Pela nossa rica saúde e segurança

Opinião de Joaquim Castro

Joaquim Castro

Na edição anterior abordei o tema das «guerras dos recursos naturais». As recentes flagelações climatéricas que ocorrem um pouco (ou um muito) por todo o lado e nos entram casa a dentro pela televisão, levam-nos a uma séria reflexão, não sobre o «porquê», mas antes sobre o «depois». As alterações globais do clima e a maior escassez dos recursos naturais combinam-se para incrementar a possibilidade de um violento conflito relativamente à terra, água e energia. As alterações climatéricas irão tornar os escassos os recursos, a água potável, e as terras agricolamente viáveis ainda mais escassas, e isto tornará mais provável a emergência de conflitos violentos. Desde já, lembremo-nos que a verdade nua e crua é que precisamente a falta de água e de terra para cultivar, são o factor que mais significativamente contribui para a tragédia que se desenrola em Darfur. E isto deveria ser encarado como um sério aviso sobre o futuro. Foi neste contexto que, em 2003, ‘analistas’ do Pentágono produziram um documento, alertando para o facto de a violência e a desagregação provocados pelos vários ‘stresses’ criados pelas abruptas alterações climáticas, constituem um diferente tipo de ameaça à ‘segurança nacional’, do que aquilo a que estamos habituados. A confrontação militar pode ser despoletada, mais por uma necessidade desesperada de recursos naturais, tais como energia, alimento e água, do que por causas ideológicas, religião ou honra nacional. Infelizmente, este tipo de análise não «prendeu a atenção» dos líderes americanos e britânicos que persistem na tese de que as diferenças ideológicas e religiosas de um lado, e as formas extremistas do Islão doutra parte, permanecem sendo os motivos fundamentais do conflito internacional. Apesar disso, agências de ‘inteligência’ de diversos países, começaram a levar a sério esta nova abordagem, sendo que já começaram a alertar os seus governos para o facto de os perigos ambientais poderem brevemente dominar as agendas mundiais de segurança. Estudos recentes mostram que a rápida diminuição das calotes polares, o acelerado degelo dos glaciares norte americanos, o aumento da frequência de fortes furacões e um sem número de outros efeitos conexos, sugerem que podem ter começado a acontecer alterações dramáticas e potencialmente perigosas do clima global. Mais ainda, concluem que são os comportamentos humanos a causa mais provável destas alterações. Esta análise dos serviços de inteligência ainda não conseguiu penetrar na Casa Branca e noutros bastiões de pensadores de cabeça enterrada na areia. Os analistas defendem que o maior perigo colocado pelas alterações globais do clima, não é a degradação dos ecossistemas ‘per se’, mas antes a desintegração de inteiras sociedades humanas, produzindo fome generalizada, migrações em massa e conflitos recorrentes por causa de recursos. Os analistas de segurança alertam para o facto de que à medida que a fome, a doença e catástrofes naturais ocorram, devido à alteração abrupta do clima, as necessidades de muitos países superarão a sua capacidade de resposta, isto é a sua capacidade de prover as necessidades mínimas para a sobrevivência humana. Isto provocará um sentimento de desespero que, seguramente conduzirá à agressão ofensiva contra nações detentoras de um maior armazenamento de recursos vitais. Cenários semelhantes serão replicados a nível planetário, à medida que, os desprovidos de recursos para sobreviver, invadam ou migrem massivamente para onde existe maior abundância, provocando lutas infindas entre os que têm recursos e aqueles que os que não têm. Só em África mais de 300 milhões de pessoas têm falta de acesso a água potável e as alterações do clima irão agravar esta situação de seca, provocando mais guerras como a de Darfur. Quando se leem estes cenários apocalíticos, é fácil imaginar as hordas esfaimadas a matarem-se uns aos outros, armados de facas e paus ou algumas armas de fogo, mas estes cenários também alertam para a utilização de armas mais mortíferas. Neste cenário de estados em conflito, é previsível a proliferação de armamento nuclear. À medida que o petróleo e gás natural desaparecem, um cada vez maior número de países recorrerá à energia nuclear para assegurar as suas necessidades energéticas, e isto irá acelerar a proliferação nuclear à medida que as nações desenvolverem a sua capacidade de enriquecimento e reprocessamento nuclear para garantir a segurança nacional. Ainda que especulativos, estes relatórios tornam bem claro uma coisa: quando se pensa nos efeitos calamitosos da alteração global do clima, temos de enfatizar as suas consequências políticas e sociais, tanto como os seus efeitos puramente ambientais. A seca, as cheias e as tempestades podem matar-nos, e seguramente que o farão, mas também o farão as guerras entre os sobreviventes destas catástrofes, para obter o que restar de alimento, água e abrigo. Podemos responder a estas previsões de uma de duas maneiras. Depender de fortificações e do poderio militar para fornecerem alguma vantagem na guerra global pelos recursos naturais, ou dando significativos passos para reduzir o risco de alteração cataclísmica do clima.
Cheguei à conclusão de que ou eu, ou o Passos Coelho, um dos dois é um autêntico calhau com olhos. Como não sou eu, está-se mesmo a ver que o tal senhor é que é o “calhau excelentíssimo”, com a devida vénia e o devido desrespeito! Depois de ter provocado a destruição do tecido empresarial, ter mandado centenas de milhares para o desemprego, ter chegado ao desplante de fazer a apologia da emigração, ter começado a desmantelar as universidades, acabando com os projectos de investigação científica, cancelando bolsas de estudo para doutoramentos e pós-doutoramentos, mandar os nossos melhores cientistas jovens, a ‘inteligenzia’ nacional para o estrangeiro, esta rotunda alimária pariu a peregrina ideia da criação de incentivos para captar no estrangeiro “jovens de talento” para virem fazer investigação científica em Portugal. Oh sô Coelho, valha-te um burro aos coices!

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VIAJoaquim Castro
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