Pedro Folgado garante: “Câmara nunca autorizou parque de contentores do Carregado”

Pedro Folgado desmente qualquer conhecimento da Câmara de Alenquer em relação ao parque de contentores marítimos do Carregado. Em declarações há minutos ao Fundamental o autarca refere: "Não recebemos qualquer pedido de licenciamento sobre este assunto". A multa vai avançar e pode chegar aos 250 mil euros.

Pedro Folgado reforça a posição da autarquia e desmente qualquer conhecimento ou concordância da Câmara de Alenquer em relação a este parque de contentores marítimos. Em declarações há minutos ao Fundamental o autarca refere que, e citamos, “A Câmara de Alenquer não recebeu qualquer pedido de informação ou de licenciamento sobre este assunto“. O Presidente da Câmara de Alenquer acrescenta, indignado: “Não podem dizer que a Câmara sabia desde há muito que iria para ali um parque de contentores, até porque isto não funciona como se fosse um grupo de amigos“.

Recorde-se que faz precisamente um mês amanhã que o Fundamental noticiou a existência deste parque de contentores instalado no Carregado, nos terrenos onde esteve instalada vários anos a conhecida empresa PERI. Estes terrenos estão situados paredes meias com a Urbanização da Barrada e o parque de contentores preocupa e revolta a população, até porque obriga ao trânsito de pesados carregados com estes caixotes metálicos de grande dimensão pela principal avenida deste aglomerado habitacional.

De acordo com a posição oficial da autarquia, estas pilhas de contentores marítimos configura um parque ilegal e o proprietário vai ser multado pela Câmara de Alenquer, uma coima que poderá ir de 1500 até aos 250 mil euros. O mesmo foi garantido a 25 de Maio pelo Presidente da Junta de Freguesia do Carregado, José Martins, que em declarações ao Fundamental afirmou sobre este processo: “Aquilo é para terminar, porque não está licenciado e inclusive a Câmara Municipal já passou a contra-ordenação ao proprietário do terreno”.

Pedro Folgado relembra que a autarquia, quando percebeu a presença daquela actividade estranha e ilegal, notificou a empresa PERI, julgando ser esta a entidade responsável pelo parque de contentores. “Para nós quem lá estava era a PERI, e nem sequer tínhamos conhecimento de que essa empresa já não ocupava aquelas instalações“, garante o Presidente. A PERI fez o que lhe competia e informou a autarquia de que já não estava instalada naquele terreno.

Desta forma, a Câmara de Alenquer notificou a família Pinto Barreiros, proprietária do terreno, cujo advogado argumenta com um pedido que a PERI terá efectuado em tempos para poder armazenar cofragens no terreno. O Presidente da Autarquia esclarece a este propósito: “Desde logo não é a PERI que usufrui actualmente do terreno, pelo que qualquer actividade que nesse terreno se desenvolva hoje terá de ser solicitada e licenciada pela entidade que o explora actualmente ou pelos proprietários do próprio terreno, o que não é de todo o caso do que ali se passa“.

 Pedro Folgado acrescenta, ainda sobre o parque de contentores: “Aquela actividade nunca ali poderia ter sido legalizada porque não pressupõe os princípios do interesse municipal que foram aprovados para a actividade da PERI“. O Presidente refere ainda: “A Câmara fez uma participação à Direcção Regional de Agricultura e Pescas, que é quem tem poder de decisão do usufruto do terreno, e agora estamos a preparar a contra-ordenação no sentido do licenciamento do terreno para aquela actividade, que não existe, e daí a actividade ser ilegal e dar origem à referida contra-ordenação“.

Recorde-se que este parque ilegal está a ser apresentado aos grandes transitários como sendo um parque que vem dar resposta ao “hinterland de Lisboa”, situado na zona da Bobadela e que se apresenta sem capacidade para receber mais contentores. A promoção apresenta o parque da Barrada como tendo 55 mil metros quadrados e capacidade para receber 40 mil unidades. E até refere o horário de funcionamento: das 8 às 20 horas, diariamente.

Também a Associação de Pais e a Direcção do Agrupamento de Escolas do Carregado entraram em acção e manifestaram preocupação à Câmara de Alenquer com este assunto. Acrescente-se que o agora parque ilegal de contentores está situado paredes-meias com a Escola EB 2,3 do Carregado, onde diariamente estudam cerca de 900 crianças e jovens, boa parte dos quais se desloca a pé para aquele estabelecimento de ensino, tendo que conviver e dividir a estrada por onde caminham com os camiões que transportam estes contentores gigantescos.

A este propósito, a Associação de Pais e a Direcção do Agrupamento de Escolas do Carregado acrescentam na carta dirigida à autarquia central: “Não nos parece que este parque respeite na íntegra o edifício escolar e a área envolvente, não nos parecendo igualmente que tenha sido acautelado este respeito, atendendo à ausência de informação e participação neste processo deste Agrupamento de Escolas e da própria Freguesia do Carregado e Cadafais”.

VIANuno Cláudio
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