
As reações às noticias e entrevistas que publicamos no Fundamental são frequentes por parte dos muitos leitores e seguidores diários deste nosso e vosso órgão de comunicação. Com a devida autorização do autor, poque a comunicação inicial foi privada, resolvemos tornar pública a posição de Rui Pedro Pires, habitante do Carregado, que se pronunciou sobre o conteúdo das entrevistas que o F-Canal tem levado a cabo aos candidatos à presidência da Câmara de Alenquer.
Refira-se que Rui Pedro Pires foi o presidente de uma federação de pais e de encarregados de educação, a maior do país em área de abrangência, a qual não referimos nesta peça por se tratar de um facto irrelevante para a mesma. Até por que Rui Pedro, reforçamos, emite esta opinião na condição de simples habitante do Carregado. Considerámo-la relevante e desafiámos o autor a permitir a publicação da sua posição. O desafio foi aceite.
Rui Pedro Pires afirmou, dirigindo-se à direção do Fundamental: “Tenho acompanhado com atenção as entrevistas que tem feito aos vários candidatos e, infelizmente, não posso deixar de manifestar alguma frustração relativamente à forma como o Carregado tem sido abordado. Tornou-se quase uma tendência falar da nossa vila durante o período eleitoral — é como se fosse uma “moda” referi-la nos discursos — mas, na prática, nada de concreto se vê a acontecer”.
Rui Pedro acrescenta: “A sensação que temos, enquanto residentes, é que o Carregado serve apenas para alimentar promessas e intenções vagas, que raramente se traduzem em ações reais. O mais preocupante é que, apesar de todo o destaque verbal, as decisões e os investimentos continuam a ser canalizados maioritariamente para a sede do concelho, a Vila de Alenquer. Isto verifica-se em várias áreas: no património edificado, nas iniciativas culturais e até nas infraestruturas desportivas”.
Rui Pedro Pires ainda opinou neste contexto: “Estou profundamente convicto de que o futuro de Alenquer deve ser construído sobre um modelo de desenvolvimento urbanístico equilibrado, que harmonize a modernidade com a preservação da nossa identidade, tão rica e única. Tal como acontece em vilas de referência, como Óbidos, é imperativo reconhecermos e valorizarmos o imenso património histórico e cultural que nos foi legado, transformando-o num alicerce firme e inspirador para o nosso progresso coletivo”.
O antigo dirigente associativo, aqui numa condição de simples cidadão, acrescentou: “É, por isso, indispensável adotarmos uma nova visão para a organização urbana do concelho, reconhecendo, com toda a clareza e sentido de responsabilidade, o papel central da vila do Carregado. Esta vila, que acolhe milhares de habitantes e trabalhadores, que vive a dinâmica da sua localização estratégica e que, apesar das insuficiências infraestruturais, demonstra uma resiliência e um potencial extraordinários, merece e exige um investimento sólido, estruturado e sustentável”.
Rui Pedro afirma também, e citamos o autor, que “Defender o património histórico e cultural da vila de Alenquer, promover a requalificação urbana do Carregado e garantir uma qualidade de vida digna e equitativa em todas as freguesias do concelho são tarefas urgentes e inadiáveis. É tempo de olharmos para o nosso território com coragem, com visão e com um profundo respeito por todos aqueles que diariamente constroem a identidade desta terra. Só assim poderemos forjar um concelho coeso, vibrante e preparado para os desafios que o futuro nos reserva”.
E voltou a falar do “seu” Carregado: “No caso particular do Carregado, urge responder às necessidades educativas de forma clara e ambiciosa. A construção de uma nova escola secundária, que integre uma oferta formativa inovadora, nomeadamente nas artes, é uma prioridade que não pode ser adiada. De igual modo, a criação de uma escola profissional que responda às reais necessidades do nosso tecido empresarial é fundamental para que os nossos jovens encontrem aqui as oportunidades que merecem. Paralelamente, é essencial que a política desportiva municipal seja repensada e estruturada de forma integrada, acabando com divisões e rivalidades que pouco acrescentam e que só limitam o potencial dos nossos jovens. A igualdade de oportunidades, a inclusão e o desenvolvimento pleno das nossas crianças e jovens devem ser o nosso compromisso inabalável”.
Por fim, Rui Pedro Pires afirma que “é fundamental que a vila do Carregado seja dotada de espaços verdes e de lazer que promovam o convívio, a partilha e o sentido de comunidade. Espaços que não sejam apenas locais de passagem, mas que se transformem em verdadeiros lares de encontros, de vivência e de acolhimento para todos aqueles que escolheram Alenquer para começar uma nova vida. Este é o momento de agir, de investir e de acreditar no potencial imenso do nosso concelho, no talento das suas gentes e na riqueza da sua história. É assim que construiremos, juntos, o Alenquer do futuro, com alma, com força e com esperança”.
Rui Pedro Pires não é político nem candidato a qualquer cargo autárquico. Foi presidente de uma federação de pais e de encarregados de educação mas sobretudo é um habitante desta terra que, como muitos outros anónimos, demonstra ter visão e uma ideia para o futuro. Por essa razão decidimos publicar a sua opinião, que surgiu inicialmente sob a forma de uma mensagem particular.


























