Alenquer: Associação ambiental propôs à Câmara lápide de Camões no Jardim das Águas

A ALAMBI propôs à Câmara de Alenquer a construção de uma lápide evocativa do Poeta Luís de Camões no Jardim das Águas.

A ALAMBI propôs à Câmara de Alenquer a construção de uma lápide evocativa do Poeta Luís de Camões no Jardim das Águas. Fonte da Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer justifica: “Sendo uma honra para Alenquer ter referenciada n’Os Lusíadas uma das suas mais impressionantes belezas naturais, a Alambi propôs à autarquia a edificação no Jardim das Águas, junto aos olhos de água, de uma lápide invocativa de Camões com o trecho da grade obra do poeta invocativo daquele lugar”.

São, de resto, conhecidas as ligações de Luís de Camões a Alenquer. Segundo Luciano Ribeiro (Vasco Perez de Camões, Alcaide de Alenquer, Lisboa, 1949), a família de Camões seria de origem galega, tendo o seu trisavô vindo para Portugal com o exército do rei D. Fernando, aquando de uma invasão que este fez à Galiza em 1369, intervindo numa disputa dinástica. O trisavô de Camões, Vasco Perez, terá tomado partido nessa disputa pelo lado perdedor e acabou por vir para Portugal quando as tropas portuguesas retiram.

Terá então entrado no círculo da rainha D.ª Leonor, torna-se amigo do Mestre de Avis e obtém vastos domínios, de entre os quais as alcaidarias de Vila Verde dos Francos e de Alenquer, esta concedida em 1383 por D. Fernando. Na crise dinástica de 1383, desencadeada com a morte de Fernando, Vasco Perez terá tomado o partido de Castela, cujo rei é agora D.Juan II e participa na batalha de Aljubarrota pelo lado castelhano, onde é feito prisioneiro. É despojado dos seus bens mas D. João I teria consideração por ele e ainda lhe mantém algumas concessões, entre as quais casas em Alenquer.

É bastante conhecido o soneto em que Camões escreve: criou-me Portugal na verde e cara pátria minha, Alenquer”; este soneto sugere uma ligação a Alenquer que vem dos tempos de infância, que alguns dizem tratar-se de um epitáfio dedicado a um soldado alenquerense seu amigo; menos conhecida, porém, será a sua amizade com D. António de Noronha, fidalgo da casa senhorial de Vila Verde dos Francos e vice-rei da índia, a quem o poeta dedicou um soneto depois de ter conhecimento da sua morte, ocorrida em 1573.

Já Catarina de Ataíde, a célebre Natércia de Camões, seria segundo Luciano Ribeiro (A Fundação de Vila Verde dos Francos) uma neta de Vasco da Gama e mulher de D. Pedro de Noronha, sétimo senhor de Vila Verde dos Francos. Atesta ainda o grande conhecimento que Camões tinha da região uma referência aos touros da Merceana, numa das cartas da índia na qual, queixando-se da inveja, da maledicência e da ingratidão dos homens de Portugal, abençoa a sua partida para a Índia onde, escreve, “vivo mais adorado que os toiros da Merciana”, demonstrando um grande conhecimento da adoração que nesta terra era prestada ao boi Marciano, ídolo da confraria da Nossa Senhora da Piedade.

Fonte da ALAMBI acrescenta: “Não é por acaso que o largo principal da Merceana tem o nome de Camões, como pode ser verificado no memorial que ali foi erguido ao poeta, com a inscrição da sua referência aos touros que em tempos ali usufruíam de boas pastagens e se converteram em motivo de adoração religiosa”.

Já no canto III d’Os Lusíadas, estância 61, narrando a conquista aos mouros das cidades e vilas do sul de Portugal pelo rei Afonso Henriques, com a ajuda de uma esquadra de cruzados, Luís de Camões exclama:

Já lhe obedece toda a Estremadura,
Óbidos, Alanquer (por onde soa
O tom das frescas águas entre as pedras,
Que murmurando lava) e Torres Vedras.

A mesma fonte da ALAMBI justifica: “O local de Alenquer referido por Camões, de onde brotam frescas e abundantes águas por entre as pedras, é bem conhecido e continua a existir, embora já com feições artificias que não teria ao tempo em que o poeta aqui terá vivido. Camões escreveu sobre os olhos de água de Alenquer, situados no jardim das Águas, essa fonte generosa que o impressionou, que constitui uma das referências da vila e que continua a proporcionar um espetáculo natural que nos deleita”.

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VIAAlexandre Silva
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