O perigo que deu à Costa

Opinião de Nuno Cláudio

A Câmara está hoje entregue a uma equipa de gestão inexperiente em termos políticos, excessivamente encarcerada em gabinetes, onde é notória a ausência de uma figura com carisma político que devolva às populações do concelho a ideia de que há um líder que orienta a governação dos destinos do seu concelho - curiosamente, pese todos os defeitos que tinha, Álvaro Pedro pelo menos nesse particular era carismático e marcava presença, nem que fosse para coleccionar "alembrancinhas"

Sempre defendi a renovação regular das pessoas que se prestam ao exercício de cargos públicos, nomeadamente presidentes de câmara e vereadores, por todos os benefícios que dessa renovação advêm, concretamente ao nível das novas ideias e dos contributos mais alargados que de tal substituição possam resultar. Quando se tornou evidente que seria Pedro Folgado o candidato a presidente da Câmara de Alenquer pelo Partido Socialista, e perante a possibilidade do mesmo vir a vencer as eleições com maioria, desejei sinceramente que Pedro fosse capaz e se fizesse acompanhar de pessoas também elas capazes de “dar uma volta grande” a este concelho, que não poderia ser mais sacrificado, depois de três décadas e meia de descalabro protagonizados por uma gestão que positivamente isolou a edilidade dos munícipes, limitando-a a ser uma coutada de uma minoria que compunha o grupo de seguidores indefectíveis daquele regime ultrapassado, inimigo do interesse público generalizado. Rui Costa, vice-presidente de Pedro Folgado, é um caso sério de falta de capacidade técnica e sobretudo falta de preparação e conhecimentos dos procedimentos de governação de uma autarquia para exercer o cargo que ocupa. Não coloco em causa a vontade de Rui Costa de realizar, nem tão pouco me parece que o vereador pretenda, de forma deliberada, fazer as asneiras que tem feito. Mas a verdade é que as diz e que as faz, e não são tão ligeiras que possamos considerar as mesmas como resultado da sua inexperiência política. Para estar preparado para exercer um cargo desta natureza, um candidato terá antes de tudo de ter uma formação básica adequada ao nível dos procedimentos gerais considerados politicamente correctos. Ou seja, mesmo que não domine o pormenor do modo de procedimento inerente a um organismo municipal, a pessoa terá que ser portadora de princípios que lhe permitam a qualquer momento e em qualquer contexto optar pela decisão correcta no que aos caminhos a seguir diz respeito. É o que me parece que não sucede com Rui Costa. Demasiado sedento de protagonismo – garantiram-me, já mais do que uma vez, que o vereador deixa escapar amiúde em circulos restritos a vontade de vir a ser um dia presidente da câmara… – Rui Costa evidencia um défice de cultura democrática preocupante, bem expresso na forma a meu ver vergonhosa como foi capaz de expôr publicamente as crianças e as famílias carenciadas, prestando-se à fotografia para aparecer na imprensa local a apertar a mão às criancinhas, que desta forma vêem expostas publicamente (tal como as respectivas famílias) o seu “estatuto” de carenciados, para deleite do vereador, que pretende aparecer no quadro como o grande benfeitor da paróquia. É claramente o que se pode apelidar de fazer política à conta dos carenciados, quando estas mochilas e o material escolar em causa poderia muito bem ser entregue nas próprias escolas, sem esta tolice desmedida de levar a cabo uma cerimónia pública que apenas na Coreia do Norte e em mais duas ou três paragens mundanas bafientas que tais teriam alguma justificação de existir. Rui Costa não está, evidentemente, preparado para ser vereador, muito menos vice-presidente de uma autarquia. Acredito, de forma genuína, que tenha sido um excelente profissional na área do ensino, de onde veio em Outubro de 2013 com destino à câmara. Tenho boas referências nesse sentido, de pessoas acima de qualquer suspeita que me garantem que Rui Costa fazia um bom trabalho no Agrupamento de Escolas de Abrigada. Mas para exercer o cargo de vice-presidente de uma câmara municipal, também com toda a franqueza, não o considero minimamente preparado. Não conhece as regras nem os procedimentos, quer agir por conta própria e persegue de forma perigosa e preocupante um protagonismo que nada tem a ver com uma postura que defenda genuinamente o interesse público. Foi claramente um erro tremendo de casting, a provar que um profissional competente numa determinada área não tem necessariamente que ser competente no exercício de um cargo para o qual foi eleito pelo povo.

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VIANuno Cláudio
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