Deficiente transmissão de testemunho

Opinião de Nuno Cláudio

Numa das últimas reuniões de câmara o vereador Nuno Coelho teve oportunidade de explicar com todo o detalhe o processo que envolveu a autarquia, a anterior direcção da Associação Desportiva do Carregado e a família Pinto Barreiros no que diz respeito ao protocolo que previa a devolução do actual terreno do campo de futebol a troco de um espaço correspondente no terreno da família, na quinta a sul da Urbanização da Barrada. Segundo Coelho, o processo estava muito bem encaminhado, e apenas estagnou quando a edilidade percebeu que teria que investir algum dinheiro na deslocalização das estruturas actuais do clube. Mesmo tendo conhecido um “embargo” forçado pelas carências financeiras da câmara, este não deixa de ser um dos assuntos mais importantes do quotidiano da gestão municipal no contexto do mandato anterior, razão pela qual estranhei – e de que maneira – a afirmação de Pedro Folgado, que no final da explanação de Nuno Coelho garantiu desconhecer os meandros de todo este assunto. A Associação Desportiva do Carregado é apenas a maior colectividade da freguesia e uma das mais representativas do concelho e da região, e ficar sem a posse do campo de futebol ou do terreno da sede são temas que extravasam claramente o domínio das direcções da Associação ou do falatório típico dos associados nas rodas de amigos. Estão em causa centenas de jovens que praticam desporto naquela colectividade, em todas as modalidades, porque a suceder o desastre de ficar sem o campo esse será o princípio do fim do Carregado enquanto agremiação desportiva. Um assunto desta importância deveria claramente ser do domínio do actual presidente da autarquia que, ainda por cima, foi Chefe de Gabinete do anterior líder do executivo e por essa razão, suponho, teria conhecimento aprofundado dos principais dossiers inerentes à governação do município. Aliás, desse mesmo facto se gabou Pedro Folgado, como forma de refutar a ideia de que não tinha nem experiência nem tão pouco conhecimentos suficientes que lhe permitissem agarrar a liderança da Câmara Municipal de Alenquer sem que a mesma governação entrasse em défice de rendimento devido ao desconhecimento político das matérias mais relevantes. Afinal vamos a ver e Folgado nem tão pouco sabia da existência deste princípio de protocolo, que envolveu Câmara, ADC e Pinto Barreiros em várias reuniões decorridas na sede da edilidade, com visitas ao terreno protagonizadas por toda a vereação. É, no mínimo, preocupante, porque pode muito bem ser o indício de que o mesmo se passará em relação a outras matérias de igual ou até de maior importância na vivência quotidiana dos alenquerenses. Quando Jorge Riso, sabendo que ia abdicar de ser candidato e escolhe com muita antecipação o seu sucessor, que ainda por cima é o seu Chefe de Gabinete, privando diariamente com o presidente, não transmite a Folgado o ponto da situação em relação a um dos temas mais prementes da vida do município, então das duas, uma: ou fez exactamente o mesmo com outras matérias de relevante importância, a ponto de podermos desconfiar que esta administração anda completamente aos papeis e não faz ideia em que patamar se encontra a generalidade dos temas importantes da governação municipal ou então, segunda hipótese, este foi caso único por se tratar da Associação Desportiva do Carregado, um tema de menor importância no conceito da anterior governação da autarquia. A verdade é que são demasiadas pessoas de diferentes sensibilidades políticas e sociais a queixarem-se da falta de vontade da Câmara em relação ao Carregado, tanto em relação ao Carregado-clube como ao Carregado-freguesia. Dá a sensação de que ficou numa franja alargada dos autarcas deste concelho uma escola muito bem implantada por um tal Álvaro Pedro, que em 35 anos apenas viu o Carregado como fonte de receitas provenientes das taxas da contrução desregrada e sem sentido e dos impostos pagos pelas empresas sediadas na zona industrial da freguesia. Agora, sensibilidade para aplicar esse dinheiro público na qualidade de vida e na resolução dos problemas da freguesia, isso é pedir em demasia aos alunos desta escola de desgraceira autárquica. Estou aqui, firme e hirto, para ver se Pedro Folgado foge à triste banalidade dos seus antecessores. Para já, e um ano decorrido após a tomada de posse, pouco vejo. Já ouvir, oiço muitas queixas. Muitas mesmo. Curiosamente mais até do que ouvia num passado recente…

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VIANuno Cláudio
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