Carregado apertou com Pedro Folgado por causa do parque de camiões

A população do Carregado deixou bem claro o seu total descontentamento em relação à falta de atenção da autarquia de Alenquer para com esta freguesia. Foi durante a reunião de ontem que juntou mais de meia centena de habitantes no Centro Comercial Palmeiras. Frente a frente com o presidente da câmara.

A população do Carregado deixou bem claro o seu total descontentamento em relação à falta de atenção e de soluções da autarquia de Alenquer para com a segunda maior freguesia deste concelho. Foi durante a reunião de ontem que juntou mais de meia centena de habitantes no Centro Comercial Palmeiras. Frente a frente com o presidente da câmara.

Em causa está o polémico parque de estacionamento de camiões que existe há 15 anos em terrenos da Quinta do Barrão, paredes meias com a urbanização da Barrada. O parque serve de estacionamento para várias dezenas de pesados, mas não apresenta o mínimo de condições, sendo o piso em terra batida um dos maiores problemas devido às quantidades significativas de poeira que o mesmo gera e que invadem a zona habitacional contígua.

Diz quem mora nos prédios da urbanização que ali a qualidade de vida não existe. Há quem garanta ter problemas respiratórios devido a este cenário, e há quem tome medicação para conseguir dormir, tal é o barulho que resulta das câmaras de frio de muitos dos camiões e que se prolonga por toda a noite. Refira-se que alguns destes pesados não estacionam no parque e preferem parquear nas próprias ruas da Barrada, quase sempre estacionados em plena via, onde danificam infraestruturas e anulam a visibilidade dos restantes veículos.

Todos estes problemas – que já duram desde há década e meia – foram o motivo para que a população se unisse. Márcia Costa deu o primeiro passo e convocou os habitantes da Barrada para uma primeira reunião que teve lugar a 3 de Junho. A AMCEI juntou-se a este movimento, que tem ganho força com o passar das semanas. Pedro Folgado teve conhecimento da iniciativa popular e quis ele próprio reunir com os carregadenses.

Tal como já relatámos, a reunião teve lugar no final da tarde desta quarta-feira. Foram 3 horas de conversa animada entre presidente de câmara e população. Pedro Folgado rapidamente teve noção de que os habitantes do Carregado não estão pelos ajustes: cansados de serem esquecidos e negligenciados, os carregadenses estão dispostos a tudo para lutar pela qualidade de vida a que têm direito.

De resto, a reunião de ontem deixou bem claro que a câmara não vai conseguir continuar a enganar os habitantes do Carregado com promessas e histórias. Pedro Folgado apresentou um projecto para o terreno da Quinta do Alconchel, em frente ao Supermercado Aldi. Ali será construído o futuro parque de pesados – o terreno já é propriedade da autarquia alenquerense.

Folgado falou numa estrutura que vai ter bombas de combustível, restaurante, casa para dormidas, casas de banho com chuveiros e segurança. Ou seja, praticamente tudo o que já existe a metros de distância, como são os casos dos restaurantes e das bombas de combustível. Mais concorrência para quem já garante empregos a muitos cidadãos do Carregado.

Márcia Costa respondeu ao presidente da câmara: “qualquer pessoa saca da internet um programa e faz um projecto desses. A obra está adjudicada? O projecto está feito e aprovado?”. Parece que não. Ou seja, no Carregado Folgado já não se safa com promessas assentes em alicerces de papel. Márcia Costa acrescenta: “De tudo o que o senhor presidente da câmara disse, eu só acredito na compra do terreno; de resto, não acredito em mais nada. Você veio ao Carregado tentar acalmar-nos com documentos que não são oficiais e que qualquer um faz se tiver um computador com internet”.

Refira-se que o presidente da câmara de Alenquer não adiantou qualquer prazo para a concretização deste projecto, o que significa que o calvário dos habitantes do Carregado está para durar. Márcia Costa acrescenta: “Não vamos dar descanso à câmara, disso pode o senhor presidente ter a certeza; não descansaremos até vermos restabelecida a nossa qualidade de vida. Pagamos fortunas de impostos e de IMI e não é admissível que se viva num contexto destes”, refere a cidadã, que também elogiou todo o apoio e participação cívica que tem sido garantida nesta luta pelos responsáveis da AMCEI – Associação Multicultural para um Carregado mais Empreendedor e Inclusivo.

 

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VIAAlexandre Silva
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