
A Associação Desportiva do Carregado poderá vir a ficar impedida de utilizar o seu campo de futebol num futuro próximo. Até parece mentira, dirão sobretudo aqueles que passaram boa parte da sua vida ligados à colectividade mais representativa do Carregado e sem sombra de dúvida uma das mais prestigiadas da região. Mas esta é a pura da verdade: o Carregado perdeu a acção judicial que foi movida pela família Pinto Barreiros, que reclama a legítima propriedade do terreno onde está implantado o campo José Lacerda Pinto Barreiros, e caso esta decisão transite em julgado não haverá volta a dar: o terreno será dos descendentes de Pinto Barreiros, e o Carregado ficará sem campo para que os seus diversos escalões possam praticar o desporto-rei. Os descendentes de Pinto Barreiros sempre reclamaram a propriedade legítima daquele terreno, ocupado pelo campo de futebol da Associação Desportiva há mais de meio século. Na altura, a cedência do terreno foi feita mediante um acordo verbal estabelecido entre o ganadeiro e os fundadores da Associação. Os tempos eram outros e a verdade é que nunca foi passado para o papel qualquer memorando que hoje pudesse valer ao clube na luta pela posse de um espaço que, em boa verdade, sempre foi por si ocupado. Pinto Barreiros terá “alugado” o terreno por um periodo de 99 anos, mediante um pagamento mensal de 1 escudo. É o que garantem os nomes mais antigos ligados ao Carregado, ainda bem vivos e de boa saúde. A verdade é que nem esta renda foi paga, não que os sucessivos directores não pretendessem liquidar a mesma, mas sobretudo porque Lacerda Pinto Barreiros sempre recusou receber o dinheiro, com o intuito de ajudar a Associação. Ou seja, não existe qualquer recibo de arrendamento que comprove aquilo que muita gente ainda viva sabe e pode testemunhar. Neste contexto, os descendentes de Pinto Barreiros deram inicio ao processo de recuperação da posse do terreno, colocando para o efeito uma acção judicial a correr contra a ADC. No entanto, as coisas poderiam hoje estar bem diferentes. Contamos-lhe porquê já a seguir.
Riso dá vontade de chorar. Em 2010 o vereador Nuno Coelho percebeu que alguma coisa teria de ser feita para que o Carregado não corresse o risco de ficar sem o seu campo de futebol. Coelho “fez-se à estrada” e promoveu uma reunião entre a Câmara de Alenquer, a direcção de então da Associação Desportiva do Carregado e a família Pinto Barreiros, com o intuito de se chegar a um entendimento que beneficiasse todas as partes, sobretudo a ADC e os Pinto Barreiros. Depois de alguns encontros e de uma visita à quinta dos Pinto Barreiros, a sul da Urbanização da Barrada, no Carregado, ficaram praticamente estabelecidos os termos de um protocolo que, de grosso modo, visava a troca do actual terreno do campo por um outro terreno, junto à Escola Básica do Carregado, entre este estabelecimento de ensino e os estaleiros da empresa Peri. Ou seja, os Pinto Barreiros recuperavam o terreno do actual campo de futebol mas doavam outro terreno de dimensões ainda mais generosas, e ainda dariam instruções para suspender o processo judicial que entretanto já corria em tribunal. Para além de tudo, ainda acediam a colocar em nome da Associação Desportiva do Carregado o actual terreno onde está construída a sede e o pavilhão gimno-desportivo do clube. Parecia o acordoperfeito, mas eis que de 2010 para cá nada mais aconteceu… é que o senhor que figura nesta fotografia, então presidente da Câmara de Alenquer, nunca mais quis saber do assunto. Riso pura e simplesmente desinteressou-se da questão e deixou que o protocolo fosse por água abaixo. O mesmo Riso que, recorde-se, em 2009 prometia mundos e fundos para a Associação Desportiva, dando-se ao trabalho de garantir que faria um novo campo de futebol para o clube em terrenos de uma quinta localizada do lado oposto da estrada que passa por detrás da baliza sul do actual campo. O resultado está à vista: O Carregado está à beira de ficar sem campo de futebol e teve mesmo que pagar 2500 euros para interpôr um recurso, tendo para o efeito pedido à Câmara um subsídio extraordinário de 2800 euros. O grande desafio da actual Comissão Administrativa será reactivar as conversações em torno desta promessa de acordo, como se não bastasse a tarefa já de si gigantesca de manter em actividade uma das maiores colectividades da região.
















