Aveiras: lojistas do centro dizem que novas regras de trânsito estão a matar o comércio

Os comerciantes do centro de Aveiras estão descontentes com as novas regras de trânsito que foram implementadas pela Câmara. O novo regulamento retirou um enorme afluxo de carros do centro da vila e os lojistas queixam-se de ter cada vez menos clientes.

Os comerciantes do coração da vila de Aveiras de Cima estão descontentes com as novas regras de trânsito que foram implementadas pela Câmara há poucas semanas. O novo regulamento retirou um enorme afluxo de carros do centro da vila. Como consequência, lojistas queixam-se de ter cada vez menos clientes e já pensam em fazer um abaixo-assinado ou mesmo em marcar presença em peso numa reunião de Câmara ou sessão de Assembleia Municipal.

Os comerciantes referem-se à falta de movimento, tanto de veículos como de pessoas, e também à confusão e ausência de senso que alguma sinalização evidencia. A definição dos lugares permitidos para estacionamento – e sobretudo a ausência dos mesmos – também não agrada. “A maior parte das pessoas pagou parqueamento, e agora nem permissão para estacionar o carro à porta temos”, conclui a mesma lojista.

A situação começa a ganhar contornos de preocupação e deu até origem a uma reunião que teve lugar na noite de ontem, segunda-feira, dia 25 de Fevereiro. Lojistas e comerciantes estabelecidos na zona central de Aveiras vêem cada vez menos pessoas e movimento na Praça da República e ruas adjacentes. “Olhos que não vêem, coração que não sente”, desabafou uma lojista, que se queixa de não ver nem carros nem pessoas. E tudo desde que as novas regras de trânsito foram implementadas nas ruas da vila.

A rua António Amaro dos Santos permitiu, desde sempre, o trânsito em ambos os sentidos. Esta artéria efectua ligação entre o Largo da República e a zona da Milhariça. Desde que foram aplicadas as novas regras de trânsito, os veículos que circulam no sentido do Largo são agora obrigados a subir a Travessa da Ameixoeira, e posteriormente a descer a Rua da Ameixoeira até chegar então ao coração de Aveiras. Um acréscimo de quase mais um quilómetro mas que, de acordo com os comerciantes que ouvimos, faz toda a diferença. “Quem faz esse desvio já não vem para o centro de Aveiras, e acaba por ser desviado mas é para gastar dinheiro no supermercado que está situado à saída de Aveiras”, acrescentam.

A Câmara de Azambuja já iniciou as obras de construção do novo parque de estacionamento, que terá capacidade para cerca de 180 viaturas. As obras estão a condicionar o trânsito na Travessa da Fonte Santa. “O parque vai beneficiar apenas os restaurantes, porque o pequeno comércio está a morrer e vai morrer com esta ausência de movimento”, acrescenta a lojista com quem falámos.

Ainda de acordo com a mesma lojista, que pediu para não ser identificada, a posição dos comerciantes já foi transmitida a António Torrão. O presidente da Junta de Freguesia terá respondido que a nova regulamentação do trânsito é definitiva. “Já não se pode fazer coisa alguma, pois está tudo decidido”, terá respondido o autarca. Mesmo assim, e de acordo com a mesma fonte, “na Junta aconselharam-nos a fazer um abaixo assinado”.

Certo é que todas as mudanças são “vendidas” como melhorias, mas na verdade a maior parte das mesmas acaba por conduzir à desertificação dos centros históricos, ao abandono da frequência dos estabelecimentos comerciais e hoteleiros e, em consequência, à falência do comércio tradicional e à destruição de uma parte substancial da memória colectiva das comunidades.

 

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VIAAlexandre Silva
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