Alenquer Água Justa: 2020 será ano crucial para o movimento fundado por Alfredo Trinca

Trinca foi o percursor de um movimento que haveria de ganhar contornos mais abrangentes ao longo de 2019. Este será um ano crucial para o movimento fundado por Alfredo Trinca. Com ou sem excessos, o tempo há-de encarregar-se de determinar a oportunidade e o efeito prático do Alenquer Água Justa.

Surgiu na primavera de 2019 e no inicio mais não era do que uma simples publicação numa página pessoal na rede social Facebook. Alfredo Trinca foi o percursor de um movimento que haveria de ganhar contornos mais abrangentes ao longo dos meses que faltavam para chegarmos ao final de 2019. António Matos e Carlos Ferreira juntaram-se a Trinca e declararam guerra ao preço da água em Alenquer.

O Fundamental noticiou pela primeira vez em Abril de 2019: “Povo encosta Águas de Alenquer à parede: caminhada de protesto marcada para 29 de Junho”, era o título de uma notícia que haveria de chegar à dezena de milhar de leituras. “Os consumidores do Concelho de Alenquer estão cada vez mais revoltados com a Águas de Alenquer e preparam uma acção de protesto para 29 de Junho”, também se lia no mesmo artigo.

Os alenquerenses queixam-se que a água é demasiado cara e também referem o “muito mau serviço associado” ao fornecimento por parte da entidade concessionária. Esta é, de resto, a génese de um movimento que conseguiu levar à Assembleia Municipal de Setembro largas dezenas de munícipes, muitos deles já haviam caminhado em finais de Junho como forma de protesto para com os termos desta polémica concessão.

A verdade é que Alfredo Trinca, Carlos Ferreira e António Matos conseguiram mobilizar uma boa franja de cidadãos do concelho em torno desta temática que acaba por mexer com a vida dos alenquerenses. Foi criada uma página na rede social Facebook alusiva ao movimento, ao mesmo tempo que uma petição reuniu milhares de assinaturas. Objectivo: reverter a concessão e devolver ao município de Alenquer a responsabilidade de governar este sector vital para a vida dos habitantes do território.

Pedro Folgado reagiu ao movimento. Em entrevista exclusiva ao Fundamental Canal o presidente do executivo camarário voltou a referir que não será possível nesta fase almejar a redução do valor da factura. “Acreditar que tal vai acontecer fruto de uma petição e criar essa expectativa nas pessoas é um acto de populismo”, opinou o presidente da autarquia, referindo-se ao movimento Alenquer Água Justa.

A este propósito, Pedro Folgado não poupou o movimento, que apelidou de populista. “Valorizo este tipo de movimentos, mas o problema é quando politizamos as coisas e não queremos ouvir o que os responsáveis têm para dizer”, afirmou o presidente da Câmara de Alenquer, em entrevista ao Fundamental Canal.

Folgado acrescentou: “Custa-me que as pessoas acreditem que a água vai descer só porque surgiu um movimento e uma petição. A curto prazo este movimento não tem qualquer possibilidade de ver o seu objectivo alcançado”. Ainda assim o líder do executivo admitiu que a água seria mais barata caso estivesse sob a responsabilidade do município, lembrando que no âmbito de uma empresa privada todos os custos inerentes são reflectidos na factura.

Em suma, 2020 será um ano crucial para o movimento fundado por Alfredo Trinca. Este dinâmico cidadão conseguiu, para já, um feito de se lhe tirar o chapéu: promover a discussão, o debate e o interesse público no contexto de um assunto tão delicado para a vida dos cidadãos do Concelho de Alenquer. Com ou sem excessos, o tempo há-de encarregar-se de determinar a oportunidade e o efeito prático do Alenquer Água Justa.


VIAAlexandre Silva
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