Carregado afunda-se em lixo: ALAMBI e moradores denunciam inércia da Junta de Freguesia

Na Freguesia do Carregado multiplicam-se os amontoados de lixo e de "monos"; a população queixa-se da inércia da Junta de Freguesia e a associação ambientalista de Alenquer também denuncia o estado lastimoso a que o Carregado chegou neste contexto.

Na Freguesia do Carregado multiplicam-se os amontoados de lixo, sobretudo os denominados “monos”, resíduos de grande dimensão que vão sendo descartados pelos moradores e depositados junto aos ecopontos. A população queixa-se da inércia da Junta de Freguesia e a associação ambientalista de Alenquer também denuncia o estado lastimoso a que o Carregado chegou neste contexto.

É o caso de Paulo Afonso, de 51 anos, morador no Carregado há 45. Paulo é um dos muitos exemplos de leitores que se dirigem ao Fundamental frequentemente, tendo todos em comum as queixas que este morador aqui bem explica: “Gostaria de pedir que fizessem uma reportagem sobre o desleixo por parte dos serviços públicos que a Vila do Carregado está a viver, nomeadamente no que diz respeito à limpeza, pois são sistematicamente contentores e ilhas ecológicas a transbordar de lixo, os passeios na Barrada mais parecem hortas e alguns espaços verdes estão completamente secos”.

A este propósito Francisco Henriques, dirigente da ALAMBI, refere: “As situações mais graves que encontramos estão na freguesia do Carregado onde as ilhas ecológicas mais periféricas como a que se situam junto à Escola Básica Integrada ou junto à zona comercial do Intermarché servem para depositar monos, mas também onde encontramos monos junto a ilhas ecológicas situadas em pracetas da Barrada ou na urbanização do Sarra”.

O dirigente da Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente no Concelho de Alenquer acrescenta: “Este ano foram inaugurados dois ecocentros nas freguesias de Meca e Aldeia Galega/Aldeia Gavinha que vieram juntar-se aos outros dois já existentes, na Barnabé e na Lixeira do Archino. Isto é, em todo o município de Alenquer apenas existem 4 ecocentros”.

Sem locais onde depositar monos a própria população acabou por estabelecer, de modo informal, locais onde depositar esses resíduos. De recordar que a Câmara de Alenquer dispões da oferta de uma viatura de recolha porta-a-porta, que pode ser solicitada através de contacto telefónico. A este propósito o dirigente da ALAMBI refere: “Trata-se de uma boa aposta complementar, mas com baixa eficácia como sistema principal, como fica bem demonstrado nos casos reais que documentamos em fotografia por todo o concelho”.

Outro problema que a ALAMBI identifica em Alenquer é a deposição de resíduos recicláveis junto aos ecopontos, mas fora destes. “A deposição de cartões e plásticos fora dos ecopontos, segundo nos foi possível interpretar, acontece ora por os ecopontos estarem cheios – o que requer uma revisão do tempo entre circuitos de recolha – ora por se tratar de resíduos com dimensões que excedem a abertura dos ecopontos”, afirma também o dirigente ambiental.

Francisco Henriques diz ainda, e citamos, que “a rede de ecopontos instalados, sobretudo em meio urbano, parece-nos suficiente, mas em alguns locais a instalação de ecopontos de grandes dimensões e com aberturas mais largas permitiria resolver o problema dos resíduos depositados em seu redor”. E acrescenta: “Pelo aspeto dos locais, não nos parece também que os cantoneiros das freguesias recebam instruções para cuidar do espaço envolvente destas ilhas ecológicas”.

A ALAMBI refere igualmente que detetou este cenário: “quando é recolhido o lixo comum o camião passa, recolhe os resíduos depositados no contentor verde, mas os resíduos que estão depositados fora deste contentor não são recolhidos, e quando passa o camião da Valorsul para recolher os resíduos recicláveis procede do mesmo modo, isto é, despeja os ecopontos mas os resíduos recicláveis que estão em seu redor ficam no local”. Henriques remata: “Observamos esta situação no Carregado e apresentamos fotos de um local antes e após o despejo dos ecopontos, em que se verifica que os resíduos que estavam no chão, lá continuaram”.

Reportagem fotográfica da “miséria do lixo” na Freguesia do Carregado (fotografias cedidas pela ALAMBI):

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VIANuno Cláudio
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