Nem quem passa pelo Convento sabe bem o que lá vai dentro

O Convento das Virtudes parece destinado a ser arma de arremesso político. A Junta quer tomar conta e dinamizar o imóvel, requalificado pela Câmara. António Amaral jura pelos filhos que tem pronto o protocolo a assinar com a Freguesia, e Luís de Sousa garante que está de acordo com a descentralização desta competência, mas a verdade é que o documento continua na gaveta, por ordem de alguém... Silvino Lúcio? Não! O homem lá era capaz de uma coisa dessas...

O Convento das Virtudes desde há muito que se tornou um motivo de discórdia entre a Câmara Municipal de Azambuja e a Freguesia de Aveiras de Baixo, à qual pertence o lugar das Virtudes. A Junta de Freguesia não se cansa de pressionar o município no sentido de se estabelecer um protocolo de utilização que permita a dinamização do Convento. A Câmara Municipal mantém o imóvel fechado, não obstante ter investido milhares de euros na requalificação daquele património histórico. E a Junta, descontente por constatar a falta de dinamização do Convento, quer que a autarquia central passe para a sua posse a competência de dar vida ao famoso Convento. “Temos recebido pedidos de visita ao Convento, mas não podemos organizar o que quer que seja, já que a Câmara não deixa que a Junta o faça. A Câmara não faz, mas também não deixa fazer”, esclarece Carlos Valada, presidente da Freguesia de Aveiras de Baixo. A visita de Marcelo Rebelo de Sousa ao Convento parece ter deixado furiosos os responsáveis pela Câmara Municipal, que acusaram o presidente da Junta de ter utilizado o imóvel requalificado pela autarquia para promoção de um evento de caríz político. Valada esclarece: “poucos dias depois da primeira tertúlia do Convento surgiram uns boatos em Azambuja que disseram que aquilo tinha sido uma iniciativa do PSD, no âmbito dos 40 anos do partido, quando não é nada disso. Só que a partir dessa data recebemos da Câmara Municipal a exigência de entregarmos a chave da porta do Convento”. Existem apenas três chaves do imóvel: uma está na posse da Câmara, a outra está na posse da Junta de Freguesia e uma terceira continua na posse da Associação das Virtudes. A Câmara voltou, há dias, a insistir para que a Junta de Freguesia entregue a chave nos serviços camarários. Valada opina sobre esta pretensão da autarquia central: “aqui é a política quem mais ordena, mais até que o interesse e o desenvolvimento do concelho”, afirma. “O receio está na projecção que aquelas iniciativas possam dar à junta e concretamente ao presidente da junta, e na influência que essa projecção possa ter nos resultados eleitorais de 2017, facilitando uma eventual recandidatura e possivel reeleição nossa. Infelizmente é assim que se pensa na Câmara de Azambuja”, complementa Carlos Valada. No inicio o presidente da autarquia mostrou abertura para assinar o protocolo de colaboração com a Freguesia, que daria à Junta a possibilidade de dinamizar o Convento. Mas numa segunda fase a situação complicou-se, e Valada não hesita em apontar o dedo a António Amaral e a Silvino Lúcio. “Não quero afirmar que são ambos os únicos responsáveis por esta situação, mas a verdade é que há aqui alguém que não está a ser correcto para com a Freguesia. O vereador Amaral garante a pés juntos, e até jura pela saúde dos filhos, que tem o protocolo pronto para ser assinado. O presidente Luís de Sousa sempre disse que assinaria o protocolo. Então eu pergunto: porque é que não se resolve isto de uma vez por todas? Só pode ser porque há quem esteja a emperrar o assunto”, complementa Carlos Valada, que acrescenta ser por esta e por outras razões similares que se diz de Luís de Sousa não ter capacidade de liderança. “Se Luís de Sousa admite que a Junta dinamiza mais aquele espaço; se o vereador Amaral afirma ter o protocolo pronto desde há muito, e se a Junta deseja avançar com o protocolo, então porque razão a assinatura do mesmo não acontece? Só pode ser porque há alguém a meter um travão no assunto”, remata Valada. Quem será, perguntamos?

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FONTEA.T.
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