
O negócio que ajudou um dos países mais pobres do mundo a angariar 850 milhões de US dólares, e investidores de títulos com juros três vezes superiores aos do Tesouro dos E.U.A., está a levantar suspeitas de que algum deste dinheiro não terá o destino que os investidores esperavam. Há alguns meses atrás, o Crédit Suisse Group e a VTB Cpital, financiaram a aquisição de uma frota de “atuneiros” para Moçambique. Posteriormente lotearam a dívida em títulos para investidores estrangeiros. Sucede que, afinal, a «frota» inclui também navios patrulha, de acordo com nota do ministério francês de comércio externo. O Crédit Suisse é peremptório em afirmar que não financiou a compra de navios de guerra. Marco Ruijer, que ajuda na supervisão de cerca de $80 mil milhões, em títulos de mercados-emergentes na ING Investment Group em Haia, e que comprou uma “fatia” da dívida ao VTB Capital, porque o investimento prometia elevados níveis de retorno, afirmou que «os documentos mencionam barcos de pesca e alguns custos de treino e formação», sendo que os títulos eram apoiadas pelo país africano que está, actualmente, a desenvolver a exploração de depósitos de carvão e gás. A estreia de Moçambique nos mercados internacionais de dívida externa, envolveram a criação, pelo governo, da “Empresa Moçambicana de Atum” (EMATUM), ou “Mozambican Tuna”, em Agosto. A 27 de Setembro, a EMATUM obtinha empréstimos do Credit Suisse e da VTB Capital (baseada em Moscovo), para um empréstimo conjunto de $850 milhões, o que corresponde a cerca de 6 por cento de toda a riqueza produzida pelo país no ano anterior. O Credit Suisse «fatiou» os empréstimos em ‘pedaços’ menores e colocou-os no mercado de investimentos para angariação de fundos para «infraestruturas de pesca», de acordo com as brochuras. A Mozambican Tuna, denominada EMATUM na documentação dos empréstimos, pediu emprestados $500 milhões ao Credit Suisse e $350 milhões ao VTB Capital, sem se terem encontrado com os gestores do financiamento, nem terem divulgado, antes da venda, os nomes dos directores da empresa, já que não havia qualquer obrigação legal para o fazer. A Moody’s classificou os títulos de participação no empréstimo como B1. Tanto o tomador do empréstimo, como os construtores dos navios garantiram ao Credit Suise que «nas embarcações a serem construídas ao abrigo do contrato da EMATUM, não existem armas nem sistemas de combate de qualquer espécie». O porta-voz do ministério francês do comércio externo disse que a empresa moçambicana estava a pagar $200 milhões por 24 embarcações de pesca do atum e 6 barcos patrulha a estaleiros em Cherbourg da ‘Constructions Mécaniques de Normandie’, também conhecida como CMN. Por sua vez, Filipe Nhussi, ministro moçambicano da defesa e actual candidato presidencial da Frelimo, nas eleições a terem lugar dia 15 do corrente, assegurou que os barcos patrulha seriam operados por uma empresa de segurança privada.
O primeiro dos 3 cascos dos novos “barcos patrulha” “Ocean Eagle 32” deixou as instalações dos estaleiros da “H2X” em La Ciotat a 8 de Setembro, seguindo no navio cargueiro “Spirit” para os estaleiros da CMN em Cherbourg, onde chegou a 12 de Setembro. Os outros dois patrulhas estão a ser construídos, prevendo-se que um deles seja retirado do molde esta semana e o terceiro em meados de Janeiro de 2015. O “Ocean Eagle 32” é um inovador “trimarã” concebido para operar em águas pouco profundas. Este modelo vai atingir uma velocidade máxima de 30 nós, com um raio de acção de 3 mil milhas náuticas à velocidade de 20 nós. Terá uma tripulação de 7 elementos, podendo ainda transportar mais 8 militares de forças especiais. Possui uma pequena plataforma para acomodar “drones” (veículos aéreos não tripulados). As opções de armamento constam de canhão de 20 ou de 30 mm por cima da ponte de comando e duas metralhadoras de 12.7 mm na popa. Além destas três embarcações, Moçambique contratou ainda a construção de 3 interceptores HSI 32, capazes de atingir velocidades na ordem dos 45 nós, e com capacidade para efectuar patrulhas durante 3 dias, com um raio de 800 milhas náuticas. Como armamento base vem equipado com um canhão de 20 mm operado remotamente e duas metralhadoras de 12.7 mm montadas em torre giratória de 360º. A EMATUM tem como accionistas, com 34 por cento o IGEPE (Instituto de Gestão das Participações do Estado), a EMOPESCA (Empresa Moçambicana de Pescas) e o GIPS (Gestão de Investimentos, Participações e Serviços), empresa fundada em 2013 e que tem como único acionista os Serviços Sociais do SISE (Serviço de Informações e Segurança do Estado).
Se fosse ao poker, seria o momento exacto para dizer «passo». Agora, quando está em jogo a vida das pessoas, a cidadania, os direitos, liberdades e garantias, dizer “passo”, não é poker, é roleta russa! É como nos sentimos neste país à beira mar espatifado. Há coisas que não há como entender! Bem pedi que me explicassem, como se eu tivesse quatro aninhos, mas puto! Há um «acordo» entre nós Povo e o Estado que devia funcionar assim, eu entrego ao Estado uma percentagem dos meus rendimentos e, em contrapartida, entre outros serviços, o Estado garante-me um SNS (Serviço Nacional de Saúde) eficiente, uma Justiça célere, confiável e eficaz, e um Ensino Público de qualidade. Mas o Estado, pela mão do governo anda a borregar, o SNS é o que se sabe, a Justiça está um caos, totalmente desacreditada com as reformas macacas e milhões de processos que estão, literalmente, nas nuvens, e a Escola Pública afundou neste atoleiro de incompetência. Primeiro há mais professores que escolas, ficando milhares de docentes na bicha do desemprego, dias depois há professores a menos e sobram escolas, daí que suceda que um professor seja colocado em 70 escolas diferentes. Mas não fica por aqui. Se tudo correr bem, a tal de “educação” vai ficar num molho de brócolos. Para grande espanto meu vejo nos jornais que o bébé chorão já arranjou um tacho. Tózé Seguro, pasmem gentes, aquela coisa que nos anos que “liderou” o PS e sentou o cú no Parlamento, e nunca pariu uma ideia de jeito, vai para professor universitário. Sinceramente, espero e rezo a todos os santos e similares, que seja numa universidade privada. Espero vivamente que o ensino superior público seja poupado a este vexame. Qual a sua razão de ciência para ensinar o que quer que seja? Terá conseguido o seu grau académico de Professor Doutor por equivalência, à Relvas? Mais falta faria o Relvas na universidade para ensinar a miudagem a serem malandros vivaços e fura-vidas, com razão de ciência, já que o Tózé nem para malandro vivaço tem curriculum. E eu devo ficar calmo e tranquilo, naquela beatitude de saber que os meus impostos têm o retorno acordado com o Estado. Daí que me veio à lembrança o professor Sousa Franco que, numa aula de Finanças na Faculdade de Direito, às tantas disse que «às vezes ocorrem situações em que não pagar impostos é um acto de legítima defesa». Na altura em que mandar esta crónica para o jornal, já o Orçamento de Estado – 2015, será de domínio público. Mas que dali não vem coisa boa, não vem não! Vamos ver se desta o PS vota contra o O.E.. Apetece dizer à Maria das finanças, ‘já que me estás a por a mão na cueca, dá-me um beijinho que eu mereço’.
Em Fevereiro de 1968, o exército norte vietnamita e o Viet Cong, lançaram uma ofensiva generalizada no Vietnam do sul, durante o Tet, o Ano Novo vietnamita. De meados de 1966 em diante, os norte- vietnamitas viram-se debaixo da crescente pressão por parte das forças americanas e sul-vietnamitas. Estavam longe de serem derrotados, mas estavam a enfraquecer e a perspectiva de uma vitória estava a desvanecer. Os norte-vietnamitas decidiram reverter o curso da guerra, militar e politicamente, agrupando todos os efectivos disponíveis, retendo apenas reservas limitadas e iniciando uma ofensiva através do Vietnam do Sul. O ataque tinha três objectivos estratégicos. Primeiro, o Vietnam do Norte queria despoletar um levantamento generalizado contra os americanos e contra o governo sul-vietnamita. Segundo, queriam elevar a insurgência ao nível seguinte, ao conquistar e dominar parcelas significativas de território, estabelecendo “zonas libertadas”, e resistir aos contra-ataques. Terceiro, pretendiam destabilizar psicologicamente o inimigo, provando que eram totalmente falsos os relatórios de inteligência que indicavam que eles estavam a enfraquecer significativamente. Pretendiam igualmente exponenciar o número de baixas fatais entre as forças americanas de uma forma sem precedentes, já que a «métrica» americana na guerra era a contagem de corpos. Aumentando dramaticamente a contagem de corpos, iria, consequentemente, aumentar a crise de confiança, não só no público americano, como na comunidade militar e de inteligência. Do ponto de vista estritamente militar, a ofensiva foi um fracasso. A estrutura militar norte-vietnamita estava debilitada por causa das suas perdas. Após tomarem Hue e outras localidades, não conseguiram mantê-las. Mas, psicológica e militarmente atingiram os seus objectivos, levantando suspeitas acerca da credibilidade dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, criando uma crise política interna nos Estados Unidos. A utilização de uma ofensiva generalizada para reverter o declínio militar não é exclusivo do Tet. Os alemães fizeram o mesmo aquando da sua ofensiva em 1944, na batalha das Ardenas. Ainda que tivessem um intuito militar, o seu intuito psicológico era por demais importante. Antes da batalha, os aliados pensavam que os alemães estavam liquidados. Apesar de estarem, os alemães tinham de demonstrar que ainda tinham poderio, pelo que lançaram todas as suas reservas numa batalha para quebrar o ‘espírito’ aliado. Ao ser lançada num momento em que se julga que não o pode ser, a ofensiva generalizada é uma arma poderosa. Uma tal ofensiva está agora em curso no Iraque. Se recuarmos um pouco, vemos em curso uma larga ofensiva dos jihadistas sunnis numa diversidade de países. No Afeganistão, uma massiva ofensiva no verão em partes do território até então consideradas seguras. A sul, os Taliban Paquistaneses lançaram uma vasta ofensiva que desencadeou uma contra-ofensiva pelo Paquistão. Na Síria, enquanto o Estado Islâmico não surgiu, ela também não diminuiu. No sul da Jordânia ocorrem confrontos entre forças jihadistas e governamentais. Nos territórios da Palestina, o Hamas anunciou e lançou uma intifada. A ocidente, o Egipto debate-se com terrorismo, enquanto na Líbia os jihadistas se têm afirmado de várias maneiras. Tal como os vietnamitas e os alemães, os jihadistas têm, de uma forma geral, estado na defensiva e, em muitos casos foram considerados ‘arrumados’. Diferem dos vietnamitas e dos alemães no sentido de que não constituem uma força única. Subsiste, contudo, a dúvida sobre se terá, ou não, havido uma coordenação entre estas ofensivas. Depois eu conto mais, já que estou num nervoso miudinho à espera do O.E./2015 e do resultado das presidenciais em Moçambique.
Hasta sempre povo e Keep Calm!

















