e a Espanha exigiria dinheiro aos países árabes pela ocupação da Andaluzia… E Africa exigiria dinheiro a toda a gente pela época colonial…
Faz algum sentido? Os gregos não podem exigir dinheiro para pagar a sua forma de vida. O salário mínimo na Grécia aumentou para 751 euros. A pergunta que faço é simples: acham justo um país em que o salário mínimo é de 505 euros, ter de ajudar outro cujo salário é substancialmente maior? Acham justo perdoarmos 1000 milhões de euros, quando em nome da honestidade e do bom nome estamos a antecipar pagamentos ao FMI?
Varoufakis é demagogo e mentiroso. Disse que tinha tudo resolvido com o FMI. Foi desmentido por Christine Lagarde, que afirmou nunca ter reunido com o Grego. Depois disse ter um plano B, que a china se tinha oferecido para emprestar dinheiro à Grécia. Hoje um ministro chinês veio dizer que a China poderá cooperar com a Grécia, leia-se “Porto do Pireu”, mas que não está disponível para emprestar dinheiro. Pouco a pouco a Grécia acorda para uma realidade trágica: não tem dinheiro, e devido a esta rapaziada “casual chic” que os governa, começa a não ter credibilidade. Hoje, Portugal pagou menos juros em divida a 10 anos, que os gregos a 3 meses…
Assim se vê a confiança que os mercados financeiros tem em Tsipras e companhia. Claro que para a esquerda portuguesa, isto se deve à subjugação portuguesa perante Bruxelas e Berlim…
Eu chamo-lhe apenas bom senso. Ou, no caso da esquerda, falta dele…

VIAAntónio Franco
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