
João Mário Ayres d’Oliveira faleceu esta quarta-feira, dia 26 de fevereiro. O consagrado pintor e antigo presidente da Câmara de Alenquer tinha 92 anos. O Município de Alenquer vai decretar dois dias de luto municipal. João Mário começou por ser vereador municipal em 1963 e mais tarde ocupou o cargo de Presidente do Município entre 21 de abril de 1967 e 18 de junho de 1974, tendo sido o primeiro a desempenhar funções no pós-Revolução dos Cravos.
“João Mário nasceu em Lisboa a 26 de setembro de 1932 e dedicou a vida a Alenquer e às artes. Foi na vila-presépio que se sedimentou até ao último dia de vida e mostrou ser um pintor naturalista com reconhecimento nacional”, afirma fonte da autarquia em comunicado. “O discípulo de António Duarte Almeida e Domingos Rebelo frequentou os cursos de pintura e desenho da Sociedade Nacional de Belas Artes e expôs em grandes cidades como Madrid, Lisboa, Porto e Leiria”, acrescenta a mesma fonte.
Recordamos que o Presépio Monumental, figura icónica da vila alenquerense, pertenceu à mente e à pena criativa de João Mário. Após as cheias de 1967, o então Presidente da Câmara Municipal imaginou esta forma de homenagear as centenas de vítimas da catástrofe sentida pela comunidade local. Em 1993 recebeu a Medalha Municipal de Mérito no seu grau ouro por parte da Câmara de Alenquer. O artista conta também com o seu nome na placa toponímica de uma rua em Alenquer, concretamente em Casais Novos.
Já a Casa-Museu João Mário abriu portas na Travessa de São Benedito em Alenquer em 1992 e recebe desde então milhares de visitantes que pretendem ver de forma livre as mais de 400 obras expostas do eterno mestre ou de autores reconhecidos como Silva Porto, José Malhoa, Veloso Salgado, Ortiz Alfau, Vicente Romero ou Helena Abreu. É claramente um local de passagem obrigatória em Alenquer.
“A vivência de João Mário, homem que sempre se destacou pela sensibilidade e boa disposição ao longo da vida, não esgotou a atividade no espectro político ou nas artes. Durante décadas foi um verdadeiro impulsionador do associativismo em Alenquer, desempenhando vários cargos de relevo em entidades que apostaram na vida social e que ainda hoje têm um legado histórico relevante no território”, acrescenta a mesma fonte da autarquia presidida por Pedro Folgado.
O atual presidente do município destaca esta que considera ter sido uma figura referencial para todos os alenquerenses: “João Mário foi muito importante para Alenquer. Ficará para sempre ligado a Alenquer e Alenquer ligada a ele porque estamos a falar de um homem de várias facetas; foi autarca e foi um pintor reconhecido, que pintou Alenquer até aos últimos dias de vida, promovendo o território e sempre foi esse o seu objetivo nas atividades que lhe propusemos ao longo dos tempos”, afirmou Pedro Folgado.
O presidente acrescentou: “Era meu amigo e é sempre difícil ver partir um amigo, amigo de Alenquer. É uma grande perda para Alenquer de alguém cuja boa disposição era uma condição sempre presente e que deixava as pessoas bem dispostas”, referiu. O luto municipal foi decretado por dois dias no território de Alenquer, a cumprir nesta 5ª e 6ª feira, 27 e 28 de fevereiro. Já o velório tem lugar na Igreja de São Francisco esta 4ª feira (26 de fevereiro) a partir das 19 horas. O funeral acontece quinta-feira, 27 de fevereiro, no mesmo local, a partir das 15 horas.























