Maquiavélicos ou inimputáveis?

Opinião de António José Matos

O senhor enche a boca e mete-se em bicos de pés quando diz que Portugal tem reservas financeiras para um ano. Ainda não percebeu que esse dinheiro foi roubado a quase todos os portugueses?

No dia 25 de Abril de 2014 a democracia portuguesa fez 40 anos. Já é uma idade bastante razoável, provavelmente já deveria ser uma democracia esclarecida, adulta e consciente. No entanto, a troika, este governo, outros governos e agentes políticos empurraram Portugal e os portugueses para um regresso ao passado, um verdadeiro retrocesso civilizacional.
Deveríamos ter enfatizado e festejado todas as conquistas permitidas e proporcionadas pelo 25 de Abril. Como por exemplo, o Serviço Nacional de Saúde, que deveria tratar todos de forma eficiente e capaz, independentemente da sua capacidade financeira ou estatuto social. Também a educação deveria ser referenciada como uma grande conquista do Portugal Democrático, mas mais uma vez são os que mais podem que ficam melhor preparados porque o Estado investe em colégios privados em detrimento dos públicos, estando uma vez mais “o negócio” e alguns interesses pessoais a sobreporem-se ao bem comum. Assim como tantas outras coisas que já não são o que eram ou o que deveriam ser…
Ao nível local, a Coligação pelo Futuro da Nossa Terra, na ânsia de se fazer notar e dar nas vistas, como é seu apanágio, quiseram marcar as comemorações do 25 de Abril, mas como não podiam falar das conquistas de Abril, porque as mesmas vêm de derrota em derrota, decidiram assinalar o 25 de Abril homenageando todos os antigos presidentes de Câmara que exerceram funções em Azambuja, incluindo o actual que, na sessão de Câmara onde a proposta da referida coligação foi aprovada, disse que não aceitava que o seu nome lá constasse; não queria essa homenagem, mas votava favoravelmente os outros nomes. Foi uma forma de comemorar os quarenta anos do poder democrático autárquico, mas outras formas poderiam ter havido se não estivessem constantemente a ser destruídas.
Em Azambuja, para a Coligação, o que houve de mais marcante neste tempo democrático foram os diferentes presidentes de Câmara. Não deixa de ser algo irónico, ou então há outro alcance ainda não visível. Ao mesmo tempo que levavam a proposta de homenagem ao actual e anteriores presidentes de Câmara do Município de Azambuja, em jeito de balanço, (palavras deles, Coligação) publicavam um artigo neste mesmo jornal a arrasar este Presidente de Câmara e já os ouvi falar de outros executivos de forma semelhante…
Mais recentemente um senhor vereador dessa Coligação, numa Assembleia Municipal, inscreveu-se para intervir no período anterior à ordem do dia destinado ao público, para mais uma vez arrasar a governação do Município. Foi repetir o que tinha dito nesse mesmo dia na sessão de Câmara. Foi mais uma exibiçãozita… Apesar de tudo, quem pensa assim e tem este tipo de comportamento não se coibiu de propôr as referidas homenagens. A partir de agora não terão grande legitimidade para falar mal, nem do actual nem de anteriores executivos, pois correm sérios riscos de serem considerados (poderia dizer tontinhos) mas digo inimputáveis…
Voltando ao 25 de Abril, não posso deixar de fazer referência a um dos mais marcantes heróis de Abril, Salgueiro Maia, um exemplo de coragem e abnegação para todos nós. Recusou honrarias, benefícios, promoções, homenagens ou lugares de destaque. Fez o que tinha de fazer por ser essa a sua missão.
Senhor Primeiro Ministro, ainda não percebeu que a sua missão, a missão de quem nos governa, é a de semear a esperança? Mas, em vez disso, está a tirar-nos o desejo, a força e a vontade de fazer algo por este País.
O senhor enche a boca e mete-se em bicos de pés quando diz que Portugal tem reservas financeiras para um ano. Ainda não percebeu que esse dinheiro foi roubado a quase todos os portugueses? Qual Salazar, os cofres cheios de ouro e os portugueses a passar fome e a atravessar fronteiras com a mala de cartão. Senhor Primeiro Ministro, o senhor parece andar perdido. Mui respeitosamente lhe indico o caminho: vá para a P… Vá para Paris…

VIAAntónio José Matos
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