

Há algum tempo fui com os meus filhos ao cinema, para variar fomos ver o filme que democraticamente eles impuseram, o filme chamava-se Elysium. Esse filme retratava um futuro que ninguém de bom senso quererá, mas que infelizmente já está bem presente no mundo de hoje. Havia um planeta Terra, super povoado, com imenso desemprego, doenças, uma total ausência de direitos e um povo totalmente vigiado pelo Poder instituído, qual mundo de hoje…Num satélite artificial, viviam os ricos e poderosos, com criados para tudo, máquinas que inclusive não os deixavam envelhecer ou adoecer, longe da miséria que grassava no planeta Terra e em total segurança. Havia alguns “fora da lei” que a troco de dinheiro tentavam levar algumas pessoas que viviam no Planeta Terra para esse satélite, na procura de uma vida melhor ou da cura para as suas doenças ou dos seus filhos. Muitas dessas naves que ilegalmente atravessavam o espaço tinham o mesmo destino de muitos dos barcos que trazem emigrantes ilegais do Norte de Africa, a morte, porque se despenhavam ou eram abatidas pela segurança do Satélite artificial onde tudo era perfeito e existia em fartura. Este filme é uma crítica ao nosso mundo e aos caminhos para onde os poderosos o têm vindo a dirigir, a coberto desta fantasia chamada democracia, que cada vez mais é um veículo para o desenvolvimento e enraizamento do capitalismo selvagem e das várias oligarquias que metem o ser humano ao serviço do dinheiro ao invés de ser o dinheiro ao serviço das pessoas. Em Portugal também assistimos a um Elysium, existem os que tudo têm, apenas não conseguem comprar a vida eterna, mas não é por falta de dinheiro… É um perfeito ultraje haver pessoas com reformas de 10.000 euros e mais e outros a ganhar 270 euros, há alguma democracia nisto? democracia que a seguir a pontos finais o computador teima em escrever com letra grande, mas eu sou mais teimoso e escrevê-la-ei com letra pequena, pois democracia não é, não pode ser apenas o exercício do direito de voto. Pessoas como “Cavacos, Soares e outros que tais…” alguma vez descontaram para as benesses que têm? Para que cada um destes “burgueses” receba este acumulado de reformas, para as quais só contribuíram em parte, são necessários os descontos de mais de 170 pessoas a ganhar o ordenado mínimo nacional para pagar as suas faustosas reformas, isto é democracia? Para o ano temos eleições legislativas, vamos assistir a um folclore imenso, onde se discutirá quem pior fez a Portugal e aos Portugueses, os partidos irão digladiar-se como se de clubes se tratasse; os direitos e ordenados, aos fracos vão prometer para após as eleições tirar e aos poderosos continuar a venerar. Será que algum partido terá a coragem de meter um teto para as reformas? Um teto e uma base. Não é aceitável que uma pessoa seja obrigada a viver, perdão, a conseguir não morrer à fome e sucumbir às doenças com apenas 270 euros mensais. Temos que, de uma vez por todas, mostrar às pessoas que o mundo não é, não pode ser um Elysium, onde alguns têm tudo e outros andam à míngua. Temos de ter coragem para mexer nos poderes instalados e fazer de Portugal um país onde o Justo Equilíbrio não sejam apenas duas palavras, mas uma vivência do dia a dia e uma preocupação de quem nos governa.



















