O camarada Vasco e oBESo

Opinião de Joaquim Ramos

Lembram- se de Vasco Gonçalves, o Primeiro Ministro dos anos quentes de 74 e 75, nomeado pelo Conselho da Revolução na sequência da recusa do General Firmino Miguel em formar um Governo totalmente controlado pelo Partido Comunista e pela Extrema Esquerda ? Pois o “Camarada Vasco” – força, forca !- foi responsável pelos maiores dislates que se cometeram em Portugal no PREC – uma figura patética, manifestamente suportada em ansiolíticos e calmantes, que não escondia as suas tendências partidárias e a manipulação a que era sujeito.
Depois do golpe Spinolista de 11 de Março de 1975, o “Camarada Vasco” decidiu nacionalizar tudo quanto era Banco e, por arrastamento, os milhares de empresas, grandes e pequenas, desde siderurgias até pastelarias, cujo capital, por iniciativa própria ou por falta do pagamento da mensalidade do empréstimo, era propriedade dos Bancos.
Os banqueiros piraram- se todos – Brasil, Suissa, etc – e os moderados de então, cujo expoente máximo era o Grupo dos Nove de Melo Antunes, começaram a organizar- se para derrubar o “Camarada Vasco” . De facto, os Bancos eram um factor fundamental do desenvolvimento do País e até desempenhavam um papel social importante. Os Bancos viviam especialmente de três operações : aceitavam depósitos das Empresas e do Zé Povinho, que assim tinha o seu pé- de- meia a salvo, emprestavam dinheiro a Empresas para o seu investimento e aos privados para, por exemplo, adquirir habitação própria ( cá está a tal função social) e constituíam grandes grupos com base na participação ou aquisição do capital de empresas. Viviam da diferença entre o juro que pagavam a quem lá depositava e o juro que recebiam de quem emprestavam.
Mas o “Camarada Vasco” – claro que com a benção do Partido Comunista – achava que os Banqueiros iam roer a corda ao País, e em vez de contribuírem para o desenvolvimento, iam desviar, através de esquemas montados por economistas pagos a preço do ouro, fortunas para as suas contas da Suissa, das Ilhas Cayman e outros paraísos fiscais, utilizar o dinheiro do Zé para especulação financeira e bolsista. Iam comprar activos que não existiam e fazer OPAS sobre empresas à beira da falência. O esquema era fácil : o Banqueiro A ou B comprava em seu nome, não no do Banco, uns milhões de acções da Empresa X ao preço da uva mijona, pois a Empresa estava na falência. Depois, davam uns trocos a uns jornalistas para fazerem constar que o Banco A ia comprar a Empresa X. Claro que com a segurança dada pela capa do Banco, as acções da Empresa X davam um pulo maior que o Pulo do Lobo, o Banqueiro A vendia as acções e lucrava uma pipa de massa. Dois dias depois, os jornais diziam que afinal o negócio não se tinha concretizado, a empresa ia à falência arrastando consigo os pequenos aforradores que, no engôdo de ganhar uns dinheiritos, também tinham comprado umas acçõezitas que agora valiam zero.
É claro que quem me conhece sabe que eu nunca poderia ser um admirador ou um entusiasta do “Camarada Vasco “, nem acredito que tenham sido os receios de acontecimentos dos acima descritos que o tenham levado a nacionalizar a Banca. Não, aquilo foi um vaipe, qualquer esquecimento prolongado da toma do Prozac, uma vingança contra os Mellos, os Espíritos Santos e os Britos pelo que eles representavam nos tempos em que os amigos do ” Camarada Vasco” – que ainda assim chegara a Coronel, o que dá uma ideia do estado a que tinham chegado as nossas Forças Armadas…- batiam com os costados em Peniche ou em Caxias.
O que eu quero dizer na minha é que acho que a decisão do ” Camarada Vasco” não foi seguramente baseada numa previsão tecnicamente fundamentada da evolução da Banca e da voracidade dos banqueiros e grandes financeiros, mas sim um arroubo revolucionário.
Sim, porque os meus amigos não querem concerteza que eu, sexagenário e retirado da vida activa, vá agora rever todos os meus dogmas, crenças e filosofias de décadas e considerar que, afinal, o ” Camarada Vasco” é que estava certo e era um visionário!
Tudo o que se tem passado nos ultimos anos com os diversos Bancos privados e que culminou agora no escândalo BES vem, preto no branco, fazer justiça à fúria nacionalizadora de Vasco Gonçalves em 1975.
E assim, não por qualquer furor revolucionário mas por uma análise objectiva da situação e depois de constatar os dislates e as tropelias dos Banqueiros, incluindo esse seráfico Carlos Costa, do Banco de Portugal, que veio enganar os Portugueses sobre o estado do BES levando tantos desgraçados a perder as economias duma vida inteira de trabalho, eu se fosse Governo- ainda por cima com maioria absoluta – nacionalizava de imediato toda a Banca privada portuguesa.
Pronto, nalguma coisa finalmente estou de acordo com o Camarada Jerónimo…y
Quero desde já dizer que o que tenho no BES passou para o Banco Novo, dizem- me…mas pelo sim pelo não, fui até lá para mudar de Banco. Não posso ! Só daqui a quatro anos ! Quero já informar que daqui a quatro anos, se eu conseguir salvar algum, vai tudo para debaixo do colch…Bem, o melhor é eu não dizer para onde vai, se não ainda arranjam forma de ir lá a casa revirar-me a cama…

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VIAJoaquim Ramos
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