

O União Desporto e Recreio de Vila Nova da Rainha está a viver um momento delicado, que poderá comprometer o futuro imediato desta colectividade do concelho de Azambuja. Nesta altura o clube não tem direcção e a situação financeira agrava-se de dia para dia, com dívidas a acumular em diversas frentes, sem que o UDR tenha actualmente capacidade para gerar receitas que combatam as necessidades de tesouraria. Rui Costa foi presidente do Recreio de Vila Nova durante seis anos, periodo correspondente a 3 mandatos, sendo que o actual terminaria precisamente neste mês de Outubro. Contúdo, Costa apresentou o seu pedido de demissão, que foi aceite a 11 de Julho. O antigo presidente da direcção do UDR falou ao Fundamental, tendo garantido que apresentou as contas do clube de forma criteriosa e rigorosa, e inclusive facultou provas dos mesmos relatórios de contas, que foram aprovados por unanimidade. Até final de Junho a colectividade de Vila Nova da Rainha não apresentava quaisquer valores em dívida, tendo um saldo positivo – dinheiro em conta – de cerca de mil e quinhentos euros. Posteriormente terá aparecido a factura do serviço de contabilidade, ainda correspondente ao primeiro semestre de 2016, cujo valor ascendia a cerca de 500 euros. Mesmo assim, o saldo deixado por Rui Costa foi positivo, tendo o antigo presidente do Recreio garantido igualmente que todas as questões de gestão corrente ficaram resolvidas e em dia, tais como pagamentos de serviços (água, luz) ou seguros e impostos de selo das viaturas. “Foi assim que eu vi o meu pai dar-me este género de exemplos, e é esse género de comportamento que eu quero deixar como exemplo para os meus filhos”, declarou Rui Costa ao Fundamental. Mas então como é que o Recreio de Vila Nova se afunda em apenas três meses?
Expiral recessiva. Rui Costa alegou questões relacionadas com a sua vida pessoal para antecipar o final do seu mandato. Depois de seis anos à frente dos destinos do UDR, o empresário do ramo hoteleiro quis cumprir com uma promessa frequente para com os filhos: dedicar-lhes mais tempo e devolver-lhes a atenção “roubada” nos derradeiros anos, por conta do projecto “União Desporto e Recreio”. Por essa razão resolveu sair em finais de Junho, mas a vontade de sair já vinha de Dezembro de 2015, e só não foi concretizada nessa altura para não colocar em causa o bom funcionamento do clube ao nível dos escalões de formação. Assim sendo, Costa deixou de exercer funções de presidente a 11 de Julho. De então para cá o clube tem vindo a pique: o Fundamental sabe que as facturas da água não são pagas desde Julho e já paira no ar a ameaça de corte deste serviço. Entretanto já existem valores em dívida para com a Associação de Futebol de Lisboa, relativos a taxas de urgência na inscrição de jogadores da equipa sénior, bem como valores das próprias inscrições não englobados no protocolo existente entre AFL e Município de Azambuja. O clube não tem direcção, depois da demissão da última lista eleita, liderada pelo antigo presidente da mesa da assembleia geral do UDR, Carlos Nabais, o que já ocorreu em Setembro. Nabais alegou falta de capacidade para governar o Recreio nas actuais circunstâncias em que o clube se encontra. Por outro lado, esta direcção nunca produziu actas da sua tomada de posse, pelo que não actualizou os registos junto da Associação de Futebol de Lisboa. Uma vez que Rui Costa já apresentou na AFL um documento informando que já não é presidente do clube, na prática esta situação leva a que o Recreio esteja neste momento impedido de inscrever atletas naquela associação, porquanto oficialmente não consta naquele organismo que o UDR tenha uma direcção legítima em funções. O clube estava inscrito nos campeonatos de iniciados e juvenis, mas não informou a AFL da sua intenção de desistir de participar nos mesmos, pelo que terá de pagar uma multa à associação, para além de ficar impedido de participar nestas provas durante as próximas duas épocas. O dinheiro das receitas do futebol de formação tem sido essencial para o sustento da equipa sénior, que nesta altura não conta com esta receita e, em consequência, também não conta com a receita do bar, que não tem viabilidade por não haver escalões de formação em actividade. A equipa sénior, para além de estar impedida de inscrever jogadores (neste momento tem 15 atletas inscritos) já teve que cortar nos almoços de Domingo, reduzindo para apenas dois dias estas refeições oferecidas aos jogadores em cada jornada. Sem receitas e com as despesas a bater à porta todos os dias, o União Desporto e Recreio vive um momento delicado.
















