
Ultimamente em Portugal, a reforma do estado tem assumido uma enorme importância no debate politico-ideológico. A esquerda apregoa a manutenção do “estado social” a qualquer custo, enquanto a direita tenta limitar os gastos inerentes à sua manutenção. O problema de Portugal não é um problema de conjuntura; é, antes de mais, um problema de mentalidade, um problema estrutural. Portugal, enquanto país colonizador, sempre teve uma atitude caracterizada por algum laxismo. Enquanto no Seculo XVIII a Espanha trazia para Cádiz quantidades enormes de prata e ouro das américas, os mesmos bens vindos do Brasil seguiam directamente para a Flandres e para Roterdão, para servirem de pagamento ao desvario de gastos da corôa portuguesa. Não existe em Portugal uma visão nacional. A mesquinhez e a vista curta dos nossos políticos levaram o país para uma via de sub-desenvolvimento, que de certeza não desaparecerá nas próximas 3 gerações. Os partidos políticos não conseguem sobrepôr o interesse nacional ao interesse partidário, arrastando ciclicamente o país para a insustentabilidade financeira. E se alguém se propuser a reformar de facto o estado, será crucificado pela opinião pública. Em 2013 a CDU de Angela Merkel obteve nas eleições alemãs cerca de 41% dos votos, enquanto que o rival SPD obteve 25% dos mesmos… No entanto o governo alemão tem hoje um largo numero de ministérios entregues ao SPD. O interesse nacional foi mais importante do que qualquer querela partidária. Em Portugal, pelo contrário, os interesses dos partidos são colocados antes de tudo. É o poder pelo poder, mesmo que esse poder se resuma apenas a 89000 kms2 e a pouco mais de 9 milhões de pessoas. Portugal precisa de arejar a classe politica. Precisa de uma nova mentalidade. Mas isso não se constrói por decreto. Constrói-se com resultados, constrói-se com método. Constrói-se sabendo que nessa construção alguns terão que ficar para trás. Temos que adaptar o país às suas reais capacidades. Temos que fazer do crescimento sustentado a nossa bandeira. Não acreditarmos em quimeras que nos são prometidas de quatro em quatro anos, sob pena de perdermos o comboio da Europa. Porque não tenhamos ilusões: a comunidade europeia, que nos tem ajudado imenso financeiramente, começa agora a exigir-nos responsabilidades. E temos que estar à altura dessas responsabilidades.
Sob pena de vermos a 3000 kms de distância uma Europa onde se constroem alguns dos melhores produtos do mundo, enquanto nós apenas teremos o sol para dar em troca.

















