Interaves e a covid-19: como está a empresa de Abrigada a enfrentar a pandemia?

Como está a Interaves a enfrentar a pandemia? Ouvem-se rumores nas redes sociais mas neste momento não há confirmação oficial de qualquer caso de coronavírus entre os muitos funcionários. Apenas um teste que se revelou inconclusivo, de acordo com as autoridades.

A Interaves dispensa grandes apresentações na região. A empresa continua a ser liderada pelo histórico empresário Fernando Correia (na fotografia) e é uma das siglas de referência no sector do abate de aves, contando com quase 40 anos de experiência. A actividade desta unidade fabril, situada na Quinta da Venda, em Abrigada, centra-se especialmente na produção de carne a partir do abate de aves.

O Fundamental não tem confirmação oficial de qualquer caso positivo de covid-19 entre os muitos funcionários da empresa Interaves. De acordo com Rodolfo Batista, Comandante da Protecção Civil de Alenquer, em declarações ao Fundamental no decorrer da tarde deste sábado, há apenas um caso inconclusivo que aguarda confirmação dos resultados obtidos no primeiro teste.

De referir também que a Interaves ainda não testou todos os seus funcionários à covid-19, pelo que será de todo impossível afirmar que não existem casos positivos ou negativos na sequência de tais testes que, como referimos, não foram feitos. O trabalhador que foi testado terá apresentado sintomas. Está em casa, no Carregado.

Desde que a pandemia de coronavírus se abateu sobre a região de Azambuja em formato de “surto” houve uma empresa que saltou para o foco de todas as preocupações. Essa empresa é a Avipronto, onde foram detectados e confirmados mais de 130 casos positivos de covid-19. Naturalmente que os alarmes soaram entre os muitos trabalhadores da Interaves, quanto mais não seja pela similitude de áreas de actividade.

O Fundamental procurou saber de que forma a empresa Interaves se tinha preparado para este momento de pandemia. Na nossa investigação apurámos que mesmo antes de “rebentar” o caso da congénere Avipronto, a Interaves disponibilizou dispensadores de gel desinfectante em vários locais da fábrica. Também desde há muito tempo que os funcionários da empresa têm acesso a máscaras e é feita a medição da temperatura há entrada da fábrica aquando do inicio de cada turno.

Outra das medidas da empresa reflectiu-se na redução de funcionários que utilizam as carrinhas de transporte de 9 lugares, nas quais passaram a viajar entre 5 e 6 pessoas. O Fundamental apurou igualmente que a empresa promoveu a redução do número de funcionários que habitualmente frequentam o refeitório, para além de efectuar a desinfecção frequente dos espaços exteriores da unidade fabril.

No entanto, estas medidas revelam-se por vezes difíceis de implementar na prática. Uma das funcionárias da Interaves relatou ao Fundamental: “Nem todos os trabalhadores usam o desinfectante quando entram na empresa ou no refeitório, e não existe limite de funcionários nos balneários, onde os cacifos estão colocados lado a lado”. Ainda de acordo com a mesma funcionária, ninguém usa máscara na hora de almoço, no percurso dos balneários para o refeitório e na respectiva fila.

Esta funcionária refere ainda: “No refeitório existe uma cadeira vaga entre funcionários, mas estes são colocados a almoçar frente a frente. No pequeno almoço, são os próprios funcionários que colocam manteiga ou doce no seu pão e todos utilizam a mesma faca”.

Volume de trabalho intensificou-se na Interaves durante o Estado de Emergência

Durante o Estado de Emergência o volume de trabalho aumentou na Interaves, com turnos a laborar em todos os sábados e feriados. Um colaborador da empresa que trabalha na secção de abate referiu ao Fundamental: “Nesse período não houve diminuição da quantidade de abate que proporcionasse um menor volume de trabalho na linha de abate e que conduzisse a uma menor necessidade de funcionários de forma a estar garantido um maior distanciamento entre os colaboradores”.

O Fundamental também apurou que este incremento na intensidade e volume de trabalho dos turnos na Interaves no Estado de Emergência se deveu ao facto de haver uma quantidade de galinhas que já apresentavam o peso ideal para que fossem abatidas, posteriormente congeladas e exportadas.

Apurámos igualmente que há muitos funcionários da Interaves que vivem em quartos disponibilizados pela empresa. Alguns estão localizados por detrás da vivenda que podemos avistar na entrada da unidade fabril, na Quinta da Venda. Também há quartos localizados junto a um pavilhão aviário em Abrigada, no chamado Bairro da Abricasa. Estes trabalhadores são cidadãos de nacionalidade estrangeira: Nepal, Índia, ou com origem noutros países de África.

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VIAAlexandre Silva
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