
Ana Coelho não poupou nas palavras nem recorreu a eufemismos para classificar a existência da barragem da Retorta na Herdade da Torre Bela. Para a vereadora eleita pelo Partido Socialista na Câmara de Azambuja e responsável pela Proteção Civil, aquela massa de água gigante e ameaçadora é uma “construção criminosa”. A autarca abordou o assunto no decorrer da reunião do executivo que decorreu na manhã desta quarta-feira em Azambuja.
“Nós tivemos conhecimento desta situação no dia em que o encarregado que lá estava ligou ao senhor coordenador (da Proteção Civil) e nós fomos ao local na sequência desse telefonema”. A vereadora complementou: “Quando chegámos ao local deparámo-nos com uma situação criminosa”. A vereadora esclarece: “Não tenho outra forma de a apelidar: é uma situação criminosa. Quando alguém constroi uma barragem daquela dimensão, com aquele caudal de água e sem qualquer tipo de descarregador, trata-se de uma atitude criminosa”.
Ana Coelho complementa a este propósito: “Muitos têm sido os dedos que são apontados ao município sobre este assunto nos últimos dias, mas no município ninguém tinha informação nem nada fazia prever que ali houvesse uma barragem com aquela dimensão, com aquela massa de água e sem que houvesse um descarregador”. Silvino Lúcio também lembrou que não é pelo município que passam os pedidos de licenciamento deste tipo de barragens, sobretudo numa herdade que tem mais de 500 hectares, está vedada e é privada.
A vereadora complementou ainda sobre o mesmo tema: “Em 2020 não tínhamos dados para efetuar a avaliação daquele local, tal como diz o Plano Municipal de Emergência, por se tratar de uma propriedade privada, e dessa forma não pudemos efetuar qualquer análise de risco nem tão pouco o levantamento daquele ponto de água de forma a referencia-lo para os meios terrestes e aéreos para servirem de apoio na época de incêndios”, afirmou Ana Coelho.
Recordamos que no passado dia 10 de fevereiro a Ministra do Ambiente e Energia visitou a Herdade da Torre Bela com o objetivo de acompanhar no terreno a situação hidrológica desta barragem. Ainda que se tratasse de um assunto de manifesto interesse público, a entrada na Herdade e a respetiva visita à barragem foi vedada aos jornalistas que acompanharam a comitiva da minsitra e dos eleitos locais.
Atualmente parte da Herdade da Torre Bela está ocupada por painéis de produção de energia solar, mas continua a ser notícia devido à forma como se suspeita que alguns animais que viviam em liberdade terão ficado “enleados” nas construções dos humanos, abandonados à sua sorte e “esmagados” no seu cada vez mais exíguo território, onde muitos acabaram por morrer à fome. Em causa estão espécies como veados, gamos e javalis. Quanto à barragem “criminosa”, nas palavras de Ana Coelho, fica no ar a dúvida sobre o propósito da construção da mesma.























