Não é segredo para ninguém que Silvino Lúcio deseja ardentemente ser candidato a presidente da Câmara Municipal de Azambuja já em 2017. Na minha opinião, Silvino até considera que deveria ter sido ele o candidato em 2013, pela simples razão de que, sendo mais novo que Luís de Sousa, poderia assegurar a continuidade do projecto socialista por um periodo alargado a três mandatos, quando Sousa, inevitavelmente, sairá no final deste quadriénio, se aguentar até lá, o que também me parece questionável de suceder. Para além disso, Lúcio alimenta a convicção de que o actual presidente não tem pedalada para exercer o cargo com a abrangência que a função exige. Sousa parece demasiadas vezes perdido no meio de tantas matérias que são inerentes à presidência; diz com assustadora frequência que não sabe de tudo e mais alguma coisa e está longe, mas mesmo muito longe, da omnipresença que a equipa sentia em relação à liderança de Joaquim Ramos. A diferença da consideração ao nível da capacidade política que Silvino nutria por Ramos em relação à que sente pela liderança de Sousa é por demais evidente, e deixa entender que o vice-presidente considera mesmo ter sido Luís de Sousa o principal responsável pela queda abrupta na votação em outubro último, que deixou o PS na autarquia sem maioria absoluta, obrigado a ter de propôr um acordo a Herculano Valada e, mais grave de tudo, a perder Ana Maria Ferreira, que não conseguiu ser eleita, naquela que foi considerada de fio a pavio a grande machadada qualitativa no executivo camarário. Joaquim Ramos cedo deixou antever que apoiava Luís de Sousa para candidato (à falta de melhor, terá pensado…) e Silvino Lúcio também desde cedo terá percebido que o melhor seria guardar energias para 2017, já que esta não seria garantidamente a sua vez. Assumido candidato, Luís de Sousa impôs naturalmente a equipa com quem queria trabalhar neste mandato, e foi desta forma que surgiu o nome de António José Matos para cabeça-de-lista à assembleia municipal, o que terá deixado Silvino Lúcio de cabelos em pé e de bigode eriçado. Silvino ainda sugeriu a Sousa que Matos entrasse em segundo lugar nas listas, com o pretexto de que o empresário do ramo da condução, uma vez empossado líder da assembleia, acabaria por ganhar força e protagonismo e com o tempo seria uma ameaça… ao sonho de Silvino de ser candidato à câmara em 2017. Mas Luís de Sousa não lhe deu ouvidos e convidou mesmo António José Matos para candidato ocupando o lugar cimeiro da lista socialista. Excusado será dizer que Silvino tem neste momento a situação sob controlo, até porque continua a ser presidente da Comissão Política Concelhia Socialista, que tem um papel preponderante na definição do candidato à Câmara. Dentro da concelhia perfilam-se outras alas, que defendem uma renovação de candidatos em 2017. Fala-se dos nomes de Luís Benavente, que a meu ver seria um bom candidato, tal como se fala de Inês Louro, que na minha opinião será uma potencial boa candidata para integrar uma lista rejuvenescida. E no meio de tanto sangue novo, poderá surgir António José Matos, que nesta fase ainda está em pleno processo de habituação do eleitorado à sua nova condição de representante socialista. Matos considerou recentemente que foi um erro tremendo a colocação de Ana Maria Ferreira em quarto lugar na lista do PS que concorreu à câmara, dando a entender que um dia poderá socorrer-se da professora para o cargo de vice-presidente, caso surga a oportunidade de ser cabeça-de-lista em 2017. Por outro lado, a ala benaventista da Comissão Política poderá ser revigorada com a assunpção de Luís Benavente como candidato a candidato – tenho dele a melhor das impressões ao nível dos conhecimentos que adquiriu nos últimos anos e considero que em momento algum deverá ser politicamente confundido com algum passado do concelho, porque as ligações familiares não são sinónimo de semelhanças ao nível da capacidade política. Sobra Silvino, no meio de tantas perspectivas de renovação. Sobrará mesmo? Ou perceberá logo à partida que está efectivamente… fora do seu tempo?
Silvino louco para chegar à câmara em 2017
Opinião de Nuno Cláudio
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