Dos pobres e dos bipolares

Haverá um PS em modo oposição, em contraste com um PS em modo de governo? Um PS que na oposição defende, propõe e apregoa políticas de esquerda, mas quando no Governo aplica políticas de direita?

Joaquim Castro

Dois terços das pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza, residem em países ricos em recursos extractivos. Contudo, raramente beneficiam da riqueza dos recursos dos seus países. Desde sempre, recursos e conflito estiveram sempre interligados intrinsecamente. Ainda hoje, a extracção de recursos continua a provocar violência extrema e guerra. Aqueles países que estão fortemente dependentes das exportações dos seus recursos naturais, têm 20 por cento mais probabilidade de se confrontarem com uma guerra civil, do que os países não dependentes. Estima-se que, entre 1965 e 1999, nas mais violentas guerras civis, quase todas foram motivadas pela ganância de controlar os recursos naturais. Podemos definir ‘guerras de recursos’, como um «conflito armado destinado a controlar recursos naturais valiosos». Alguns falam da «maldição dos recursos». Existe um paradoxo quando se discute as maldições dos recursos e África. O paradoxo é que África – com a sua abundância de recursos – continua pobre, dado que os proventos da extracção de petróleo e minerais, não são convenientemente geridos pelos governos, enquanto os lucros provenientes de recursos, quando devidamente administrados, favorecem o crescimento económico e facilitam a diminuição da pobreza. Pode ser definido como o «paradoxo da abundância», ou a maldição do recurso: os países ricos em recursos naturais têm menos graus de desenvolvimento e maiores índices de pobreza extrema. A exploração dos recursos alimenta a guerra, e a guerra facilita a continuação da exploração. África sangra por causa da sua abundante riqueza.
Um dos mais controversos recursos é o petróleo. Calcula-se que África contribua com cerca de 12 por cento da produção global de petróleo. Em África, a maior parte do petróleo é extraído no Golfo da Guiné, em países como os Camarões, Guiné Equatorial e Nigéria, bem como na região do norte de África. É significativo notar que Angola, Camarões, Chade, República Democrática do Congo (RDC), Nigéria e Sudão – todos eles grandes produtores petrolíferos – cada um deles experimentou conflitos armados no passado recente. Na RDC, um dos países mais ricos em recursos naturais do mundo, meia dúzia de países têm tropas para lá deslocadas, e inúmeros grupos de rebeldes (insurgentes) têm combatido pelo controlo dos ricos depósitos de ouro, diamantes, madeiras, cobre e valiosas jazidas de cobalto e coltan, no que já foi referido como a “Primeira Grande Guerra de África”. África é justamente considerada um continente rico em petróleo. Contudo, em África governos fracos, gestão ruinosa, conflitos continuados, pobreza e lideranças corruptas são mais vezes associadas a petróleo do que a abundância. Os diamantes são particularmente susceptíves de serem envolvidos em conflitos, dado poderem ser facilmente contrabandeados através das notoriamente desprotegidas fronteiras africanas. Por outro lado os diamantes ilegais, ou «de sangue» muitas vezes acabam misturados com os legais para fins de comercialização. Estes diamantes são muitas das vezes utilizados para financiar ou apoiar governos ditatoriais. A água, um recurso e um bem muito procurado, também ela tem o potencial para se tornar uma causa de conflito, dada a sua importância na vida do dia-a-dia. A competição pelos recursos aquíferos tende a envolver uma série de estados vizinhos, dado os rios muitas vezes correm por múltiplos países. Nesta competição, os estados muitas vezes monopolizam a água nas suas zonas férteis e controlam o fluxo da água para os outros países. Ao fazerem isto, estes monopólios servem para alimentar a tensão entre estados competidores. Os países onde estas fontes de água têm a sua origem, tendem a tentar ganhar o maior controlo sobre a água, como acontece ao longo do Nilo. A guerra civil de Angola: embora não tenha sido ‘causa directa’ do conflito em Angola (1975-2002), a ganância motivada pelos recursos e a corrupção provaram ser poderoso motor propulsor para a sua continuação. A corrupção, durante a guerra civil era desenfreada, com governantes e lideres dos rebeldes frequentemente a se locupletarem com os lucros das exportações do petróleo e dos diamantes angolanos. Escusado será dizer que as populações locais nunca beneficiaram destes rendimentos e, ao invés, sofreram em miséria e desespero, enquanto enfrentaram a deslocação de quatro milhões de pessoas. Tanto o petróleo, como os diamantes e as ricas madeiras foram utilizados para a compra ilegal de armamento para os grupos rebeldes, às custas da população, e o mesmo se diga do governo quanto à gestão das empresas petrolíferas e de exploração diamantífera estatais, cujos lucros das exportações foram canalizados para contas bancárias no estrangeiro. Foi o saque generalizado de Angola que alimentou a violenta e cruel guerra civil.
Os mais interessados ou atentos à vida, estarão recordados de um rapaz, comuna com muito mau feitio, que escreveu um pequeno livro sobre “A doença infantil do Comunismo”. Mas isso foi há muito tempo e o que preocupava o rapaz, era o «esquerdismo». Anos mais tarde, nos furores do pós 25 de Abril, como se o ‘materialismo histórico e dialético’ não fosse de si suficientemente tramado, ainda apareceram uns camaradinhas (a quem o tal livro assentava que nem uma luva) a impingir o ‘materialismo histérico e diabólico’, para grande gáudio de muito boa gente. Agora, em plena conjuntura merdelenta em que se vive, estou a ver que teremos de nos debruçar sobre uma nova doença que anda por aí, ‘eles andem por aí’, diria o Securas. Esta doença atacou em força, com características de se tornar viral e endémica e outros palavrões mais ou menos científicos que possam dar ideia da perigosidade da coisa, isto é se não nos pomos a fancos, está tudo fecundado! Ainda por cima, como se não bastasse a desgraça de estarmos a ser massacrados pela coligação esquizofrénica e paranoica do PSD-CDS, a porca (versão soft) da doença foi logo dar no chamado ‘líder’ da oposição, o que acho que é muita pindériquice, pois aquilo pouco tem de líder e nada tem de oposição, pelo menos que se veja ou sinta. Está de ver que quem está na berlinda é o Partido Socialista (PS), acerca do qual se poderia desenvolver a tese da “Doença Bipolar do PS”. Nem mais! Haverá um PS em modo oposição, em contraste com um PS em modo de governo? Um PS que na oposição defende, propõe e apregoa políticas de esquerda, mas quando no Governo aplica políticas de direita? Não sei por aí, mas aqui nos Açores, no cu de Judas da República, a coisa está a descambar para a direita. Na Assembleia a República (AR) o tal de líder da oposição (PS) na discussão do Orçamento do Estado (OE), propôs e defendeu o «aumento do salário mínimo» bem como o «aumento das pensões inferiores ao salário mínimo». Seguem-se as palmas e os gritos de boa, vivó PS…Claro que os “malandros” da maioria chumbaram as propostas. Cabrões! Aqui no tal cu de Judas, em que, com maioria absoluta, o PS é Governo, na Assembleia Legislativa Regional dos Açores (ALRA), o Bloco de Esquerda (BE) candidamente propôs o «aumento do salário mínimo regional em 10 euros mensais» e o «aumento das pensões inferiores ao salário mínimo em 15 euros mensais». Palmas e vivas à oposição! Tal como aconteceu na AR, os malandros da maioria chumbaram as propostas. Quem são estes malandros, quem são? O PS! Entendam-se de uma vez por todas. Oh Seguro, como é? Porreirismo Nacional na AR e Cabronismo Regional na ALRA? Assim, a bota não dá com a perdigota. É o mesmo PS? O PS é só um? Ou será que o Partido Socialista é Bipolar?

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VIAJoaquim Castro
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