Em jeito de balanço

Opinião de Maria João Canilho

Maria João Canilho

Parece que foi ontem que me fizeram o convite para integrar as listas da Coligação Pelo Futuro Da Nossa Terra (CPFNT) à Câmara Municipal de Azambuja… mas não foi: já lá vai ano e meio depois do convite, um ano depois da apresentação e praticamente 6 meses de vereação… Aceitei o convite na qualidade de independente, nessa altura cheia de dúvidas e incertezas, com o objectivo de tentar alterar algumas coisas que me pareciam (e parecem) profundamente erradas, dispersas e sem nexo… Se há algo que me incomoda profundamente é não saber para onde vou, qual o rumo que levo, que destino quero alcançar. Preciso de saber pelo menos para onde não quero ir, para onde não quero que me levem e por onde não quero passar.
Esse é o motivo que me leva a estar na política e pensar que tenho o dever de alertar para o rumo que o meu concelho leva. Estamos a viver um momento no nosso concelho em que, fruto de vários factores, não parece existir desenhada uma orientação, um conjunto de pressupostos, um conjunto de medidas com objectivos delineados. Há uma gestão corrente e uma política de gestão corrente, ficando a ideia de que estamos sem sentido ou vontade de encontrar o sentido. O que queremos para o concelho de Azambuja? Como podemos alcançar os objectivos? Quais os meios que dispomos? Quais os parceiros que vamos envolver? Este executivo em funções aparentemente não faz ideia, não lê, não se documenta, não procura, não analisa, não sabe. E porquê? Não será incapacidade… não será desinteresse… É porque é assim! Não transparece um projecto, um plano, uma estratégia, uma visão….
Daí a importância da oposição e do seu papel fiscalizador e regulador. E neste contexto a oposição da CDU, que tal como nós elegeu dois vereadores, deixa-me confusa. O vereador Herculano Valada viabilizou a maioria socialista através de um acordo pessoal e o vereador David Mendes apresenta um sentido de voto no mínimo estranho, pois quando se espera que vote contra… vota a favor, quando se espera que vote a favor… vota contra, e na maior parte das matérias adopta uma postura de abstenção sistemática. Para ilustrar o que digo basta pensarmos na proposta que a CPFNT fez onde, entre outras coisas, se propõe a renegociação do contrato das águas e em que (espante-se quem votou CDU nestas eleições) o vereador David Mendes vota contra, deixando a ideia de que o contrato das águas não é para mexer, ou que ter a 5ª água mais cara do país não é importante… A CPFNT tem procurado fazer uma oposição que é construtiva, que estuda, que reflecte, que se preocupa, que apresenta alternativas, que faz propostas (daquelas que nos subtraem à família e aos amigos pela escassez de tempo e da dificuldade na conjugação da vereação com o trabalho).
A esta oposição tem havido, por parte do Presidente Luís de Sousa uma grande receptividade e um reconhecer que estamos empenhados em ajudar a construir um projecto para o concelho de Azambuja: um concelho mais actual, mais dinâmico, com maior capacidade de combater, de produzir, de apoiar. Não esquecendo que os problemas que se levantam são políticos e têm que ter soluções políticas. Não nos compete fazer o trabalho de quem manda e quem manda é quem é eleito para isso! Com a sua moderação e bom senso o Presidente tem procurado acolher as nossas propostas e tem consultado a oposição em diferentes matérias, na tentativa de resolver algumas “pontas soltas” do seu antecessor, como foi o caso da questão da lixeira às portas de Azambuja, retirando a declaração de interesse municipal por proposta da nossa coligação ou o caso dos resíduos sólidos urbanos, uma proposta também da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, que propõe a análise séria do aumento da respectiva tarifa e dos pressupostos que o consubstanciam, bem como uma redução da taxa às famílias mais desprotegidas e outras medidas complementares nesta matéria. Conta hoje, como contará sempre, o Presidente da Câmara com a nossa ajuda para os problemas que se apresentam ao concelho entre eles a Dívida, o Desenvolvimento Económico, os Fundos Estruturais, o Quadro de Apoio Comunitário… Fazer oposição é intervir para o bem comum, para alcançar o que o concelho de Azambuja merece e para isso é necessária a colaboração de todos nos desafios que a conjuntura actual nos apresenta.
São 6 meses em que o balanço é positivo, em que quero acreditar que ainda nos estamos todos a adaptar, a conhecer “os cantos à casa” a arrumar ideias para definir caminhos para este concelho que todos amamos.

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VIAMaria João Canilho
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