Hoje desloquei-me a um estabelecimento e deparei-me com um balcão por momentos abandonado. Como estava à espera que aparecesse alguém para me atender, tive tempo para reparar numa folha A4 que pedia colaboradores para trabalhar a tempo inteiro naquela loja. Passado um bom bocado lá apareceu uma senhora meio afobada, justificando o atraso com o facto de ter ido comprar o almoço. “Tenho que comprar para comer aqui na loja, pois não consigo arranjar empregados. Está aqui o anúncio, mas ninguém vem, e as poucas que vieram dizem logo que preferem ficar em casa porque ganham mais do subsídio de desemprego…” Ora toma. Foi nisto que este maravilhoso estado social transformou o país, que não há muito tempo tinha uma génese de gente trabalhadora, com vontade de lutar, de empreender, de amealhar dinheiro e de fazer pela vida. Hoje em dia as pessoas pura e simplesmente não têm vontade de fazer coisa alguma, não vêm sequer vantagens de ter tal vontade e pouco ou nada sabem ou querem fazer para além daquilo que convencionaram saber porque supostamente estudaram. Escudam-se no facto de terem estudado qualquer coisa para dali não sairem a não ser para trabalhar naquela determinada área, como se o mundo tivesse que dar uma volta de 360 graus para se adaptar à vida que eles convencionaram ter. Consideram que o estado tem obrigação de os sustentar e desfilam queixume atrás de quaixume quando lhes cortam subsídios, porque têm pavor ao trabalho. Não querem sequer ouvir falar nem em cafés, nem em oficinas, nem em balcões disto ou daquilo. Limpezas abominam; dizem, ou pensam, que são finos(as) em demasia para tais trabalhos… enquanto isso, vamos aos Centros de Emprego e são incontáveis as listas de empresas que procuram colaboradores nas mais diversas áreas e não os encontram. Ouvi falar de uma no norte do país que só à sua conta precisava de cerca de 1700 pessoas. Já para não falar de inúmeros estabelecimentos comerciais que vou vendo por aí com o tal anúncio em formato A4 a pedir colaboradores. Quando pergunto sobre as razões de não aparecer alguém, dizem-me invariavelmente a mesma coisa: preferem ficar em casa a receber do subsídio, não podem começar agora porque daqui a um mês entram de férias, não podem trabalhar da parte da manhã ou no periodo da tarde, têm que sair antes das 5 horas, fins de semana nem pensar… Enquanto houver esta mama dos subsídios de desemprego, poucos serão os que querem outra coisa que ficar em casa ou nos cafés entregues à boa vida, sem pretender mexer uma palha. Como diria Joaquim Ramos, na entrevista publicada nesta edição, sempre vivemos à mama de qualquer coisa, e tais hábitos seculares são difíceis de erradicar, mas pelo menos noutros tempos esse maldito vício era exclusivo de uma certa élite, porque o povo estava habituado a lutar, a trabalhar, a amealhar; passavam valores aos descendentes, tinham alguma honra. Hoje em dia deparamo-nos com esta atrofiante dependência de tudo quanto é estado. Se dependesse de mim, a solução era muito fácil e eficaz: subsídios: praticamente reduzidos a zero! Quanto muito três meses de subsídio de desemprego, condicionados ao facto de que qualquer recusa implicaria a perda imediata do mesmo, independentemente do valor do ordenado entretanto recusado. Os meus avós criaram em conjunto mais de uma dezena de filhos e só ganhavam os dias que trabalhavam. Se pretendiam regalias extras, tinham que amealhar enquanto havia trabalho; tinham que estimar o trabalho que arranjavam, e tinham que se agarrar à terra e à criação de animais para garantir os necessários complementos de forma a poderem sobreviver, porque não havia cá esta mama do estado social. Já as actuais gerações não fazem sequer ideia desse contexto de compromisso com a ambição e a organização familiares. E como sou adepto de grandes remédios para males profundos, reforço a linha de pensamento que deixei já no decorrer deste artigo: subsídios: zero! Corte total e radical. A ver se não diminuia o desemprego e consequentemente as rendas do estado que era um instante.
Nota muito importante: aos 43 anos de vida nunca recebi um cêntimo que fosse de qualquer subsídio, nem tão pouco de férias ou de Natal, nem eu nem o jornal de que sou proprietário. Nem sequer um único dia de baixa. Nada de nada. Não recebi nem pretendo receber, por pura opção de vida.
A praga chamada Estado Social
Opinião de Nuno Cláudio
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