Alenquer produz 12 milhões de m3 de água mas apenas consome 4 milhões pagos a preço de ouro

O Concelho de Alenquer produz anualmente 12 milhões de m3 de água, mas o consumo dos habitantes deste município não excede os 4 milhões anuais. Para cúmulo da situação, em Alenquer os consumidores pagam a quarta água mais cara do país.

O território do Concelho de Alenquer produz anualmente 12 milhões de metros cúbicos de água, mas o consumo dos habitantes deste município não excede os 4 milhões de metros cúbicos ao longo do mesmo período de 12 meses. Para cúmulo da situação, em Alenquer os consumidores pagam a quarta água mais cara do país.

Paradigmático é o caso do vizinho concelho de Vila Franca de Xira, cuja água consumida é extraída do subsolo alenquerense mas onde o valor final da respectiva factura é incomparavelmente inferior ao praticado em Alenquer. Acrescem a este diferencial as rupturas permanentes e os consequentes cortes no abastecimento, para além das condutas envelhecidas que levam a que sejam detectados resíduos que tornam a água imprópria para consumo.

A problemática da água em Alenquer ganhou recentemente um novo fulgor devido a um movimento de cidadãos liderados pelo alenquerense Alfredo Trinca. Para além da caminhada de protesto efectuada a 29 de Junho este movimento ganhou expressão nas redes sociais através da página Alenquer Água Justa, publicada na rede social Facebook. A mediatização das preocupações dos consumidores locais já deram origem a uma reunião com o presidente da Câmara de Alenquer.

Também as forças políticas locais voltaram a acordar para o assunto. A CDU convocou uma conferência de imprensa para dizer aquilo que toda a gente já sabia: que em 2003 votou contra a privatização da água em Alenquer. Do PSD ou do Bloco de Esquerda não se conhece, até ao momento, qualquer reacção recente a este novo despertar para a problemática do fornecimento de água ao domicílio.

Um mérito há que reconhecer a Alfredo Trinca: este cidadão conseguiu mobilizar os alenquerenses e deu um novo alento a quem anda desde há década e meia descontente com a concessão. Refira-se que o Fundamental foi o jornal que deu expressão pública a esta iniciativa de Trinca. O artigo, que aqui recordamos, foi publicado a 22 de Abril deste ano e foi lido por 7.349 leitores em Portugal e em mais 37 países do mundo, conforme se pode comprovar nas estatísticas oficiais que publicamos nesta página.

Relembre-se que se tratava de uma simples notícia de uma iniciativa de um cidadão anónimo no contexto da concessão do fornecimento de água no território municipal alenquerense. Depois de alcançada esta expressão, Alfredo Trinca viu o seu movimento ganhar adeptos e actualmente são muitas centenas os consumidores do concelho que se manifestam revoltados contra a empresa Águas de Alenquer.

Já Alfredo Trinca refere: “facturas novas com valores finais muito acima do normal; contas e métodos difíceis de entender… precisamos de dizer com todas as letras que não concordamos com este negócio da nossa água. A factura da água é muito cara, a água é muitas vezes amarela e tem associado num mau serviço pós venda”.

Alfredo Trinca relembra também notícias recentes acerca deste assunto na imprensa nacional. “O Diário de Notícias noticiou que o Tribunal de Contas opina que a ERSAR defende mais a Águas de Alenquer do que os consumidores, e infelizmente o senhor Pedro Folgado (Presidente da Câmara de Alenquer) que presta atenção ao problema desde 2013 não “caminhou” connosco a 29 de Junho”, acrescenta o cidadão empreendedor deste movimento.

VIAAlexandre Silva
COMPARTILHAR