Campus Tauromáquico ou cabeças de napus?

Opinião de António José Rodrigues

Em 4/2/2014, a CMA aprovou uma proposta apresentada pelo vereador Amaral, ex-presidente da Junta de Freguesia de Azambuja, onde se propôs que o Campo da Feira de Azambuja passasse a designar-se por "Campus Tauromáquico".

Em 4/2/2014, a CMA aprovou uma proposta apresentada pelo vereador Amaral, ex-presidente da Junta de Freguesia de Azambuja, onde se propôs que o Campo da Feira de Azambuja passasse a designar-se por “Campus Tauromáquico”. Apesar dos votos contra dos vereadores Jorge Lopes e Maria João Canilho (do PSD) e de David Mendes (da CDU) que utilizaram argumentos que contrariavam os fundamentos do proponente, como a falta de oportunidade e a duvidosa legitimidade do executivo camarário para aprovar uma proposta da Junta de Freguesia cessante, sem audição dos eleitos da atual Junta de Freguesia. Algumas pessoas interessadas por aquilo que se passa no município de Azambuja, já comentaram que este desiderato não ficará por aqui, posteriormente poderá voltar a mudar.
Sobre a legitimidade da aprovação da proposta da Junta de Freguesia que cessou funções em outubro p.p., recorda-se que a Lei aplicável às autarquias não prevê a caducidade das propostas que ainda não foram ratificadas pelos órgãos que têm competência para o fazer. Mas há um preceito na CRP, na convergência de competências de complementaridade entre governo e AR, que determina a caducidade das propostas de lei com a cessação de funções dos seus autores. Ora no caso concreto, a proposta era da Junta de Freguesia que tinha cessado funções, logo, mais que não fosse, em termos éticos, seria de bom senso ouvir a opinião dos novos responsáveis pelo executivo da Junta e, se dúvidas persistissem, ouvir também a nova Assembleia de Freguesia de Azambuja. Pessoalmente, embora sendo apologista da legalidade, prefiro ver deliberações tomadas também com base no diálogo e no bom senso.
Sobre a fundamentação de que a nova designação resulta do uso popular do nome “Campus Tauromáquico”, não é real. Com efeito, a realização da Feira de Maio mudou para o espaço onde tem vindo a ser realizada há 30 anos, após a cedência do terreno, em contrapartida da aprovação de uma urbanização na periferia da Várzea do Valverde. Desde então tal espaço sempre foi designado por Campo da Feira. Tal como se pode ver na placa toponímica inaugurada pelo ex-presidente Joaquim Ramos (ver infografia). Sem qualquer preconceito de menos respeito por quem aprovou a dita proposta, convém lembrar que “Campus” é a palavra latina que deu origem ao termo português campo. Geralmente é sinónimo de “polo”, e refere-se a um local onde uma instituição ou conjunto de instituições, de ensino ou de investigação científica ou tecnológica, tem uma parte ou a totalidade dos seus serviços, nomeadamente salas de aula e laboratórios. (ver Wikipédia).
Após ter consultado uns amigos, broncos ou rebeldes como o cronista, acabámos por concordar que, com estas novas ideias, o nosso concelho ficará melhor definido: a norte, a tradicional zona de bairro onde predomina a floresta, umas manchas de vinha e de pomares, bem como alguma cultura de batatas e outros tubérculos; a sul, a célebre lezíria onde pontificam os negros toiros e, no verão, verdejam os cereais e o melão, por aqui ou por ali salpicada por umas vermelhas manchas de papoilas e tomates; na sede do concelho ficará agora o “Campus Tauromáquico” e a sala de sessões da CMA onde, como o devido respeito, se houver chuva abundante, podem brotar nabos (“napus” – para as cabeças iluminadas por latinices). Finalmente recordo que o Presidente Luís de Sousa faltou à dita reunião, talvez por saber que naquele dia iria chover muito e que aquela sala poderia meter muita água para o nabal, preferindo procurar uma eira onde um banho de Sol lhe iluminasse ideias mais consensuais.

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VIAAntónio José Rodrigues
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