
António Torrão e Luís Benavente protagonizaram hoje uma discussão acesa em plena sessão do executivo municipal de Azambuja. O eleito do PSD afirma que a verba destinada a pagar o salário do acessor de Torrão poderia reforçar o orçamento do município no âmbito da ação social. Já o eleito da CDU reagiu de forma assertiva e Silvino Lúcio defendeu Torrão, alegando tratarem-se de opções políticas.
Tudo começou quando Luís Benavente referiu a verba de 272 mil euros inscrita no orçamento destinada à ação social, acrescentando que os 31 mil euros destinados a pagar a avença do assessor de António Torrão fariam mais falta no reforço a esta verba orçamentada. Recordamos que Torrão foi eleito pela CDU nas últimas autárquicas e aceitou o convite do Partido Socialista, vencedor das eleições, para integrar o executivo a tempo inteiro e tutelar pelouros na autarquia.
Para além da secretária a quem tem direto por lei, António Torrão recorreu ao apoio de um assessor cuja avença orça em cerca de 31 mil euros anuais. Foi esta verba que Benavente “escolheu” para potencialmente acrescentar aos 272 mil euros destinados à ação social cabimentados em orçamento, o que levou António Torrão “aos arames”: “Já percebemos que a grande preocupação do PSD em Azambuja é o vereador António Torrão e o seu assessor”. Sem se deter, o eleito comunista acrescentou: “O PSD quer dizer que não vai haver dinheiro na área social porque o assessor do vereador vai levar o dinheiro para casa”.
Torrão subiu de tom e mostrou-se inconformado com a intervenção de Luís Benavente: “Desculpem lá mas nós temos de levar isto a sério: os senhores estão a querer brincar comigo? Querem cansar-me? Querem que eu me vá embora, como já fizeram em alguns lugares deste país, em que aconselharam e quase que obrigaram as pessoas a ir embora? É essa a vossa democracia?”, questionou Torrão, visivelmente agastado.
Torrão não se conteve: “Deixem-nos em paz, deixem-nos trabalhar. Como se diz por aí, deixem trabalhar o Luís; neste caso também se aploica, deixem-me trabalhar, deixem-nos trabalhar, fazer o melhor que conseguirmos pelo nosso concelho. Desde o primeiro dia que a vossa grande preocupação é o vereador Torrão e o seu assessor”, complementou o eleito e vereador da CDU. Margarida Lopes assistiu à intervenção de António Torrão sem disfarçar um rasgado sorriso. Já Benavente foi mais contido no esgar sorridente no mesmo momento.
Benavente acabaria por responder ao eleito comunista: “A nossa grande preocupação não é o vereador António Torrão, é o município de Azambuja e a área da ação social. O senhor vereador diz que o dinheiro para a ação social é curto mas a primeira ação que faz é trazer um assessor que vais custar 31 mil euros; assim a verba para a ação social ainda fica mais curta”, alegou o filho de João Benavente, antigo presidente da autarquia. Torrão ripostou: “Todos os vereadores a tempo inteiro têm direito a um secretário, ao passo que as verbas na área da ação social são sempre curtas; mas o vosso foco é estarmos aqui, reunião após reunião, a falar do vereador Torrão, como se o PSD não tivesse no país inteiro mais nenhum vereador nestas circunstâncias”.






















