
O vice-presidente da Câmara de Azambuja afirmou há minutos que sente “vergonha pelo comportamento desumano para com os animais” que foi perpetrado em Azambuja aquando das últimas cheias. Cães foram deixados presos à corrente e coelhos, galinhas e porcos encarcerados acabaram por morrer afogados nos chamados talhões de hortas sociais que a própria câmara arrenda a alguns munícipes. “A culpa não pode morrer solteira”, afirmou por sua vez Silvino Lúcio a este respeito.
António José Matos afirmou mesmo que a veterinária municipal, Marisa Santos, foi confrontada por algumas destas pessoas que deixaram os animais presos e condenados a uma morte horrivel. “Então se é assim não vai ter o meu voto”, disseram alguns destes munícipes ao serem repreendidos pela veterinária, de acordo com o vice-presidente da autarquia de Azambuja, como se esta profissional fosse eleita pelo voto popular.
Recordamos que houve munícipes de Azambuja que são detentores de direito de exploração de hortas sociais nas imediações da sede de concelho que abandonaram animais de espécies pecuárias e domésticas durante as cheias das últimas semanas. O IRA detetou e recolheu dezenas de cadáveres de cães, galinhas e coelhos. As autoridades já trabalham na identificação dos proprietários e esta chacina vai seguir para o Ministério Público.
António José Matos afirmou ainda, no decorrer da reunião do executivo municipal que está a ter lugar em Azambuja, e citamos o vice-presidente, que “todas aquelas hortas e aqueles espaços vão ter de ser repensados; senti vergonha pelo que aconteceu, é inadmissível”, concliuiu Matos. Já Silvino Lúcio afirmou: “Reforço o que disse o senhor vice-presidente: não encontro palavras para descrever o que vi e a culpa não pode morrer solteira”, prometeu o presidente da câmara.
De acordo com o IRA – Intervenção e Resgate Animal, foram “dezenas os animais mortos por afogamento em Azambuja que foram deixados para trás nestas cheias”. Os elementos deste organismo foram chamados de emergência, mas já nada havia a fazer pelo facto dos animais terem sido deixados presos a corrente ou fechados em galinheiros e coelheiras aquando da subida das águas. O IRA referiu-se ao “resgate de animais isolados há vários dias, tendo por isso morrido por falta de alimento e ainda dezenas de animais mortos que não foram atempadamente evacuados, na sua maioria de espécies de pecuária”.
A veterinária municipal de Azambuja garante que todas estas pessoas foram avisadas pela protecção civil atempadamente através de comunicados e algumas pessoas até foram avisadas via telefone em relação ao perigo que as inundações representavam para os seus animais. Silvino Lúcio contou dois casos de pedidos de ajuda: “demos todo o apoio que nos foi pedido, como o caso do engenheiro Jorge Carvalho que pediu apoio para retirar toiros bravos; já no caso do pedido do engenheiro Rui Gonçalves não conseguimos tirar todos os animais, porque estamos a falar de toiros bravos que nem sempre são fáceis de conduzir”.






















