
Nos ultimos tempos, Portugal tem assistido à derrocada do seu sistema Bancário. Com efeito, desde o BPN, passando pelo BPP e pela recapitalização do BCP e do BPI aquando do programa de ajustamento, começámos a ter a noção da fragilidade do nosso sistema financeiro. Escapavam de qualquer suspeita de irregularidade, 2 instituições: a Caixa Geral de Depósitos, que enquanto banco público pode ser recapitalizado pelo estado a qualquer momento, e o BES – Banco Espírito Santo, que nos habituámos a ver como uma instituição séria e credível, chefiado por uma familia cuja idoneidade era inquestionável. Ricardo Espirito Santo transmitia uma imagem de um homem imensamente poderoso, mas ao mesmo tempo de uma honestidade acima de qualquer suspeita. O grupo Espirito Santo adquiriu uma reputação tal que lhe permitiu expandir-se com “sucesso” para as mais diversas áreas desde a hotelaria, através da cadeia de hóteis Tivoli, passando pelos seguros e pela saúde.
Todos nós ficámos incrédulos quando ouvimos na comunicação social a derrocada do grupo e sua subsequente divisão em bancos bons e maus. Um mito caiu. Afinal, o Espirito Santo era falível.
Razões da mais diversa ordem são agora apontadas. Um Banco funciona como uma espécie de “Jogo da Bolha” legalizado. Quando o pequeno depositante põe o seu dinheiro no banco, espera que o mesmo seja rentabilizado. Ou seja, espera que o banco o guarde e lhe pague dividendos, pelo facto de o confiar à instituição. Por outro lado, o Banco vai emprestar aquele dinheiro a outras pessoas ou empresas, consistindo a sua margem de lucro numa coisa que já todos ouvimos falar que se chama “spread”. O que à primeira vista parece simples, adquire contornos complicados quando o banco se expande para outras áreas, dado que a sua vocação inicial é adulterada. Aí normalmente surge o descalabro. Ricardo Salgado demonstrou ser um bom banqueiro, mas um péssimo gestor. A diversidade de negócios, alicerçada numa base muito volátil, levou o GES à bancarrota. Mas o pior legado que Ricardo Salgado deixa aos seus pares é o descrédito do nome Espirito Santo. Um nome que há 6 meses representava poder e honestidade representa hoje, aos olhos do cidadão comum, vigarice e corrupção. Nenhum investidor actualmente mete um cêntimo em negócios ligados à familia Espirito Santo.
Porventura as diversas áreas de negócio serão vendidas por “tuta e meia” a um qualquer grupo asiático, e Portugal perde um dos seus maiores grupos privados. Mas Ricardo Salgado perdeu o seu maior activo: o bom nome. Porque não tenhamos dúvidas de que em qualquer ramo de negócios ou mesmo a nivel de vida pessoal, o bom nome será sempre o único activo que temos obrigação de defender intransigentemente, sob pena de não passarmos de ídolos com pés de barro. Como afinal era o Grupo Espirito Santo.

















