
“Estou preocupado mas não estou alarmado”. Foi desta forma que Rodolfo Batista começou por comentar os dados oficiais que foram revelados nesta quinta-feira e que indicam um conjunto de novos casos no Concelho de Alenquer. “Preocupo-me sobretudo com um possível cenário de desconfinamento que possa ser determinado pelo Governo já neste próximo fim de semana”, acrescentou o Comandante da Protecção Civil de Alenquer.
Há um foco de casos positivos de covid-19 em Santana da Carnota, todos detectados numa família local. No Carregado verifica-se a existência de seis cidadãos que recuperaram totalmente desta doença.

Os dados oficias de hoje mostram-nos um total de 72 casos activos no Concelho de Alenquer, sendo que 49 estão identificados no Carregado. A Freguesia da Ventosa apresenta 9 casos, Santana da Carnota 5 e Alenquer regista 3 casos. Há ainda mais 6 cidadãos infectados no restante território concelhio. Refira-se que já são 37 as pessoas que venceram a doença, sendo que Alenquer não regista, felizmente, qualquer óbito no contexto desta pandemia.

“Tendo em conta o número de pessoas recuperadas que tivemos hoje, foi dos dias menos preocupantes. Mas claro que temos que olhar para os positivos com atenção, porque tivemos um foco de 5 casos que se regista em ambiente familiar em Santana da Carnota”, refere Rodolfo Batista ao Fundamental. Os casos de cidadãos recuperados registam-se todos no Carregado e de acordo com o Comandante da Protecção Civil serão trabalhadores da empresa Avipronto, dos casos mais antigos que testaram positivo na Freguesia.

Rodolfo Batista esclarece: “É lógico que temos que nos preocupar com o nosso município, mas quando comparamos com os municípios vizinhos há casos muito mais preocupantes”. O Comandante lembra que trabalha em articulação com os seus congéneres de concelhos da região, onde se verificam muitos positivos espalhados por todas as freguesias. “Só para ter uma ideia, Loures e Seixal estão a ter uma média de 120 casos diários”, refere ainda Rodolfo Batista.

O Comandante de Alenquer acrescenta: “A minha experiência coloca-me aqui alguma preocupação num cenário de desconfinamento que possa ser determinado pelo Governo já neste próximo fim de semana, nas indicações que o senhor primeiro ministro poderá transmitir já amanhã ou no sábado”. Rodolfo assume a preocupação devido ao facto de já se verificar dificuldade por parte das autoridades em assumir um papel de controlo da situação no terreno que é, afinal, onde toda a acção se desenrola.

“No Estado de Emergência a autoridade poderia actuar, mas no Estado de Calamidade já não é tanto assim e neste cenário as forças de segurança têm muito mais dificuldade em proteger as pessoas”, refere igualmente o Comandante da Protecção Civil de Alenquer, que revela: “Ontem cruzei-me com um colega de Vila Nova de Gaia que estuda comigo numa pós-graduação e ele diz-me que lá a situação está muito preocupante, que inclusive a Delegada de Saúde de Gaia pondera encerrar tudo o que sejam cafés, restaurantes e estabelecimentos comerciais”.

Rodolfo Batista reforça a ideia já deixada nesta entrevista concedida ao Fundamental: “Para mim o grande problema foi que as autoridades perderam alguma capacidade de agir em função da alteração do Estado de Emergência para Estado de Calamidade. As forças no terreno continuam a fazer o seu papel pedagógico, mas nada podem fazer quando detectam comportamentos de potencial risco”, declara o Comandante da Protecção Civil de Alenquer.


















