Lopes de regresso puxa orelhas aos vereadores do PSD: “É preciso bom-senso e responsabilidade”

"Será que os actuais membros da Câmara estão de tal forma entrincheirados nas suas táticas políticas que já não conseguem conversar e construir um acordo que "contorne" a questão da eventual ilegalidade e ajuste o calendário de pagamento do subsídio necessário?" António Jorge Lopes saiu da "sombra" para vir publicamente puxar as orelhas também aos vereadores do seu Partido Social Democrata.

António Jorge Lopes é uma figura incontornável da política autárquica em Azambuja. Umbilicalmente ligado ao PSD nas últimas mais de 3 décadas, o advogado de Azambuja saiu da “sombra” em que mergulhou desde há muito para vir publicamente puxar as orelhas também aos vereadores do seu Partido Social Democrata, numa intervenção na sua página numa rede social que está a ter muito impacto.

Este “regresso” de Lopes à intervenção autárquica é justificada pelo próprio com a polémica que por estes dias tem incendiado Azambuja. Bombeiros Voluntários locais estão totalmente de candeias às avessas com os chamados partidos da oposição (PSD e Chega), tudo por causa de uma verba de 250 mil euros que a autarquia, e em concreto a maioria socialista, pretendia atribuir aos voluntários com o fim de subsidiar a aquisição de um veículo de desencarceramento, que a corporação reivindica desesperadamente desde há anos.

Sobre o assunto Lopes comenta: “Sinto o dever de me pronunciar sobre a polémica que envolve os Bombeiros de Azambuja e os vários partidos, sejam eles da posição ou da oposição, e com a experiência de quem ao longo de 12 anos analisou, discutiu e aprovou mais de 100 propostas de subsídios ou apoios financeiros aos Bombeiros de Azambuja e de Alcoentre, aos vários Núcleos da Cruz Vermelha (houve um tempo em que havia vários), às IPSS’s, à CERCI e a todas as associações culturais e desportivas do nosso Concelho de Azambuja”.

Depois de explicar ao que vinha, António Jorge Lopes prosseguiu: “Dessas mais de 100 propostas, houve uma boa dúzia delas que mereceram a nossa contestação inicial (normalmente por questões processuais e legais), que foram adiadas e depois alteradas e, por fim, votadas com o nosso voto favorável; julgo até que todas essas propostas acabaram por ser aprovadas por unanimidade, com os votos de todos os vereadores sem olhar a cores partidárias”.

Depois de ter dado arranque ao puxão de orelhas e de contextualizar o “seu” passado ao serviço da autarquia, Lopes afirma: “Os Voluntários de Azambuja e o seu Corpo de Bombeiros há muito que defendem a aquisição do veículo de desencarceramento e todos os partidos concordam com esta necessidade e também concordam que o apoio financeiro do município para a aquisição da viatura deve ser no valor de 250 mil euros; contudo, daquilo que percebi até agora, não existe acordo quanto a duas questões principais: no modo de entregar esse subsídio à Associação Humanitária, porque há dúvidas sobre a legalidade da modalidade escolhida, uma espécie de “carta de conforto” que sustente um empréstimo bancário a contrair pela Associação; e no tempo da entrega desse subsídio, porquanto a oposição quer o dinheiro entregue durante o ano de 2024 e o PS/CDU defendem que o subsídio deve ser entregue em 30 prestações ao longo de 15 anos”.

E depois de explicar o problema sob o seu ponto de vista, Jorge Lopes passa ao puxão de orelhas coletivo: “Será que os actuais membros da Câmara de Azambuja, independentemente da sua cor partidária, não conseguem reunir o bom-senso, o sentido de responsabilidade e o diálogo sincero que se conseguiu construir nos mandatos em que estive como vereador e em que foram presidentes Joaquim Ramos e Luis de Sousa?”. Levaram todos por tabela, incluindo os correligionários Rui Corça e José Paulo Pereira.

Mas Lopes não ficou por aqui e carregou com o polegar na cabeça dos eleitos: “Será que os actuais membros da Câmara estão de tal forma entrincheirados nas suas táticas políticas que já não conseguem conversar e construir um acordo que “contorne” a questão da eventual ilegalidade e ajuste o calendário de pagamento do subsídio necessário?”.

Por fim, citando todos os 7 vereadores eleitos no executivo pelos nomes, remata: “A solução para desbloquear a atual situação de impasse apenas está nas vossas mãos”. Uma tremenda lição de alguém que com a idade claramente ganhou bom-senso.


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VIAAlexandre Silva
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