Mais respeito pelo Carregado, Sr.Folgado

A Freguesia do Carregado está danada com a Câmara de Alenquer por causa daquilo a que chamam de crescente desleixo por parte da autarquia central das funções básicas que lhe cabem em responsabilidade. Caminhos municipais e respectivas bermas estão uma lástima e encontram-se ao abandono. Ainda por cima a Câmara deu mais de 60 mil euros extras à Freguesia de Alenquer nas negociações dos chamados acordos de execução.

Mendes exige a Folgado mais respeito pelo Carregado...

Tudo leva a crer que Pedro Folgado também não rima com… Carregado. É que os responsáveis pela segunda maior freguesia do município alenquerense continuam a queixar–se do crescente abandono a que a Câmara Municipal condena o Carregado, e nem tão pouco a recente eleição de um novo presidente, por acaso morador no Carregado e carregadense desde quase sempre, parece ter vindo alterar aquilo que já se afigura como um vírus anti-freguesia, que se instala em tudo quanto é eleito com responsabilidade na Câmara Municipal de Alenquer. O exemplo do que sucedeu com o campo de futebol do Carregado, contado nas páginas anteriores, é bem elucidativo do completo e absoluto desinteresse com que os autarcas que chegam à Câmara de Alenquer com poderes executivos olham para esta freguesia. No recente processo de negociação dos apelidados acordos de execução entre juntas de freguesia e Câmara Municipal, a freguesia unida de Carregado/Cadafais partiu para a negociação em causa com uma verba de 123 mil euros. Depois de muito espernear, o presidente da freguesia, José Manuel Mendes, lá conseguiu que a autarquia central chegasse aos 131 mil euros, verba que o Carregado receberá no periodo de 12 meses. Ora, veja-se a diferença: Alenquer partiu para a mesma negociação com 111 mil euros, menos 12 mil do que o Carregado tinha à partida mas, pasme-se, conseguiu convencer Pedro Folgado a estabelecer uma verba final de 172 mil euros, mais 41 mil euros do que o Carregado receberá e mais de 60 mil euros em relação à verba inicial, quando à freguesia carregadense apenas esteve destinado um aumento de… 8 mil euros. São estes “pormenores sem importância” que vão revoltando os carregadenses, que percebem o crescente grau de abandono a que a autarquia central vai votando a freguesia. Caminhos e bermas ao abandono. A Câmara Municipal de Alenquer é responsável pela conservação e manutenção dos caminhos municipais e das respectivas bermas, que no território da União de Freguesias de Carregado e Cadafais anda pelas ruas… ou melhor, pelos caminhos da amargura. Trata-se de uma competência da autarquia central que tem vindo a ser deixada ao abandono, o que levou recentemente José Manuel Mendes a manifestar-se publicamente contra o crescente estado de desleixo da câmara em relação à freguesia unida. “A Câmara de Alenquer não dá respostas às solicitações feitas pela União das Freguesias de Carregado e Cadafais para que os caminhos e as bermas sejam reparados”, queixa-se José Manuel Mendes, presidente da junta desde 2009. Cadafais, Preces, Casais da Marmeleira, Refugidos, Carambancha, Casal Pinheiro, Torre ou Obras Novas são o exemplo de pequenas localidades da freguesia unida nas quais os caminhos tornam-se em muitos casos difíceis de transitar, tal é o volume das silvas e do lixo que se vai acumulando nas bermas. A vila do Carregado escapa a este desleixo generalizado, porque na actualidade a limpeza é assegurada por uma empresa privada, sendo que a própria junta de freguesia faz uma perninha e assegura a limpeza do espaço público junto ao Mercado do Carregado. Segundo José Manuel Mendes, a Câmara sempre teve esta área relativamente devotada ao abandono, mas noutros tempos a junta de freguesia recebia duodécimas e algum apoio material da autarquia central, que ia permitindo aos responsáveis pela freguesia substituirem-se à Câmara na execução destas funções. Mas a situação actual é bem diferente: “As pessoas queixam-se todos os dias, o lixo continua a acumular e nós já enviámos para a Câmara uma quantidade grande de ofícios sobre este assunto, mas não somos correspondidos em termos de eficácia”, afirma José Manuel Mendes, que complementa: “Dizem-nos sempre que está em agenda, ou que se vai fazer, mas a verdade é que não é feito”. Segundo ainda José Manuel Mendes, nas outras freguesias deverão haver problemas similares mas a verdade é que tais problemas não levam a que os outros presidentes de junta se queixem em sede de Assembleia Municipal. “Ou é porque estão satisfeitos assim, ou então porque são da mesma cor política; a verdade é que não dizem nada. Mas nós aqui no Carregado não temos cores políticas nem nada dessas coisas: somos todos pelo povo e pela terra”, remata Mendes, que reconhece que em sede de Assembleia se comenta que até parece que só há problemas no Carregado. A verdade é que o matagal em excesso acaba por colocar em risco a vida dos próprios fregueses, como aconteceu há dias, em que um habitante da freguesia se dirigiu à sede da junta afirmando que tinha estado prestes a ter um acidente, e tudo por causa das silvas numa rotunda que lhe taparam a visibilidade. Em teoria, os acordos de execução haveriam de disponibilizar uma verba que substituísse toda uma panóplia de cortes e mais cortes que foram feitos, tanto nas verbas que o Carregado já não recebe como ainda nos funcionários da Câmara que normalmente eram colocados a trabalhar na freguesia carregadense. O problema é que os 123 mil euros anuais propostos pela Câmara apenas cresceram para os tais 131 mil já referidos… ao passo que em Alenquer a mesma verba saltou dos 111 mil para os 172 mil euros. O que levou Nuno Coelho a afirmar, em reunião do executivo municipal: “Afinal parece que existia dinheiro, mas não é para todos. O pressuposto nas negociações por parte da Câmara foi sempre nunca poder aumentar as verbas, mas afinal não é bem assim, e mais uma vez o Carregado fica para trás porque o executivo foi irredutível, mas Alenquer lá conseguiu. Todos contam..”

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VIAA.T.
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