

Estou ligado à política, mas de uma forma muito ligeira. Verdadeiramente estou ligado ao meu trabalho, o qual me ocupa muitas horas, deixando-me pouco tempo para outras coisas, e daí haver a necessidade de ser uma pessoa pragmática. Tenho o hábito de reduzir ao essencial as várias situações do dia-a-dia, fazendo a avaliação dos aspectos úteis e necessários, deixando de parte especulações desnecessárias. Fico estarrecido quando vejo excentricidades rebuscadas, enfatizadas de algum delírio, tornando-se as mesmas obsoletas e inúteis, pior ainda quando são acompanhadas de um sentimento falso da realidade.
Uns, invadidos e armados de conceitos históricos, acredito que sejam muito interessantes e válidos; querendo trazer, de forma algo reduzida, uma espécie de pós modernismo, quebrando assim algumas ligações entre as pessoas e a coisa em causa (Campo da Feira), tentando fazer imperar o que é irrepresentável e pouco entendível, agarrando o que já existia para tentar formar uma realidade diferente; os outros, os do contra, igualmente invadidos e armados de conceitos, mais simples e tradicionais, julgando quase tudo saber, trazendo como argumentos ideias de um passado que alguns não têm e de realidades que por vezes desconhecem. Iniciaram uma batalha virtual.
Com a ideia, nem sempre verdadeira, de que é modificando ou fazendo de novo que se mostra trabalho, a Câmara de Azambuja aprovou uma nova denominação para o desde sempre conhecido “Campo da Feira”. Só o soube após a aprovação camarária, mas também deve ser referido que essa nova denominação foi proposta pelo anterior executivo da Junta de Freguesia de Azambuja e, ainda que não fosse necessário, a mesma foi à Assembleia de Freguesia de Azambuja e aprovada por todos os partidos lá representados, que são todos os que actualmente estão representados também na Câmara e Assembleia Municipal.
Uns não deveriam ter mexido no que estava bem…No entanto outros fazerem disto uma autêntica batalha, é ridículo. Devemo-nos preocupar com as coisas verdadeiramente importantes.
Na altura em que se começou a gerar esta polémica, vi na televisão que mais cinquenta licenciados, a maioria enfermeiros, tiveram de emigrar, não por opção mas por necessidade. Devemo-nos preocupar, isso sim, com o facto de muitos milhares de homens e mulheres deixarem de constar do número de desempregados mas continuarem sem trabalho e sem nenhuma fonte de rendimento. Devemo-nos preocupar bastante com o facto de muitas centenas de pessoas do nosso Concelho precisarem do apoio das IPSS, da Câmara e do Estado para poderem ter comida, pois as suas fontes de rendimento são nenhumas ou quase nenhumas. Quando há situações tão importantes para debater/resolver, andamos a “brincar”, a queimar tempo e dinheiro em assuntos menores.
Como bem sabemos e conhecemos, há pessoas que se alimentam destas coisinhas pequeninas, actuaram sobre isto como se de um assunto de Estado se tratasse. Faz-me lembrar uma frase de Pacheco Pereira, comentador da Quadratura do Círculo, “Quem nasce para Sardanisca nunca chegará a Jacaré.”
Como é que este País há-de evoluir?



















