Folgado farto da Câmara dá sinais de que pode regressar ao ensino já em 2017

Já é considerado o Presidente mais contestado e menos carismático desde que há eleições democráticas em Alenquer. Pedro Folgado começa a dar mostras de cansaço e inadaptação ao cargo de líder de um executivo, todo ele contestado sobretudo pelas práticas anti-democráticas que parecem ter feito... escola.

“Dinâmica, renovação e esperança”. Este era o caminho proposto por Pedro Folgado durante o verão de 2013, no contexto daquela que seria a sua primeira corrida eleitoral absoluta. Até chegar ao estatuto de candidato à Câmara de Alenquer pelo Partido Socialista, Pedro Folgado apenas tinha tido uma experiência de quatro anos na autarquia, mas na qualidade de acessor do então Presidente Jorge Riso. O professor Folgado, como era conhecido por ter vindo do meio académico, vestia desta forma o fato da nova esperança socialista. Riso não tinha correspondido às expectativas elevadas que tinham sido criadas com o abandono de Álvaro Pedro, demonstrando clara inadaptação ao cargo de presidente e passando amiúde a ideia de que andava profundamente desejoso de ver a Câmara pelas costas, e começava em consequência a pairar o espectro de um vazío complicado de preencher. A escola socialista tinha sido incompetente para criar um cenário de sucessão; sem protagonistas capazes na vida activa da política local, restou ao PS de Alenquer alimentar a esperança de que um conjunto de pessoas vindas da área do ensino tivessem a capacidade de ultrapassar num estalar de dedos a inexperiência que resulta de uma ausência anterior absoluta de participação nos orgãos da política autárquica. A verdade é que estes mesmos protagonistas venceram as eleições com maioria absoluta. Não menos verdade: não demonstram ter o mínimo de noção do que são práticas democráticas em orgãos colegiais. A oposição, pela primeira vez em Alenquer desde que o Fundamental acompanha a política autárquica local, deixou de centralizar as suas críticas na obra que não é feita, ou na gestão que eventualmente até possam considerar pouco interessante tendo em conta os superiores interesses do concelho. Também neste particular o famoso paradígma, palavra tão utilizada aquando da crise e perante o cenário de anos futuros sem dinheiro em caixa, sofreu uma profunda alteração. Agora, a oposição eleita na Câmara de Alenquer gasta o seu tempo a procurar encaminhar os eleitos para um conjunto de práticas que ao menos se assemelhem às de um orgão democraticamente eleito. Assim uma espécie de aulas de comportamento básico democrático, a que estes novos eleitos socialistas parecem ser avessos e muito pouco interessados em praticar. Entretanto Pedro Folgado começa a dar sinais de cansaço e inadaptação ao cargo. A irritabilidade com que conduz as reuniões do executivo apenas é superada pelo evidente desinteresse com que aborda todas as questões inerentes à municipalidade, uma parte significativa das quais escapam ao seu conhecimento de uma forma constrangedora. Folgado dá sinais evidentes que não se trata somente de uma questão de ausência de experiência a nível autárquico; antes, e mais preocupante ainda, todos os actores da cena política que rodeiam Presidente e executivo opinam no sentido de considerar que a Folgado e seus pares falta sobretudo maturidade democrática e saber estar num orgão colegial representativo da vontade popular. Os sinais de que está farto da Câmara começam a tornar-se perceptíveis, e a acompanhar o Presidente neste cenário de desconforto estão um conjunto de vereadores da maioria socialista, sobretudo o vice-presidente Rui Costa e a vereadora Dora Pereira, que evidenciam igualmente uma ausência grotesca de habilidade para ocupar os cargos para os quais foram eleitos pelo povo. Em Alenquer a notícia já não se prende com a ausência de obra ou a gestão ruinosa. Agora, os temas do momento relacionam-se com as práticas anti-democráticas do executivo maioritário, com o não saber fazer em relação a procedimentos básicos ou, tão grave como os anteriores, com o desconhecimento do Presidente em relação a matérias fundamentais da vida de Alenquer.

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FONTEA.T.
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