Azambuja | dezenas de Covid na Sonae e Avipronto: casos isolados ou inicio de um surto na região?

Já depois da reabertura, a Avipronto apresenta pelo menos 5 a juntar aos 102 trabalhadores que testaram positivo. Já a Sonae tem 10 casos assumidos, que poderão ser muitos mais se incluirmos os trabalhadores temporários. Casos isolados? Ou a ponta de um enorme "iceberg" escondido num mar de incertezas?

Os números vão sendo conhecidos através de fontes oficiais ou bastante credíveis e é impossível à comunicação social esconde-los ou evitar falar dos mesmos: esta semana, já depois da reabertura, a Avipronto apresenta pelo menos 5 trabalhadores que testaram positivo. Já a Sonae tem 10 casos assumidos, que poderão ser muitos mais se incluirmos os trabalhadores temporários. Casos isolados? Ou a ponta de um enorme “iceberg” escondido num mar de incertezas?

A verdade é que de repente Azambuja saltou para as bocas da região e do país. Autarcas preocupados e muitas vezes sem saber o que fazer multiplicam-se em reuniões e iniciativas que demonstram preocupação extrema com os seus munícipes ou fregueses. Mas estão de mãos e pés atados. As grande decisões são tomadas a outros níveis e na verdade o problema é complexo em demasia para a dimensão limitada das autarquias locais, que normalmente são ultrapassadas ou pouco tidas em conta nestes processos.

Na Zona Industrial localizada na Estrada Nacional 3 trabalham mais de 8 mil cidadãos, e muitos deles são habitantes das comunidades da região, nomeadamente de Azambuja, Carregado, Alenquer, Aveiras de Cima, e dos Concelhos de Vila Franca de Xira e Cartaxo. Depois há milhares de pessoas que se deslocam diariamente de comboio para a Zona Industrial, boa parte oriunda das periferias de Lisboa. As carruagens andam apinhadas, mas os responsáveis da CP disseram hoje a Luís de Sousa que não vão haver mais comboios para a linha de Azambuja. A solução passa por policiar a estação do Espadanal de Azambuja e sensibilizar os utentes dos comboios para viajarem mais dispersos pelas restantes carruagens de cada composição que a empresa dos caminhos de ferro garante circularem quase vazias.

A realidade dos números diz-nos, porém, que daqui até aos focos de infecção a distância é curta. Demasiado curta. Na Sonae há 10 casos confirmados nas últimas 24 horas, mas este número não terá em conta os muitos trabalhadores que prestam serviço a este Centro de Distribuição sub-contratados a empresas de trabalho temporário. Recordamos que só neste entreposto trabalham mais de 700 pessoas. De resto, os hipotéticos casos da Sonae desde há muito que são referidos ao Fundamental por fontes internas do entreposto.

Já a Avipronto regressou esta semana à laboração, depois de cerca de 9 dias encerrada, durante os quais as instalações foram desinfestadas de fio a pavio. A empresa tinha 102 casos positivos de covid-19 aquando do encerramento por determinação da Direcção Geral de Saúde. Nove dias mais tarde, na passada segunda-feira, a Delegada de Saúde de Azambuja considerou estarem reunidas as condições para o regresso ao trabalho. Três dias depois, mais pelo menos 5 casos de coronavírus detectados entre os trabalhadores que estiveram na empresa já esta semana. O medo está de novo instalado na comunidade.

De acordo com testemunhos recolhidos já hoje, quinta-feira, a empresa Avipronto continua a testar os seus trabalhadores, mas os trabalhadores acabam por não aguardar em casa os resultados desses mesmos testes, que demoram 24 horas. Estes funcionários, mesmo que estejam infectados, continuam a entrar ao serviço às 6 horas da madrugada e só são avisados em caso de testarem positivo cerca de 3 horas mais tarde, dado que o responsável encarregado de avisar estas pessoas apenas entra ao serviço pelas 9 horas. É assim que as coisas funcionam. Pelo que todos constatamos, a produção não pode parar…

Mais de 430 casos positivos activos na região

E é neste ambiente de incerteza que a região vive e que os autarcas têm de governar e tomar medidas. Os números são elucidativos: estas cerca de 220 empresas localizadas na Zona Industrial de Azambuja empregam mais de 8 mil pessoas. Outro número que não é de escamotear: são responsáveis pela distribuição de bens alimentares a superfícies comerciais que cobrem uma área com aproximadamente 3 milhões de portugueses localizada no centro e no sul de Portugal.

Mas se estes números não enganam face à importância deste sector, outros números não deixam de ser tão reais quanto preocupantes: na Freguesia de Azambuja há hoje 31 casos de infecção pelo coronavírus. Em Aveiras de Cima mais 12, e o total do Concelho de Azambuja ascende a 47. O valor de Alenquer cifra-se nos 29 casos, distribuídos por Alenquer (4) e Carregado (25). No Cartaxo há 24 casos activos, e em Vila Franca são 329 os casos confirmados. Como diria alguém bem nosso conhecido… é fazer as contas, e facilmente chegamos a uma soma superior a 430.

Note-se que estamos a falar de uma região estritamente ligada a esta Zona Industrial. Ligada por estrada, ligada pela CP e por muitos dos seus cidadãos residentes que aqui ganham a vida em muitas destas 220 empresas. Exige-se ao poder político central que demonstre capacidade para interpretar a situação e proteger as populações.

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VIAAlexandre Silva
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