
O valor da dívida da Câmara de Azambuja, incluindo a EMIA, baixou. Disso deu nota alguma comunicação social. E o próprio presidente da Câmara Luís de Sousa mostrou-se satisfeito pela redução da dívida, como se fosse ele o grande responsável por essa redução…
A dívida baixou por duas razões principais. A primeira: A Câmara de Azambuja está proibida de fazer novos empréstimos bancários. Está proibida porque ultrapassou os limites legais ao endividamento municipal. Ora, como não pode fazer novos empréstimos, a dívida não aumenta. É simples e lógico. A segunda razão: o Governo através da chamada “Lei dos Compromissos” obrigou as câmaras municipais a só fazerem compras com “dinheiro na mão”. E com esta obrigação, a Câmara de Azambuja (como todas as outras), começou a ver a dívida aos fornecedores a baixar. Como não pode comprar fiado, a dívida não aumenta e o prazo médio dos pagamentos baixa. Mais uma vez é simples e lógico.
Por outras palavras, com as condicionantes legais estabelecidas, qualquer presidente de câmara, seja ele quem for, chega ao final de cada ano com a dívida mais pequena. Não pode fazer novos empréstimos, não pode comprar fiado. É obrigado a pagar a tempo e a horas e tem de pagar as prestações dos empréstimos ainda em vigor. E cada pagamento de prestação tem uma parte que se destina à amortização do empréstimo em causa, e assim a dívida naturalmente diminui. É simples e lógico.
No caso da Câmara de Azambuja, até 2017, é previsível uma redução da dívida próxima dos 6 milhões de euros (2 milhões/ano em juros e amortizações). Isto a manter-se a impossibilidade de contrair novos empréstimos… Porque se voltar a haver autorização para fazer novos empréstimos, de certeza que a dívida volta a subir!
Estes 2 milhões anuais que só se destinam a pagar dívida saíram do bolso de cada um de nós! Não é dinheiro entregue pelo Estado, nem fruto de vendas de bens ou serviços da Câmara! É dinheiro que sai do seu bolso. Do bolso de cada contribuinte que paga Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e Imposto Único de Circulação (IUC).
Portanto, quando ouvir dizer nas próximas eleições para a Câmara de Azambuja que foi graças a esta gestão municipal que a dívida baixou, pode responder que a dívida baixou sim, mas que esse facto se deve principalmente a cada contribuinte do concelho de Azambuja que pagou IMI e IUC. É simples e lógico.
E entretanto peça ao presidente da Câmara e aos vereadores da maioria PS que parem de se queixar com falta de dinheiro. Se lemos uma entrevista do presidente Luís de Sousa, este queixa-se que “só tem 30 euros na conta”, o vereador António Amaral, lamenta-se “que não há dinheiro para nada”. Se alguém reúne com o vereador Herculano Valada, o mais certo é ouvir que “não tem verba”…
Os candidatos das últimas eleições autárquicas tinham a obrigação de saber que a situação financeira da Câmara de Azambuja não era fácil, por isso de nada adianta andar sempre com a “conversa do coitadinho” e fingir surpresa… Os eleitos do PS conheciam a grave situação financeira da autarquia porque foram eles que a criaram!
Esta “conversa do coitadinho” é uma desculpa para a evidente falta de liderança, incapacidade política e incompetência técnica desta “equipa” PS, que não sabe como fazer e desculpa-se com a falta de dinheiro. Governar com dinheiro é fácil, o difícil é gerir com pouco dinheiro! E é aqui que esta “equipa” tem revelado todas as suas fragilidades. Não surpreende por isso que o nível de execução do Plano de Atividades Municipais de 2014 tenha ficado abaixo dos 15%!
O concelho de Azambuja está a entrar num adormecimento profundo, sem rumo, sem definição de prioridades, sem uma ideia clara para o seu modelo de desenvolvimento, sem capacidade de antecipação nem de ação. E este é o resultado da “conversa do coitadinho”… Este era o rumo natural que o PS prometia nas últimas eleições…

















