Última hora: aumento da fatura da água em Alenquer recua – acordo com a AdA volta à estaca (quase) zero

O acordo entre a Câmara de Alenquer e a AdA para alcançar o reequilíbrio financeiro previsto no contrato de concessão já não vai ser votado na Assembleia Municipal desta noite. Há a convicção de que a AdA poderá obter os benefícios que estão contratualmente previstos sem recorrer necessariamente ao aumento do preço da água.

O acordo estabelecido entre a Câmara de Alenquer e a empresa Águas de Alenquer (AdA) com o objetivo de alcançar o reequilíbrio financeiro previsto no contrato de concessão já não vai ser votado na Assembleia Municipal que está a decorrer nesta noite de sexta-feira, dia 26 de abril. Este ponto foi retirado da ordem de trabalhos por haver a convicção de que a AdA poderá obter os benefícios que pretende e que estão contratualmente previstos sem recorrer necessariamente ao aumento do preço da água que é fornecida aos habitantes do concelho de alenquer.

Recordamos que este acordo foi recentemente alcançado entre a empresa concessionária e o Município de Alenquer, tal como o Fundamental noticiou em primeira mão no decorrer da reunião extraordinária do executivo alenquerense, ocorrida a 11 de abril, destinada a debater este assunto em exclusivo. Os termos do acordo e o longo caminho percorrido para o alcançar foram apresentados aos eleitos pelo especialista Poças Martins, contratado pela autarquia para conduzir as negociações com a Águas de Alenquer.

Relembramos igualmente que o pedido de reequilíbrio efetuado pela AdA data de 2016, sendo que esta possibilidade está prevista nos termos do contrato de concessão que foi assinado em 2003. Pedro Folgado afirmou reiteradamente não estar disponível para concordar com aumentos da tarifa da água. O Concelho de Alenquer já apresenta neste particular um custo acima da média para os seus munícipes, e neste contexto o presidente da autarquia resistiu e continua a resistir às pretensões da concessionária, que deseja aumentar a tarifa por via da obtenção do tal acordo de reequilíbrio.

Já posteriormente à sessão extraordinária do passado dia 11 o acordo foi analisado pela Comissão do Ambiente, que integra eleitos de todos os partidos com assento na Assembleia Municipal de Alenquer. João Miguel Nicolau, lider da bancada do PS neste organismo e coordenador do partido a nivel local, referiu já hoje, sexta-feira, que haveria uma forte possibilidade da discussão e consequente votação do acordo alcançado entre CMA e AdA não virem a acontecer no decorrer da Assembleia Municipal desta noite.

João Miguel Nicolau afirmou ao Fundamental, no decorrer da rúbrica “Alenquer e a Região em Perspectiva”, que assina mensalmente no nosso canal: “Já depois do acordo ter sido apresentado, discutido e votado em reunião de câmara a Comissão do Ambiente (da AM de Alenquer) reuniu com o executivo liderado pelo Presidente Pedro Folgado e também com o Professor Poças Martins; consideramos que ainda é possível fazer mais para que a AdA alcance os objectivos previstos no reequilíbrio financeiro pretendido mas sem que isso represente um aumento das tarifas da água em Alenquer”.

O líder da bancada do PS na Assembleia Municipal acrescentou: “Não estou de acordo com o aumento da tarifa; esta terá de ser, de resto, a última solução possível, e neste momento consideramos haver outras soluções que permitam à empresa concessionária lograr alcançar esse ajuste sem que tal passe pelo aumento da tarifa da água”. O acordo, recordemos, teria de ser aprovado em Assembleia Municipal para que a empresa Águas de Alenquer pudesse aplicar os novos preços nas faturas dos alenquerenses. O que, para já, não vai acontecer.

Assim sendo, o acordo entre Câmara de Alenquer e empresa concessionária regressará à estaca (quase) zero. Será então necessário encetar novas negociações de forma a que a empresa alcance os seus propósitos de “reequilíbrio” sem que tais desígnios signifiquem um aumento no preço da água para os (já neste contexto) martirizados alenquerenses. Resta agora esperar pela reação da empresa Águas de Alenquer a este retrocesso negocial, com o qual seguramente não contava.

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VIAAlexandre Silva
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